Portela mostra que está de volta e se credencia ao título do Grupo Especial

 

 

Pode virar realidade o sonho de todo portelense. Um grito que está entalado na garganta há 30 anos e que pode ser liberado na quarta-feira de cinzas. Tudo porque a Portela certamente fez um dos maiores desfiles de sua história no Sambódromo. O que se viu da águia de Madureira foi um desfile tecnicamente que beira a perfeição. Alegorias bem cuidadas, fantasias belíssimas, um canto impressionante e uma evolução que não sofreu qualquer tipo de problema.

* VEJA FOTOS DO DESFILE DA PORTELA

O enredo proposto por Alexandre Louzada foi perfeito ao mostrar com uma nitidez louvável cada uma das fases históricas que envolvem a região que vai do Cais do Valongo à Avenida Rio Branco. Não teve nada de repetitivo, como muita gente suspeitou. A leitura esteve muito facilitada. Não foi necessário consultar o roteiro oficial do desfile para entender o que passava na Sapucaí.

Talvez um ponto em que a Portela não tenha brilhado tanto tenha sido na abertura da escola. A comissão de frente fez uma apresentação baseada no surgimento do espírito do povo carioca, mas a execução se mostrou confusa. O tripé com a águia chamou mais atenção que a apresentação e se mostrou sem nenhuma função. Em seguida o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Daniele, fez uma apresentação irregular. No último módulo de julgamento, a bandeira não foi esticada totalmente. Digno de registro o entrosamento e a satisfação de ambos em estar ali representando o renascimento portelense.

O samba da Portela foi apontado como um dos melhores desta safra desde sua escolha, em outubro do ano passado. E o que se viu na avenida foi um autêntico sacode no canto. A Portela cantou do início ao fim. Como efeito comparativo, as mesmas obras desta parceria em 2012 e 2013 tiveram desempenhos inferiores, embora também bom. Não foi possível notar qualquer ala que tenha passado sem o canto regular.

A evolução portelense esteve quase perfeita, não fosse por alguns pequenos deslizes. Aos 23 minutos, entre os módulos 2 e 3, a escola ficou parada um tempo excessivo. E em alguns momentos depois da entrada da bateria no recuo, com 45 minutos de desfile, algumas alas passaram um pouco aceleradas em frente ao módulo 4. O conjunto portelense esteve muito bem, com uma divisão cromática coerente com os setores do enredo e um uso inteligente do azul e do branco, as históricas cores da Portela.

As fantasias da Portela estiveram impecáveis, as mais luxuosas do Grupo Especial. Os setores que traziam o Theatro Municipal e o extinto Palácio Monroe, tinham roupas magníficas. Pareciam os antigos bailes de carnaval de antigamente no Rio.

O conjunto alegórico do desfile portelense mostrou a mudança na mentalidade portelense. O abre-alas da Portela foi um dos mais impactantes deste carnaval e há muito tempo não se via a águia tão esplêndida na avenida. O tripé "Desperta o Gigante" trazia uma escultura gigante que levantava de uma montanha, em uma alusão às manifestações de junho de 2013. Belíssima e de leitura espetacular.

A águia deu um razante para beliscar a taça e o tal grito entalado na garganta há três décadas, que está muito perto de ser ecoado pelos quatro cantos da cidade.

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