Por Dentro do Ritmo: a bateria da Beija-Flor

 

 

O manual do julgador desenvolvido e distribuído pela Liesa aos responsáveis por julgar as baterias do Grupo Especial é bem claro em seu primeiro item: '' Para conceder notas de 09 à 10 pontos, o julgador deverá considerar a manutenção regular e a sustentação da cadência da bateria em consonância com o samba enredo''. Parece simples, mas talvez seja esta a característica mais difícil de se alcançar em uma bateria. Uma em especial vem se tornando especialista no assunto, a bateria da Beija-Flor de Nilópolis, que hoje será dissecada aqui no ''Por Dentro do Ritmo''.

A Bateria

Comandada desde 2010 pela dupla de mestres Rodney e Plínio, a bateria da Beija-Flor de Nilópolis está entre as melhores do carnaval atualmente. Nos últimos anos vê sua qualidade aumentar ainda mais com a qualificação de jovens oriundos da própria comunidade nilopolitana, além da definição de características rítmicas que são seguidas de maneira bem rígida, todas sob o olhar atento de Laíla, diretor de carnaval da Azul e Branco.

– Eu acho que o nosso propósito é aquele que deveria ser de todas as outras baterias. Estamos aqui para sustentar ritmicamente o canto da escola e na medida do possível fazemos as nossas nuances dentro da melodia do samba. Na Beija-Flor nós trabalhamos muito, praticamente não tem férias. No dia 20 de maio já iniciamos o ensaio e trabalhamos em cima dessa manutenção de ritmo e andamento que tem sido a nossa marca – explica mestre Rodney, que começou na Caprichosos de Pilares e é referência quando o assunto é afinação de surdos no carnaval carioca.

No Carnaval 2014 a bateria da Beija-Flor irá apresentar sete pequenas convenções na Avenida. Um número alto se comparado com o histórico recente, mas são desenhos rítmicos bem curtos e coesos com a melodia do samba, de acordo com o próprio Rodney.

Caixas

Assim como algumas escolas do Grupo Especial (São Clemente, Império da Tijuca, Unidos de Vila Isabel e União da Ilha do Governador), a bateria da Beija-Flor irá mesclar duas batidas de Carnaval 2014. A primeira delas, que se convencionou chamar de ''batida em cima'' e que também é utilizada por Salgueiro, Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio, União da Ilha(grande parte da bateria), Império da Tijuca(grande parte da bateria) e São Clemente(parte da bateria). E a segunda, chamada de ''rala-côco'' na Beija-Flor e que também é usada pelas baterias de União da Ilha(pequena parte da bateria), Império da Tijuca(pequena parte da bateria), Unidos de Vila Isabel(grande parte da bateria) e São Clemente(parte da bateria).

Na Deusa da Passarela, porém, há uma integração perfeita entre as duas batidas.

– Conseguimos esse resultado depois de um trabalho muito sério feito no nosso projeto de ritmo com as crianças e adolescentes. Hoje muitas delas já fazem parte da bateria e não deixam a desejar em nada aos mais velhos. Aos poucos eles foram pegando o gosto e se adaptando a essa batida ''rala-côco'', que já é maioria entre as nossas caixas. A junção das duas é muito boa. Uma sustenta e a outra dá o suingue – conta mestre Rodney.

Surdo de Terceira

Ao contrário da maioria das baterias, que usam o sistema de terceiras padronizadas, a Beija-Flor de Nilópolis aposta na liberdade para os ritmistas do naipe. Obviamente que há um bom senso. No caso da Azul e Branco, até mesmo no retorno das bossas e nas viradas, tanto para o refrão principal, quanto para a cabeça do samba, evita-se o corte. Tudo para que o principal propósito – sustentar o samba – seja seguido.

– Eu não gosto de desenho de terceira. Acho que fica muito mecânico e previsível. Nos temos um padrão de postura no instrumento e os ritmistas vão se adaptando de acordo com a percepção musical de cada um. Acho que isso vem dando certo – ressalta Rodney.

Tamborim

Outro retrato do padrão mais conservador da bateria da escola é o desenho de tamborim para 2014. Bem simples, o arranjo prioriza o carreteiro e pequenas subidas em determinados momentos da melodia. Mestre Rodney fala sobre a participação do instrumento.

– O nosso objetivo é que o tamborim seja funcional para a bateria. Não adianta fazer nada muito mirabolante e sair da proposta da escola. Aqui nunca tivemos problema com isso e o grande diferencial é o nosso projeto, que também produz muitos ritmistas para o naipe.

Divisão dos Naipes

Surdo de 01ª – 10
Surdo de 02ª – 12
Surdo de 03ª – 14
Caixas –  110
Repiques – 30
Repiques-Mór – 5
Tamborins – 36
Chocalhos – 30
Cuícas – 15

Escalação
Mestres de Bateria: mestres Rodney e Plínio
Diretoria: Saul do Gás, Celso Paduana, Marlon(chocalho), Cara de Kombi, Carlos Alberto, Clóvis, Michel, Xunei, Thiago Gordo, Pó de Mico e Zé Carlos

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