Pesquisador Julio Cesar Farias lança livro sobre as harmonias das escolas de samba

Com o propósito de democratizar as informações sobre a estrutura interna das Escolas de Samba, o pesquisador e agora carnavalesco do Arranco do Engenho de Dentro, Julio Cesar Farias, após examinar o Samba-Enredo (Para tudo não se acabar na quarta-feira – A linguagem do samba-enredo, 2002), o Enredo (O enredo de Escola de Samba, 2008), a Comissão de Frente (Comissão de Frente – Alegria e Beleza pedem passagem, 2009) e a Bateria (Bateria – O coração da Escola de Samba, 2010), em 2012 mergulhou a fundo em um setor fundamental para o sucesso dos desfiles: a Harmonia.

No livro ‘Harmonia de Escola de Samba – Teoria e Prática’, direcionado a quem atua nesse setor, o autor faz uma análise explicativa profunda, tendo como ponto de partida o desenvolvimento das muitas informações contidas nos apontamentos sobre o segmento registrados pelo diretor de harmonia Thiago Monteiro (atualmente diretor geral de harmonia da Grande Rio), quando integrava o departamento na Unidos da Tijuca, para instruir diretores de outras agremiações do grupo de Acesso, nas quais coordenou o departamento de harmonia. Acrescidas a estas valiosas orientações, estão observações e ponderações de Farias quando ampliou significativamente a pesquisa.

O registro feito constitui a descrição de uma metodologia de trabalho baseada no que a maioria dos diretores de harmonia pratica e também pautada na observação desse segmento atuando efetivamente na função nas quadras, nos ensaios técnicos e no desfile oficial.

É sabido que, num desfile de escola de samba, todos os segmentos juntos devem apresentar simetria e coerência na interligação. Para que isso aconteça, tudo é pensado anteriormente para ser executado com precisão na hora do desfile: do andamento do samba à movimentação dos carros alegóricos, do deslocamento da comissão de frente ao da ala da velha guarda e de compositores, da evolução do casal de mestre-sala e porta-bandeira à evolução da ala das baianas, da disposição das alas e de elementos cenográficos às performances realizadas por grupos especiais no chão ou em cima das alegorias. Tudo isso é controlado e comandado por diretores de harmonia, que têm papel fundamental e determinante no bom resultado do desfile.

Todas essas tarefas e outras mais competem hoje ao departamento de harmonia, que ainda pode ser responsável pela saída e retorno das alegorias do barracão, pela armação da Escola na pista, pela uniformidade das alas, pela cronometragem e andamento do samba e do desfile, pelo canto e evolução dos componentes e pela dispersão de alas e alegorias no final do desfile, ainda que a Harmonia como quesito continue sendo definida, no Manual do Julgador, como “a perfeita integração entre o ritmo e o canto” de uma Escola de Samba em desfile. Uma definição bastante simplista se forem levadas em consideração as numerosas atribuições exercidas hoje pelos diretores de harmonia de uma agremiação. 

Essa “integração” é buscada pelo departamento de harmonia, segmento que conta com uma equipe que pode chegar, dependendo do tamanho da Escola, a 60 diretores (os chamados “harmonias”), que são coordenados por um diretor geral de harmonia. Essa equipe tem a função de ensaiar toda a Escola para que os componentes possam desempenhar seu papel com perfeição no desfile oficial. Mas constata-se que as atribuições desse departamento hoje vão muito além de simplesmente ensaiar as partes de uma Escola de Samba para formarem um todo harmônico. 

Todas essas atribuições são mostradas na teoria e na prática nesse livro, que se constitui num imprescindível “Manual de Harmonia”.

Informações:

Livro 'Harmonia de Escola de Samba – Teoria e Prática'

Litteris Editora – www.litteris.com.br