Personificação de um beija-flor. Fran Sérgio e sua história de amor nilopolitana

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No Carnaval de 1971 a Beija-Flor de Nilópolis vivia o ostracimo do segundo grupo dos desfiles de escola de samba. Um modesto 7º lugar com o enredo ‘Carnaval, Sublime Ilusão’. Mesmo sem saber a sua história ganharia um personagem importante naquele ano. Fran Sérgio Oliveira nascia na mesma cidade que a Beija-Flor levara para o mundo conhecer a partir de 1976. Hoje, ao lado de Laíla, Selminha Sorriso e Claudinho Souza, ninguém possui mais títulos pela escola.

São 25 anos de dedicação à agremiação, muito antes de integrar a comissão de carnaval. Bodas de prata de um casamento feliz que se completam quando a escola cruzar a Sapucaí, mais uma vez, no domingo de carnaval com o enredo ‘A virgem dos lábios de mel, Iracema’. Fran revela ao CARNAVALESCO que a Beija-Flor faz parte da sua vida desde os seus primeiros anos de vida.

fran1– Eu criança ainda vi em 1976 a Beija-Flor campeã, e já nessa época a escola era uma estrela para mim. Eu sou de Nilópolis e a cidade então não era nada. Aquilo virou um mito para mim. Eu desenho desde os 4 anos, e com oito passei a desfilar na ala das crianças. Iniciei um estágio no barracão em 1993, com o Milton Cunha, que foi quem me deu a primeira oportunidade. E não saí desde essa época – conta Fran.

Formado em arquitetura iniciou estágio no barracão da Beija-Flor ao mesmo tempo em que cursava a faculdade e também fazia o estágio obrigatório exigido pela graduação. A grande oportunidade surgiu em 1997, quando foi formado um grupo de artistas que mudaria a história da Beija-Flor e do carnaval.

– O Milton saiu e a ideia da comissão de carnaval surgiu através do Laíla e do Anísio, que resolveram naquela oportunidade aproveitar as pessoas que já se encontravam em nosso barracão. Estou desde a primeira turma, que foi criada após o carnaval de 1997 e desde 2012 sou o diretor artístico da comissão, que tem a direção geral do Laíla – recorda Fran.

São oito campeonatos conquistados pela Beija-Flor nesses 19 anos de comissão de carnaval, completados em 2017. Mas nem tudo foi perfeito nessa relação. Fran recorda que no início a mudança na estrutura da escola se deu de maneira drástica e muita gente não aceitou.

– Foi muito difícil no início, pois a própria escola não aceitava. O segredo da Beija-Flor é o trabalho que foi iniciado naquele período, uma nova estrutura de desfile, valorizando a cara da escola. Temos a mesma equipe de barracão basicamente desde quando ele era na Praça Mauá. Qualquer escola de samba tem problemas. Isso não é fácil, mas aqui está o meu coração. Moro até hoje em Nilópolis e minha família toda é de lá. Cheguei até aqui devido à minha dedicação – declara.

O carnaval se profissionalizou e a dança das cadeiras acontece todo ano após os desfiles. Mas não na Beija-Flor. A máquina de ganhar títulos prova para o mundo que o segredo de seu sucesso é apostar em pessoas competentes mas que acima de tudo nutrem amor por uma agremiação que transcende as dimensões da avenida e como diz o seu próprio samba-enredo de 2017, ‘uma história de amor, é o carnaval da Beija-Flor’. Mesmo tendo feito esporádicos trabalhos em outras agremiações, Fran só sai se a escola quiser.

– Já imaginei isso, mas além da paixão pela Beija-Flor, tenho fissura pelo carnaval, pelos desfiles. Gosto das outras agremiações, sempre que eu posso eu vou. Por mim teriam mais escolas no Grupo Especial. Não tem nada mais carioca e brasileiro que o desfile. Se um dia a minha escola de coração não me quiser vou procurar meu caminho. Eu já ajudei escolas no acesso e em São Paulo. Mas foram trabalhos de auxílio. A Beija-Flor me consome totalmente – afirma.

O comando através do olhar

O mentor de Fran Sérgio é Laíla. Chamado de mestre pelo pupilo, Laíla destaca a importância da comissão de carnaval para a era de ouro que marcou a Beija-Flor como a escola mais vencedora deste século.

fran2– O Fran foi uma aposta minha e do Anísio nos anos 90, quando nós precisávamos ter uma mudança radical dentro da escola devido a uma necessidade de alteração do nosso parâmetro de desfile. Ele sempre esteve conosco desde a primeira equipe que montamos. Na comissão de carnaval todos possuem sua importância – diz.

Fran Sérgio assumiu de maneira definitiva o controle artístico da comissão, sob a supervisão de Laíla, a partir de 2012, com a saída de Alexandre Louzada após o campeonato de 2011. De lá pra cá a Beija-Flor foi campeã novamente em 2015. Braço direito de Fran na escola e também integrante da comissão, Cristiano Bara elogia a principal característica de Fran: a objetividade.

– Conheci o Fran na Inocentes de Belford Roxo quando ele foi ajudar na confecção do carnaval lá. Eu fazia fantasias e ele me chamou para ajudar nos carros. Sou muito feliz de trabalhar com ele. É honesto, limpo e correto. Nunca vi ele dar ordem gritando aqui dentro. Por mim trabalho com o Fran a minha vida toda. A rapidez de resolver as coisas, a praticidade dele, são os grandes ensinamentos que ele me passou. Os trabalhos da Beija-Flor possuem uma qualidade impressionante, muito graças ao Fran – pontua.

A chefe de costura da azul e branco nilopolitana, Ademilde, relata que conhece Fran, desde que sua filha era uma adolescente de 15 anos de idade. Ela destaca que todos os ensinamentos de barracão foram passados a ela por Fran.

– Conheço o Fran bem antes de ser costureira da Beija-Flor, minha filha tinha 15 anos e hoje ela tem 42. Foi ele quem me trouxe para cá. O Fran é uma figura muito amigável, foi ele quem me ensinou tudo de barracão. Um prazer enorme estar aqui com ele – elogia.

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