Personagens do mundo do carnaval falam de mestre Delegado

O velório de mestre Delegado aconteceu durante toda noite na quadra da Estacão Primeira de Mangueira. Diversos sambistas de todas escolas prestaram homenagem para o melhor mestre-sala da história do carnaval. Confira abaixo:

Claudinho (mestre-sala Beija-Flor) – "O mundo do samba fica muito triste em perder uma pessoa tão querida além de ser um mestre na arte da nossa dança. Eu como mestre sala e todos os casais aqui no Rio de Janeiro temos um pouquinho de mestre Delegado e eu lembro de um momento – fico até arrepiado – foi na festa que fizeram pra ele e junto com a Selminha dançamos aqui na escola e aquele era o dia dele. Dançou, sorriu e brincou deixando isso muito marcado nas pessoas que ali estavam".


* Veja aqui imagens do velório

Mestre Dionísio – "Tudo que a gente passa na escolinha, eu posso dizer que aprendi com ele. Tem uma coisa que quase ninguém sabe é que o Delegado era um dos nosso instrutores na nossa escola de mestre-sala e porta-bandeira. As pessoas chegavam lá e ele sempre sentadinho na cadeira dele, se ele levantasse é porque algo ele viu de errado e avisava pra gente. A gente sempre obedecia, porque não é mole dançar durante 35 anos e ser nota dez durante esse tempo. Tem que se repeitar muito. O meu maior orgulho é ter o Delegado como um grande ícone. Delegado só tem um no samba.

Débora (2º porta-bandeira da Mangueira) – "Sou nascida e criada aqui na comunidade. Desde pequeno conheço o Delegado e sei da sua história. Chegar na quadra, começar a dançar e não vê-lo será muito difícil. Eu sempre lembrarei dele, nós dançávamos juntos. A escola irá sentir muito a falta dele. Vamos ficar procurando ele com seu apito para seguir os casais e não iremos encontrar. Perdemos um grande filho fiel".

Matheus (2º mestre-sala da Mangueira) – "Ele sempre foi o sonho de qualquer casal. Todos querem ser o Delegado. Ele representa o que é ser mangueirense. Saia de sua casa na saúde, doença, alegria e na tristeza. Ele não tinha estresse, ele tinha sempre a Mangueira em primeiro lugar. As pessoas aqui brincavam o titio Delegado ele come ou bebe? não. Ele come e bebe Mangueira".

Ivo Meirelles – "Eu acho que as pessoas vão sentir a perda dele com o tempo. Eu já estou sentindo. Para mim, o Delegado era um símbolo de mangueirense. Qualquer tempo, com qualquer presidente, qualquer enredo, em qualquer coisa, ele estava aqui servindo à Mangueira. Mangueirense assim só ele. O tempo vai demorar a construir um mangueirense feito ele. Como um Pelé vamos demorar a ter outra pessoa feito ele".

Rômulo Ramos – "O carnaval perdeu um grande ícone. A falta dele já está sendo sentida na nossa escolinha de mestre-sala e porta-bandeira. Ele é uma referência de um mestre-sala verdadeiro que nunca precisou de coreógrafo e sempre foi nota máxima. Ele foi o verdadeiro malandro da passarela.

Ronaldo (filho de Delegado) – "Fica agora pra gente toda a sua dedicação, a disciplina e o conjunto. Ele era um homem que a união fazia a força; Fica o amor pela escola que sempre foi gigantesco".

 

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