Presidentes de alas cortadas da Grande Rio reclamam e escola rebate

 

 

Visando melhorar alguns pontos que fizeram com que a escola perdesse décimos no último carnaval, a Acadêmicos do Grande Rio resolveu cortar 50% de suas alas comerciais. Das oito que desfilaram em 2012, quatro – Tuiuiu, Paulo 10, Chega Mais e Raízes – não fazem mais parte da agremiação. A argumentação divulgada pela escola para o corte, porém, foi rebatida por alguns dos responsáveis pelas alas, que reclamam de descaso da Tricolor de Caxias. O site CARNAVALESCO foi procurado por Joaquim Horácio, da ala Tuiuiu, que externou todo o seu descontentamento.


– A minha ala estava na escola desde 1990 e sempre fizemos um trabalho muito respeitado pelo Helinho de Oliveira (ex-presidente) e pelo Jayder Soares (patrono da escola). Somos a única ala que sempre esteve presente na apuração. Quem leva aquele bandeirão da Grande Rio sou eu. É muita dedicação para ser dispensado por um telefonema do Sr. Milton Perácio. Simplesmente ligaram para a minha esposa e informaram que a ala não fazia mais parte dos planos da escola. Estão pegando as alas comerciais e transformando no grande problema da escola. Se o componente não canta, a culpa não é do presidente de ala. O nosso trabalho é importante, promovemos um intercâmbio entre as pessoas que não são de Caxias e querem desfilar na Grande Rio.


Ele lembra que, em 2011, ano em que um incêndio devastou tudo o que a Grande Rio havia construído em seu barracão, os presidentes de alas comerciais foram convocados para ajudar.


– Mastigaram o chiclete, quando o doce acabou, nos jogaram fora. Essa é a sensação. Quando a escola precisou, fomos para o barracão e nos colocamos à disposição. Agora a resposta é essa. Nem para a posse do novo presidente nos chamaram. As alas que tem amizade lá dentro, não foram cortadas. Não penso nem em permanecer na escola, não vou mendigar isso. Tenho pessoas que me acompanham há 22 anos e estão desesperadas com isso. Já até chorei, parece que perdi um membro da minha família – afirma Joaquim Horácio.


Já Carlos Roberto Alves, da ala Raízes, prefere não se estender nas reclamações, mas garante que sequer foi informado do desligamento de sua ala pela escola.


– Fiquei sabendo por outras pessoas, não pela escola. É um direito que eles tem. Não vou reclamar não, mas só acho engraçado que quando eles precisam nos ligam, como no episódio do incêndio – disse ele, preferindo não se alongar no assunto.


Responsável por comunicar aos responsáveis pelas alas, Milton Perácio foi procurado durante toda a tarde desta quarta-feira pelo site CARNAVALESCO, mas seu telefone celular estava desligado. A responsável pela ala Chega Mais, Cátia Costa, não escondeu a sua revolta.


– Tenho 16 anos de escola e quero saber onde está o respeito? Na hora que precisaram de nós, eles não fizeram isso. Não foi artista nenhum que estendeu a mão para ajudar a Grande Rio no incêndio não. Foi o povo de Caxias. Eu mesma me comprometi a pagar o salário das costureiras na hora do aperto. É um total desrespeito. As pessoas que desfilam na ala já estão me ligando e reclamando. Mandei até um comunicado para os meus desfilantes. Dizem que as alas comerciais não cantam. É uma grande mentira. Infelizmente a Grande Rio não tem uma grande harmonia. No dia do desfile aparecem vários diretores que não tem nada haver com a escola – disse ela, que acusou o diretor de carnaval e harmonia, Tavinho Novello, de cortar integrantes das alas de comunidade faltando uma semana para o desfile.


– Quem não cantou foram as próprias alas de comunidade. O Tavinho cortou muitas pessoas que estavam ensaiando com a desculpa que não tinha mais fantasia para dar. Isso desanimou as pessoas que continuaram e o resultado foi uma escola desanimada no desfile.


Tavinho Novello rebateu as acusações de Cátia Costa e afirmou que o corte das alas comerciais é uma tendência dentro da Grande Rio.


– Nós queremos ganhar o carnaval. Nas minhas justificativas, o julgadores falam de nove alas que não cantaram e oito delas são comerciais. Cortamos aquelas que entendemos ser as que menos apresentaram resultado. Nós já havíamos falado que isso poderia acontecer. Acho que ela (Cátia) não tem competência para falar do trabalho feito. Primeiro porque nem na quadra ia. Segundo que não conhece o trabalho que implementamos. Antigamente, na Grande Rio, se o componente faltasse uma vez já era cortado. Este ano ele tinha o direito de faltar três vezes mediante apresentação de comprovação. A Grande Rio nunca havia colocado tanta gente da comunidade para desfilar. Vocês mesmo estiveram em nossa quadra e viram que estava entupida de gente ensaiando. Ninguém que ensaiou ficou sem desfilar. Essas acusações são mentirosas. É lamentável saber disso.


Tavinho garantiu ainda que todas os representantes que tiveram suas alas cortadas, foram convidados para desfilar na diretoria da escola. A informação foi confirmada por Paulo César Cavalcanti, responsável pela ala Paulo 10. Ele se mostrou até favorável à decisão da escola.


– É algo natural. As escolas estão se tornando empresas e com a Grande Rio não será diferente. Quero o melhor para a escola e não tenho nada para reclamar. Tudo o que consegui na minha vida foi graças à Grande Rio. Tenho o meu emprego, mas os bens que consegui foram com a ajuda do trabalho na escola. Vou continuar desfilando, só que agora na Velha Guarda – disse ele, sem nenhuma mágoa.