Portela: Samir Trindade e Wanderley Monteiro engolem concorrentes e vencem samba de 2016

"É melhor respeitar, sou a Portela". Os versos que já estão na ponta da língua de qualquer portelense, podem servir para ilustrar a primeira vitória de Samir Trindade na Portela. Depois de acusações infundadas que diziam que o compositor não é Portela, ele conquistou uma inesquecível vitória dentro da escola que ama. Ao lado de Wanderley Monteiro, que alcança sua quinta conquista na azul e branco, e Elson Ramires, Lopita 77, Dimenor e Edmar Jr, eles faturaram o direito de ser o hino oficial da Portela no Carnaval 2016 e vão contar em samba o enredo "No voo da águia, uma viagem sem fim", do carnavalesco Paulo Barros.

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O tão falado duelo entre as parcerias finalistas sequer aconteceu, tamanha a superioridade do samba de Samir e Wanderley. Tanto que o resultado da júri foi um autêntico massacre: 48 votos para Samir e apenas 2 para Noca da Portela. A emoção dominou Samir desde os primeiros momentos da apresentação, e a explosão da quadra com o anúncio do samba fez o compositor chorar de emoção e alegria. – Eu não consigo mensurar essa conquista. A ficha ainda tem que cair. É um sonho de criança, uma vitória na minha escola de coração. Eu não consigo ainda entender o que está acontecendo. Sempre foi um sonho de criança ganhar na Portela. Sempre que fui campeão imaginava: e se fosse na Portela? Conheci pessoas maravilhosas nesse processo e acredito que consegui tocar o coração portelense. Todo ser humano tem que ir em busca da sua verdade e do seu sonho. Quando você faz o que gosta com amor, respeito e dignidade, de alguma forma, independente de qualquer resultado, você se sente realizado – falou Samir à reportagem do CARNAVALESCO.

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Sem entrar em polêmica depois da vitória, Samir falou sobre o tenso período eliminatório e a campanha contra ele. – Nunca perdi a confiança, primeiro porque tenho minha família que sempre me apoia e segundo porque confio na gestão do Marcos Falcon, que jamais lesaria a própria escola. Se um dia temi perder essa disputa, isso se deve à boa qualidade dos meus concorrentes aqui hoje – disparou o vitorioso compositor.

O vice-presidente portelense, Marcos Falcon, também valorizou as raízes portelenses de Samir Trindade. – Não há problema algum no compositor ter feito sua história fora da escola, ele não é menos Portela por isso. Pelo contrário, mesmo compondo na Beija-Flor sempre frequentou a Portela e torceu pela escola. Temos de novo um grande samba para nos ajudar a buscar esse título tão sonhado – declarou Falcon ao CARNAVALESCO.

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Wanderley Monteiro escreveu ainda mais seu nome na Portela com a quinta conquista em uma disputa de samba da escola. – Ganhar samba pra mim se assemelha a felicidade de uma criança quando ganha um brinquedo. Esse já é o meu quinto brinquedo na Portela. É uma felicidade enorme. Tenho muito respeito a toda ala de compositores da agremiação e tenho certeza que a Portela levantará o caneco, não porque meu samba foi campeão, mas porque a escola se reestruturou e está mais do que no caminho de levar o campeonato. Foi um samba rápido de fazer, nos reunimos apenas três vezes, a obra foi crescendo na quadra e a comunidade abraçou – explicou.

Última parceria da noite a se apresentar, já passavam das 04h da manhã quando os compositores do samba subiram ao palco. Muito emocionado, Samir parecia não acreditar no momento que estava vivendo. E desde os primeiros instantes da apresentação o que se viu dentro do Portelão foi um terremoto. Uma passagem avassaladora que não permitiu a menor margem para dúvida sobre qual o melhor samba teria que ser escolhido representar a Portela no Carnaval 2016. A obra conseguiu tamanha vantagem por um diferencial: emoção. A parceria levou muitos portelenses às lágrimas. Foi o samba a causar maior interesse no restante da quadra, fora da torcida. Até em um segmento geralmente mais contido, a harmonia. As torcidas Guerreiros e Amigos da Águia também apoiaram de maneira bem incisiva o samba. Tia Surica não se conteve e invadiu o palco para cantar. A manifestação de apoio da bateria Tabajara do Samba foi quase unânime. Segmentos, torcida, público. Todos em uníssono acordo. Um autêntico atropelamento no Portelão.

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O compositor Luciano, mais conhecido como Dimenor, conquistou sua primeira vitória na Portela. Ao lado dos parceiros compositores, ele participou ativamente do processo de produção do samba campeão, que ele caracteriza como um quebra-cabeça que deu certo: – É uma sensação incrível ser campeão na Majestade do Samba que é a Portela. É minha primeira vez e Deus sabe que tem um momento certo, no tempo dele e ele promoveu isso para a minha parceria e a mim. Agora, a Portela está aí e nós acreditamos nela. Nosso samba foi feito na casa do parceiro Edmar e na casa de outros parceiros, nós sentamos e montamos um quebra-cabeça de boa qualidade. Tenho certeza que a Portela vai fazer um grande desfile com esse samba no ano que vem – afirmou o compositor.

Muito emocionado, o compositor Edmar Júnior tentou descrever o que estava sentindo com a vitória em território portelense. É a primeira vez que ele vence uma disputa na escola: – Poder ser campeão na maior escola do mundo, na maior campeã do carnaval, é lindo. Poder fazer o hino pra que a escola dispute o título não tem preço, é muito lindo – contou emocionado.

Gilsinho canta samba campeão com intérpretes e Paulo Barros acompanha disputa

O ex-intérprete portelense, Gilsinho, esteve na quadra defendendo o samba da parceria de Luiz Carlos Máximo, o primeiro a se apresentar. Entretanto, para a surpresa de muitos o cantor retornou ao palco depois do anúncio e cantou o samba campeão junto de Wander Pires e Wantuir, os intérpretes oficiais. Especulações dão conta de que o cantor, que cantou os últimos dois carnavais na Vila Isabel, pode estar retornando à Portela. Marcos Falcon rechaça essa possibilidade. – O fato de Gilsinho estar aqui cantando o samba vencedor mostra que ele como qualquer portelense nesta noite não conteve a emoção. Nosso carro de som é o mais potente do carnaval – esclareceu Falcon.

Paulo Barros contente com a safra de sambas da Portela

O carnavalesco Paulo Barros chegou cedo à quadra para acompanhar as apresentações na grande final. O artista ficou posicionado junto da imprensa bem em frente ao palco e foi solícito com todos os pedidos de fotos e entrevistas. Paulo ficou no local até o fim da última apresentação. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, ele dise que as três obras finalistas da noite estavam adequadas a sua proposta de carnaval: – Fiquei muito satisfeito com a safra de sambas, principalmente com as três obras que vieram pra final. Acho que qualquer um deles está dentro da sinopse do enredo e do que eu vou levar pra Avenida. Tenho certeza que as pessoas que entendem a essência da Portela e que são responsáveis pela escolha do samba fizeram o melhor pela escola – afirmou Paulo.

Sobre o andamento do barracão, Paulo Barros contou ao CARNAVALESCO que gostaria de estar mais à frente com os trabalhos da escola, mas que encontrou entraves na crise financeira pela qual o país passa e na demora pela chegada da subvenção: – O barracão está num processo que eu gostaria que estivesse mais adiantado. Acho que por conta de uma crise que está ocorrendo no país e que está se alastrando por todos os âmbitos e não poderia ter sido diferente no barracão. A subvenção das escolas chega muito tarde, as escolas na Cidade do Samba começaram recentemente a se preparar. Gostaria de estar mais adiantado, mas é um processo que vamos ter que encarar, não tem jeito.

Casal já conheceu figurino do desfile e elogia Paulo Barros

Alex Marcelino e Danielle Nascimento, casal de mestre-sala e porta-bandeira, fizeram mistério sobre o figurino que vestiram na escolha de samba e que receberam da Inglaterra, produzido para eles por uma professora e três alunas da faculdade de moda e design da Birmingham City University. Se isso ocorreu na final de samba, o que esperar do segredo quanto ao figurino desenhado pelo carnavalesco Paulo Barros para o casal? Danielle só revelou ao CARNAVALESCO que o casal já conhece o desenho da fantasia e que a roupa está em fase de produção: – É surpresa, mas já sabemos o que vamos representar, o figurino está lindíssimo. Eu já era fã do Paulo e queria trabalhar com ele, estava super aberta pra ele. Ele é uma pessoa maravilhosa para se trabalhar, é super flexível – afirmou a porta-bandeira.

Para o mestre-sala, o contato com o carnavalesco também ocorreu de forma tranquila: – Ele é um cara bastante aberto. Quando nos mostrou o figurino, falou que estava desenhado mas que a montagem era com base no que fosse mais confortável para o casal. Pelo contato que eu tive com ele, achei ele um cara sem vaidade e que gosta de um trabalho bem executado – contou Alex.

Tabajara do Samba vai desfilar com contingente menor visando nota máxima

Mestre Nilo Sérgio vai trabalhar com 280 ritmistas em seu time para o Carnaval 2016. São vinte a menos do que no carnaval que passou. Nilo reduziu o contingente porque, segundo ele, é mais fácil ter o controle sobre a bateria com esse número. Ele contou ao CARNAVALESCO que já tem bossas preparadas para a gravação da faixa da escola no CD das Escolas de Samba:

– Vamos levar 280 ritmistas, uma redução para que possamos controlar melhor a bateria. Já temos três bossas diferentes que se encaixam nos três sambas finalistas e elas vão para a gravação do CD na próxima semana – contou Nilo antes de assumir o comando da Tabajara durante a madrugada da escolha de samba.

Portela terá sete carros coreografados e quatro alas

Em 2016, a Portela terá um trio no comando da sua comissão de frente. São eles: Sandryni, Roberta Nogueira e Gislaine Cavalcante, que explica a parceria. – São três cabeças com sistemas diferenciados. O Paulo Barros é um carnavalesco que pensa tudo e a gente coloca em prática. Nossos ensaios iniciam na próxima semana e serão inicialmente realizados duas vezes por semana. Posso revelar que 70% da ideia da comissão de frente vem do Paulo Barros – disse Gislaine.

Trabalhando com Paulo Barros há 13 anos, Sandryni garante que não existirá divisão na comissão de frente. – Estávamos acostumados a trabalhar apenas com pessoas comuns e estou curtindo trabalhar com profissionais na comissão de frente – disse o coreógrafo que falou mais: – Ao todo serão 7 alegorias e 4 alas coreografadas com nossa equipe e com a comunidade da Portela.

Roberta Nogueira agradeceu o voto de confiança dado por Paulo Barros. – Aceitamos o duplo desafio. A Gislaine tem uma vasta experiência no Grupo Especial e é claro que aprenderemos muito com ela. Eu e Sandryni entendemos o que está na cabeça do Paulo e colocamos isso em movimento. Nosso carnavalesco pensa nos quesitos e em quem está assistindo. O público pode esperar alegria, harmonia com a Portela e beleza, sempre respeitando a águia.

Confira como foram as outras apresentações na final:

Parceria de Luiz Carlos Máximo: O samba da parceria não conseguiu uma boa apresentação na final. Houve desde o início uma considerável dificuldade no canto por parte da torcida, que só entoava o refrão principal, mesmo assim sem grande empolgação. Gilsinho fez uma apresentação segura. Quatro personagens representaram Natal, Paulo da Portela, Clara Nunes e Tia Dodô. A quadra não foi contagiada em nenhum momento, reagindo com discrição à passagem do samba. Nas passadas apenas para a torcida, foi difícil identificar algum volume no canto da quadra. Uma apresentação sem força e brilho.

Parceria de Noca da Portela: Com uma quantidade de torcida imensa, a parceria vencedora em 2015 mostrou toda sua força na quadra. Um canto muito forte pode ser registrado desde o início da apresentação, principalmente, no trecho entre o verso "Avante Portelense" até a finalização do refrão. Além da torcida, alguns segmentos manifestaram seu apoio à apresentação, com destaque para a ala das baianas. Alguns membros da torcida Guerreiros da Águia se deixaram contagiar pelo samba. Com um ritmo tão forte desde o início, a apresentação sofreu uma queda antes da pausa para o canto da quadra. O trecho final da passagem da obra perdeu fôlego por um nítido cansaço da torcida, evidenciando que o samba poderia não possuir fôlego suficiente para o desfile.

Com o anúncio dado já com o dia claro o Portelão explodiu em uma só voz e cerca de uma hora depois os cantores e a bateria ainda entoavam o agora hino oficial da Portela. A Tabajara do Samba, como de costume, deixou a quadra e invadiu a Rua Clara Nunes, realizando um grande festejo, encerramento de ouro para mais uma noite histórica no sagrado solo portelense.

Quinta colocada no Grupo Especial em 2015, a Portela sonha com um título que não vem desde 1984. Para tentar a conquista, será a quarta a desfilar na segunda-feira de carnaval. O samba terá sua gravação para o CD na próxima terça, 13h, na Cidade do samba. A azul e branco tem seu ensaio técnico marcado para o dia 17 de janeiro de 2016.