Poema de amor da parceria de Totonho para Miguel Falabella vence disputa de samba da Unidos da Tijuca

Por Vinicius Vasconcelos, Geissa Evaristo André Coelho, Dandara Carmo e fotos de Magaiver Fernandes

tijuca_final2018_-163A Unidos da Tijuca escolheu na noite deste sábado seu hino para 2018. Ao todo, 11 escolas do Grupo Especial já possuem samba oficial, restando apenas Imperatriz Leopoldinense e Beija-Flor escolherem. Num clima de festa, a escola passou de vez uma borracha nos acontecimentos de 2017, quando um dos carros alegóricos quebrou no início do desfile e integrantes ficaram feridos, e está completamente focada em seu próximo desfile que irá homenagear Miguel Falabella. A parceria de Totonho, Mart’Nalia, Dudu, Marcelinho Moreira e Fadico foi a grande vencedora. Os compositores levaram para casa o troféu D´Samba/CARNAVALESCO.

whatsapp-image-2017-10-15-at-04-41-20– Tem 10 anos que participo na Tijuca e esse é o sétimo que ganho. Eu sou Tijuca, nasci na praça Sans Peña, morei no Andaraí, conheço a quadra desde o morro. Minha vida toda foi nessa área. Hoje, tenho a grata satisfação de ganhar numa escola de ponta. O segredo é muito trabalho, investimos na juventude. Temos o Dudu, o Fadico e agora a Mart’nália. Ela abriu mão da Vila Isabel e pediu para vir em função do Falabella. E nos escolheu para fazer parte da composição. Ter foco é o segredo. O refrão no tom maior “quando a luz acender/o morro descer pra vê-lo brilhar” vai fazer a Sapucaí vir abaixo. Sem falar da nossa segunda parte que fecha com um refrão lindo. Nós fomos delineando uma melodia boa com poesia. Achamos uma linha de raciocínio, é uma entrega da Unidos da Tijuca para o Miguel Falabella – explicou o compositor Totonho.

Miguel Falabella não esconde a emoção em se tornar enredo

tijuca_final2018_-147Figura presente na Marquês de Sapucaí, principalmente nos anos 90, onde foi carnavalesco do Império da Tijuca, o homenageado da noite esteve presente na escolha de samba-enredo e confessou ao CARNAVALESCO a felicidade em ser consagrado.

– Eu sou folião e sempre fui. Passei a minha vida inteira no carnaval carioca, sou de São Cristóvão e morei na Ilha a vida inteira. Estou profundamente emocionado e honrado com essa homenagem. É a maior consagração que um artista pode receber – disse Falabella.

Compositores emocionados

Para o compositor Fadico, tetracampeão na Tijuca, a obra campeã ressaltou a grande apresentação da parceria na final.

– É uma sensação incrível vencer. Ganhar na Tijuca com uma aclamação tão grande assim… Eu não tenho como descrever essa vitória. O fim do samba ‘Tijuca escola de vida és minha paixão, as lágrimas de outrora já não rolam mais se rolarem é de emoção’ toca na gente.

tijuca_final2018_-155Tricampeão na Tijuca, Dudu enalteceu ser vencedor na escola de coração.

– Não tem como descrever a emoção de um campeonato, quando ele é na sua escola de coração. Temos uma comunidade forte que vai brigar pelo título com esse samba, mesmo sendo a primeira de segunda-feira – garantiu.

O compositor Marcelinho Moreira comemorou a conquista.

– Essa vitória para mim significa muito. Porque eu tenho uma história com Miguel, do meu filho. Há treze anos atrás a Mart’nália começou a carreira de atriz no Auto de Natal e a minha esposa estava grávida do meu filho que ia ser João Marcelo, minha filha já é Marcela. Aí ela falou: ‘Não, João Marcelo não’. E rezou a oração de São Miguel na barriga da minha esposa e aí eu falei: ‘Então vai ser João Miguel’. Meu filho tem 13 anos e nosso samba é número 13 – exclamou.

Samba campeão foi um rolo compressor

tijuca_final2018_-105Totonho tem muito do que se orgulhar. A apresentação da parceria foi o que podemos chamar de rolo compressor. Além da numerosa e consistente torcida a parceria teve ajuda do homenageado. Miguel Falabella estava enlouquecido no camarote ao lado dos amigos e cantava o samba com muita empolgação. Leozinho Nunes conduziu o samba com personalidade do início ao fim. A compositora Mart’nália, estreante em solo tijucano marcou presença no palco e se emocionou por vários momentos. Ela ficou muito emocionada pelo vitória e por ser a responsável pelo samba que vai homenagear o amigo Falabella.

– Cara, assim, tô muito, muito, muito feliz, primeira vez que eu faço um samba fora da minha escola, nunca pensei, inclusive, nessa possibilidade, culpa do Miguel (Falabellla). E eu fiz com muito carinho com meus parceiros que me abraçaram, eu não podia vir com alguém que não é da escola, eu não sou daqui. E aí eu vim através do Marcelinho Moreira, que também não é da escola, mas que falou: ‘Olha, esse pessoal aqui vai te abraçar’– disse.

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Além dela, outra “Ferreira” também estava presente. Dandara Ventapane, porta-bandeira da União da Ilha, cantou forte o samba da tia. A torcida parecia incansável, e o melhor, ninguém precisava de letra para cantar. A ala da baianas demonstrou apoio ao samba e diversos diretores de harmonia também expressavam seu gosto pela obra. Além de telões de LED na quadra, a parceria se encarregou de espalhar bandeiras pela quadra com o pavilhão da agremiação. No início da apresentação houve queima de fogos e para surpresa de todos um enorme mosaico foi formado pela torcida com o trecho “Tijuca escola de vida, és minha paixão”. A torcida era tão numerosa que não conseguiu entrar toda na quadra.

Horta diz que se eleito no Vasco indica outro presidente nas eleições da Tijuca em março

tijuca_final2018_-10Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente Fernando Horta revelou o que fará caso seja eleito no Vasco.

– A Unidos da Tijuca eu amo de paixão, assim como eu amo o Vasco de paixão. A gente tem um carnaval quase pronto já e nós temos eleições na escola agora em março. Logicamente que eu passarei o comando até mesmo porque não dá para ocupar as duas. Vou indicar um presidente que vai dar segmento à Unidos da Tijuca igual, eu não me afasto. Nunca – explicou.

Horta garantiu que o desfile de 2018 será para apagar o que houve em 2017.

– A Tijuca não pensa de outra maneira. De 2010 para cá a gente vem sempre disputando o título e não vai ser diferente. A Tijuca não está medindo sacrifícios para fazer um grande carnaval. Somos uma escola técnica, que tem uma comunidade muito forte e vamos partir para título, não pode ser de outra maneira – afirmou.

‘A Tijuca está mordida, quero ver segurar’, diz Tinga

tijuca_final2018_-7Antes do início das apresentações, por volta das 2h da manhã, enquanto o samba 2017 ainda era cantado, houve uma queda de energia da quadra, mas os componentes da escola mostraram mais uma vez garra e cantaram até o retorno do som do palco. Cantor da escola desde 2014, Tinga teve que tomar para si a responsabilidade de não deixar a escola desanimar no último desfile. Ciente de que sua missão foi cumprida com sucesso, o intérprete afirmou ao site CARNAVALESCO que os acontecimentos o aproximaram ainda mais da nação tijucana.

– É uma emoção muito grande. É importante em todo lugar que vou a escola sempre me da aquele carinho e abraço. Tudo que aconteceu aumentou ainda mais a nossa relação, espero continuar por bastante tempo.

tijuca_final2018_-65Para o desfile de 2018, a Unidos da Tijuca optou por uma mudança na sua comissão de carnaval. Mauro Quintaes saiu. Ficaram Helcio Paim, Marcus Paulo e Annik Salmon. O trio confia no trabalho para colocar a escola novamente no topo do Grupo Especial. O experiente Helcio Paim ainda lembra do acidente no desfile desse ano e disse que o fato nunca poderia ter ocorrido.

– O carnaval 2017 foi a maior tristeza em toda a minha vida de carnaval. Nunca aquilo poderia ter acontecido pela seriedade no nosso trabalho, pela nossa experiência. Foi um trabalho feito por uma equipe de engenharia operado por um engenheiro, logo nunca poderíamos esperar aquilo. Vamos mudar muita coisa. Não queremos correr riscos de forma alguma. Evitamos agora os hidráulicos para não ficar refém de engenharia. Como seremos a primeira escola a desfilar, temos a concentração inteira a nosso dispor e os carros entrarão prontos – disse.

tijuca_final2018_-8Para Marcus Paulo, a saída de Mauro Quintaes faz sentir na falta do amigo, mas profissionalmente o trio é capaz de realizar um desfile do nível que a Tijuca tem feito nos últimos anos.

– A única mudança para a nossa comissão com a saída do Mauro é a perda de um grande amigo. Estruturalmente para gente está sendo bom porque vamos mostrar verdadeiramente o nosso trabalho em particular. Tudo que mostramos até agora a repercussão da escola está sendo muito boa. A escola está feliz com o que está vendo. O que mais me fez apresentar para o presidente esse enredo foi a formentação que ele tem na cultura do teatro, tanto nos musicais, quanto convencionais. A gente da cultura do carnaval precisa elevar também a cultura do teatro. As culturas precisam se comunicar. O teatro terá muita ênfase no nosso desfile. Não pode faltar o contato de alegria que O Miguel Falabella tem com o povo.

Annik revelou que a marca de Falabella, que é o humor, estará presente no desfile da Tijuca em 2018.

– A grande marca dele é no humor e isso não faltará na Tijuca. Já tem um mês que entregamos os protótipos das fantasias e começamos a reprodução. Já estamos com quatro frentes de alegorias no ferro, de 6 carros que levaremos para a Avenida. No mês que vem iniciaremos os adereços. Dentro do nosso organograma estamos dentro do tempo. Miguel é um grande artista do teatro, da TV, dos musicais, é um artista completo – explicou.

Tijuca pode tirar expressão ‘povo do samba’ da obra vencedora

tijuca_final2018_-146Responsável pela direção de carnaval da Tijuca, Fernando Costa revelou que a escola pensa em retirar a expressão “povo do samba” da obra.

– Acho bobeira o pessoal ficar falando que o “povo do samba” é uma expressão da Unidos de Vila Isabel. O povo do samba é o povo do samba, é de todo lugar, mas estamos pensando em tirar e colocar uma coisa mais tijucana para mexer mais com a nossa comunidade. Na segunda-feira será decidido. Temos 29 alas e apenas duas comerciais e nessas duas ainda infiltramos componentes da comunidade, ou seja, quase 90% dos desfilantes são da comunidade – frisou.

Casal diz que nota máxima é obrigação

Para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Marcelino e Jack Pessanha, o desfile de 2018 será novidade. Ele veio da Portela e ela passou pelo Tuiuti e Salgueiro. A dupla comemora a parceria.

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– Foi uma química de primeira. Deus nos uniu primeiramente junto ao Fernando Horta nosso presidente e está dando e já deu muito certo. Estamos com o ensaio a todo vapor, super entrosados parece que a gente já dança há anos – disse Jack que fará sua estreia no Especial.

Alex diz que a nota máxima é uma obrigação para dupla no desfile do ano que vem.

– É obrigação sim, porque a gente trabalha para obter a pontuação máxima. Ensaiamos de duas a três horas por dia, mas antes de começar nosso trabalho de dança, fazemos as nossas pontuações onde temos que melhorar e depois ensaiamos intensamente.

Mestre Casagrande diz que fantasia de 2018 é a melhor que já teve

tijuca_final2018_-56Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Casagrande falou do desfile de 2017 e do futuro.

– Acho que foi um momento mágico que a bateria teve. A bateria poderia atravessar, pouca gente sabe disso, várias ambulâncias passaram no primeiro box, a bateria teve que abrir várias vezes para as ambulâncias passarem para socorrer os feridos e a gente conseguiu manter a cadência e o mais importante que é manter o foco e a concentração. Não foi fácil não. A sensação é de dever cumprido – desabafou.

Sobre o número de ritmistas, Casão mantém o que vem dando certo, ou seja, 272 rtimistas.

– Eu não mudo, não. Não mudo esse número. Graças a Deus o presidente não está medindo esforços, a roupa da bateria é maravilhosa. é a melhor roupa de bateria que a escola já me deu.

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Reinando soberana à frente da bateria de mestre Casagrande, Juliana Alves compareceu mesmo após após ter dado a luz a sua primeira filha recentemente. A atriz estava plena com seu tradicional samba no pé.

Análise das outras apresentações:

tijuca_final2018_-135Parceria de Victor Alves: Aproveitou o fato de ser a primeira da noite e cantou parabéns para o homenageado que fez aniversário no último dia 10. O refrão principal foi bem cantado pela numerosa torcida que esteve presente com balões nas cores da escola. Igor Sorriso e Gilsinho conduziram com qualidade o canto, porém os segmentos da escola em momento nenhum corresponderam. Grande parte dos torcedores estavam com letra do samba na mão e precisavam da cola para cantar.

Parceria de Leandro Gaúcho: Ciente da dificuldade que é enfrentar três outras grandes parcerias, o intérprete Zé Paulo iniciou a apresentação com a seguinte frase: ‘É Davi contra Golias mas nós estamos aqui em busca de um sonho’. Houve pouca receptividade dos segmentos e do homenageado diante do samba. O trecho “Miguel, meu arcanjo Miguel” foi o mais cantado. A torcida contou com a presença do compositor consagrado Cláudio Russo.

tijuca_final2018_-120Parceria de Dudu Nobre: Uma enorme torcida tomou conta da quadra quando a parceria subiu no palco. Com balões com o número 7 nas mãos, a torcida era capitaneada por Dudu Nobre que animava com muita empolgação do palco. Coube ao cantor Vitor Cunha, membro do carro de som da Tijuca, conduzir o samba que passou com muita qualidade. Porém, mais uma vez, Miguel Falabella não demonstrou apoio e continuou no camarote ao sem nem sequer cantar um ou dois versos. Apesar de grande contingente, quantidade não representou qualidade. Grande parte não cantava o samba e o rendimento foi caindo ao longo da apresentação. Lucinha Nobre, porta-bandeira da Portela, esteve presente para apoiar o irmão.