Presidente da Alegria da Zona Sul reclama de tratamento dado à escola pela Prefeitura do Rio

Atingida por um incêndio que destruiu parte de seu barracão no dia 5 de fevereiro, exatamente um mês antes de abrir a noite de desfiles do Grupo de Acesso A, a Alegria da Zona Sul queixa-se de dois pesos e duas medidas no tratamento do Poder Público destinado à escola de Copacabana. O presidente da agremiação, Marcus Vinícius de Almeida, disse que Portela, União da Ilha e Grande Rio, também atingidas com incêndio na Cidade do Samba dois dias depois do da Alegria, foram tratadas de forma diferente pela Prefeitura do Rio.

De acordo com o dirigente, cerca de 20 dias antes do Carnaval ele conversou com o prefeito Eduardo Paes na Sapucaí, durante um ensaio técnico. Na ocasião, o político teria dito a um de seus assessores, também presente ao encontro, que a escola deveria receber R$ 150 mil da Prefeitura, para ajudar na reconstrução de parte do Carnaval. Ainda segundo Marcus Vinícius, a promessa do prefeito só se concretizou a dois dias do desfile da agremiação, mas que não chegou a colocar a mão no dinheiro.

– Eu consegui falar com o prefeito num ensaio na Marquês de Sapucaí e ele disse para um assessor que o dinheiro poderia ser liberado. Esperei alguns dias e ninguém da Prefeitura entrou em contato conosco. Depois liguei várias vezes e não fui atendido. A única pessoa a nos ajudar nessa história foi o deputado Chiquinho da Mangueira – disse Marcus Vinícius, que revelou só ter tido acesso ao dinheiro no dia 3 de março, dois dias antes do desfile da escola.

Apesar das reclamações, o dirigente não quis confirmar a forma de recebimento do dinheiro, mas a reportagem do Carnavalesco apurou que ele aconteceu através de carta crédito. Marcus Vinícius disse que a questão atravancou bastante o desenvolvimento do Carnaval da Alegria.

– Isso nos prejudicou muito. Precisava pagar os fornecedores e funcionários, mas simplesmente não tinha dinheiro. A Alegria não foi tratada da mesma forma que a escolas do Grupo Especial. Teve escola do Grupo Especial que perdeu a mesma coisa que nós perdemos e ganhou muito mais dinheiro. Sem dúvida, trataram a questão com dois pesos e duas medidas.

Indagado se esperava um posicionamento mais solidário da Lesga com relação ao assunto, Marcus Vinícius preferiu criticar o julgamento da entidade:

– Acho que a Lesga não tinha muita coisa a fazer nesse caso não. Só achei o resultado do Carnaval uma vergonha. Mesmo com todos os problemas estruturais e de harmonia que a minha escola mostrou, não merecíamos receber algumas notas. Gastei R$ 1,5 milhão no Carnaval. Tem escola gastando R$ 400 mil, fazendo desfiles vergonhosos e ficando no Grupo de Acesso A, mas é melhor eu parar por aqui, pode ser até perigoso pra mim.

Procurada para falar sobre o caso, a Prefeitura do Rio de Janeiro não se pronunciou. A Alegria da Zona Sul ficou em 11º lugar no Grupo de Acesso A, com 291,8 pontos.