Porto da Pedra ‘coroa’ e Bira é hexa no Tigre de São Gonçalo

Por Guilherme Ayupp, Fiel Matola, Winnie Delmar e Vinicius Vasconcelos. Fotos: Magaiver Fernandes

portodapedra_final_01092017dsc_0302-copyCoroando as divas do rádio a parceria dos compositores Bira, Oscar Bessa, Duda Sg, Márcio Rangel, Alexandre Villela, Guilherme Andrade, Adelyr, Bruno Soares e Rafael Raçudo se consagrou vencedora da disputa de samba da Unidos do Porto da Pedra na madrugada desta sexta para sábado na quadra da agremiação em São Gonçalo. O samba será o hino oficial da agremiação no Carnaval 2018 quando apresenta o enredo ‘Rainhas do Rádio – Nas ondas da emoção, o Tigre coroa as Divas da canção!’, de autoria do carnavalesco Jaime Cezário.

A parceria de Bira e companhia trouxe uma numerosa torcida para a final. Tanta gente que entrou na quadra ainda antes de iniciar a apresentação com uma bateria própria executando os primeiros versos da obra. Marquinhos Art’samba conduziu muito bem a apresentação. O samba se mostrou o mais adequado para representar a escola em 2018 com uma letra com diversas passagens poéticas. A melodia valente nos refrões e dolente nos demais trechos facilitaram o canto da torcida.

portodapedra_final_01092017dsc_0296-copyA parceria é multi-campeã no Tigre de São Gonçalo. Juntos os poetas somavam 17 conquistas na escola antes da final, todas nesta década. Bira chega ao hexacampeonato (2010, 2011, 2013, 2014, 2017 e 2018), Márcio Rangel é tetracampeão (2013, 2014, 2017 e 2018). Oscar Bessa (2012, 2017 e 2018), Duda Sg (2013, 2014 e 2018) e Alexandre Vilela (2014, 2017 e 2018) são tricampeões. Adelyr, Bruno Soares e Rafael Raçudo conquistaram a vitória pela segunda vez consecutiva.

– Essa é a nossa escola, nossa comunidade. Sempre será a paixão e o orgulho de São Gonçalo. Nós da parceria 13 somos irmãos. Uma construção maravilhosa, desde o primeiro encontro até hoje com a escolha do samba que vai nos representar na avenida. É a sexta vez que a parceria ganha, nada é conquistado sozinho. Graças a Deus a nossa parceria é composta por irmãos e amigos. Quero exaltar a união da ala de compositores, apesar de três parcerias terem perdido, todas irão comemorar juntos. O samba vai pegar no desfile principalmente o refrão principal – disse o compositor Bira.

O compositor Márcio Rangel exaltou o município de São Gonçalo e o amor pela Porto da Pedra.

portodapedra_final_01092017dsc_0279-copy– A gente nasceu aqui na escola. A gente faz com o maior prazer, carinho e amor. Deu certo ano passado e esse ano também. As rainhas que nós escutamos muito, significam e tem uma história bonita, o Jaime Cezário acertou em cheio. O refrão é tudo – garantiu.

Com animação e emocionado com mais uma vitória, Oscar Bessa contou a sensação de ganhar pela terceira vez na vermelha e branca de São Gonçalo:

– É inexplicável, uma obra pensada e trabalhada, o amor que a gente tem pela Porto da Pedra será cantado na Sapucaí. É uma emoção sem igual saber que nossa obra será a obra cantada por toda comunidade de São Gonçalo – citou com orgulho o compositor.

Presidente reclama da postura do prefeito Crivella

Apesar de estar feliz com o andamento do carnaval, o presidente Fábio Montebelo desabafou com exclusividade ao site CARNAVALESCO sua insatisfação com o atual prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella.

– A escola não tem dívidas com ninguém, graças a Deus. Está todo mundo pago. Temos pessoas que nos ajudam e agora é preciso seguir. Mas dependemos do prefeito do Rio. Agora que colocaram um evangélico no poder, ele está cuidando apenas dos interesses dele. Ele precisa entender que é prefeito da cidade e não da igreja. Eu sofro com prefeitos evangélicos em São Gonçalo faz tempo, depois que sentam na cadeira não pensam em comandar a cidade pro povo, querem apenas para a própria religião. Aí fica difícil – disparou.

Samba deve passar por pequenas alterações

portodapedra_final_01092017dsc_0241-copyEm entrevista ao CARNAVALESCO, o diretor de carnaval Junior Cabeça contou que a escola doará fantasias para 23 alas de comunidade.

– Serão 23 alas de comunidade, isso já é cultura do presidente para comunidade de São Gonçalo poder desfilar. Estamos muito felizes com a ala de compositores da Porto da Pedra. Vamos com uma grande obra para avenida. Nada foi decidido sozinho. Lógico que tem o aval do presidente e do carnavalesco. Todos os quatro que ganhassem iriam precisar de uma pequena alteração para entrar de vez no enredo – contou Junior Cabeça, diretor de carnaval.

Enredo de fácil comunicação com o público

Um enredo fácil e que se comunique com o público. É o que todo carnavalesco sonha e faz o possível para levar até a Sapucaí ano após ano. Nos últimos dois desfiles quem fez isso com facilidade foi o artista Jaime Cezário, que assinou 2016 e 2017 na Porto da Pedra. Primeiro contando a história do palhaço Carequinha e o mais recente sobre as marchinhas de carnaval. Apesar da ausência de título, Jaime tem consciência de que seus enredos tem se destacado. Tentando manter a mesma linha cultural para 2018 a vermelho e branco de São Gonçalo vai levar para a avenida as Rainhas do Rádio. Em conversa com nossa equipe, o carnavalesco contou como surgiu a ideia.

portodapedra_final_01092017dsc_0051-copy– Sempre fui apaixonado pela cultura brasileira num todo. Guardei por bastante tempo esse enredo porque era muito especial pra mim e queria fazê-lo numa escola de Grupo Especial. Mas como ano após ano a série A está dando oportunidade para enredos desse cunho, decidi que era a vez. Venho de uma sequência de enredos bons aqui na Porto da Pedra, enredos que se conversam. O presidente me perguntou se tinha algum e adorou quando falei sobre esse. Vou completar 25 anos de carnaval, acho que é um tema que eu mereço, a escola merece e o carnaval também. É o resgate de um momento lindo, de mulheres incríveis, que as novas gerações devem e precisam conhecê-las. É minha missão, como carnavalesco, ser uma espécie de professor e o desfile ser uma aula. Enredos populares fazem a massa entender, assim como foi na década de 70 e 80. Isso precisa ser resgatado novamente.

Bateria quer o ‘andamento perfeito’

portodapedra_final_01092017dsc_0066-copyMestre Pablo, comandante da bateria da Porto da Pedra, fez um balanço sobre o andamento da bateria em 2017 e o que espera para 2018.

– Achei que esse ano minha bateria iniciou com um andamento acelerado, nos primeiros 15 minutos, depois o andamento ficou perfeito! Essa perfeição que eu quero para 2018. Teremos a mesma quantidade de ritmistas do ano passado, estamos trabalhando para melhorar sempre, chegar no andamento perfeito – disse Mestre Pablo.

‘Casal de 2018 foi criado em casa’

Apostando em “pratas da casa”, a Porto da Pedra promoveu seu segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira para o principal, assim que Marlon Lamar e Lucinha Nobre foram contratados pela Portela. O site CARNAVALESCO conversou com os jovens Rodrigo França e Cynthia Santos sobre a emoção de assumir pela primeira vez o primeiro pavilhão de uma escola.

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portodapedra_final_01092017dsc_0157-copy– É uma responsabilidade muito grande e emocionante. Convivemos com Marlon e Lucinha e aprendemos muito. Agora é trabalhar a altura para conseguir os 40 pontos com sucesso – disse a porta-bandeira.

Juntos há bastante tempo, o casal falou sobre a sintonia que acompanha os dois desde que começaram a dançar juntos.

– São 9 anos juntos é a realização de um sonho que temos sonhado juntos. Estamos trabalhando com foco e determinação com o único objetivo de ajudar a escola. As vezes passa um filme na minha mente para que eu acorde, pois pareceu um sonho. Quando a gente chega e falam nosso nome como primeiro casal, me lembro bem de quando éramos segundo. Agora chegou a nossa vez.

Recém-empossada rainha de bateria, Dani Passista teve que apenas olhar de fora e não pode participar da final ativamente.

portodapedra_final_01092017dsc_0285-copy– Estou operada tem 15 dias apenas. Não podia deixar de estar presente em uma final tão bonita.

‘A volta da voz da Porto da Pedra’

O intérprete Luizinho Andanças trouxe um clima de nostalgia à quadra. De volta para a Porto da Pedra, escola onde viveu seus melhores momentos, entoou os clássicos sambas do Tigre de São Gonçalo. Luizinho cantou na escola entre 2005 e 2011. Para o show dos segmentos ele relembrou as obras de 2005, ano de sua estreia, além dos sambas de 2007, 1997, 1996 e o encerramento com a obra de 2017, que deu à escola o 5º lugar no desfile da Série A.

– A Porto da Pedra representa muito para mim. Ela é uma escola que me abraçou, que respeita o profissional, enfim, é muito bom voltar – ressaltou Luizinho Andanças com alegria.

Perguntado se por algum momento ele achou que ficaria de fora do carnaval, o intérprete disse que sabe aguardar:

– Estava na minha, esperando meu momento. Sou uma pessoa que sabe esperar. Eu esperei e agora estou muito feliz.

Como foi a final

portodapedra_final_01092017dsc_0287-copyA noite teve início com o show de pagode de pagode. Os sambistas agitaram o povo na quadra a partir das 23h50 para esquentar os tamborins para a grande decisão que se avizinhava. Antes da apresentação a escola criou uma espécie de podcast, simulando um programa de rádio, remetendo ao enredo. ‘Ouvintes’ ligavam e os sambas finalistas eram executados na quadra. A bateria Ritmo Feroz também criou um número especial acompanhando canções populares de diversos estilos. Entre uma e outra a sonoplastia lembrava o ruído de mudança de estação radiofônica no dial.

Análises das apresentações:

Parceria de Fernando Macaco – A parceria trouxe uma numerosa torcida para a final com direito a muitas bandeiras da escola e bolas em vermelho e branco. O intérprete do Salgueiro, Leonardo Bessa, comandou o palco da parceria. O refrão principal da composição atendia à linha proposta do enredo de ser bem leve. A torcida comandou o canto da boa apresentação. O samba apresentou interessantes nuances melódicas, com trechos mais dolentes e outros mais empolgantes. Isso valorizou a apresentação.

portodapedra_final_01092017dsc_0253-copyParceria de Ailson Picanço – Com uma torcida em número reduzido a parceria encontrou dificuldades no início da apresentação, já que o público e os segmentos não se manifestaram em apoio à obra. Wantuir e Evandro Mallandro comandaram o palco com segurança. A melodia tinha passagens que possibilitaram um rendimento aquém na quadra.

Parceria de Evaldo: Nego e David do Pandeiro defenderam o samba no palco, revivendo os grandes momentos de ambos nos anos 90. O samba com um refrão valente iniciou sua apresentação de maneira bem consistente. Com apresentação quase às 05h o samba cumpriu bem seu papel pois a quadra não estava vazia para o horário. A torcida participou com bolas e bandeiras.