Problemas graves em Alegorias, Fantasias e Evolução comprometem desfile da Rocinha

 

 

 

A escolha do enredo da Rocinha para 2014 parece ter comprometido o carnaval da escola. A agremiação passou pela Sapucaí impressionando pela falta de acabamento de alegorias e fantasias acompanhadas de evolução e harmonia muito fracas. O único ponto que realmente representou um destaque positivo foi a Comissão de Frente, que esbanjou alegria e descontração com uma perormance bastante aplaudida em toda a sua passagem pelo Sambódromo. A terceira escola a desfilar na sexta-feira trazendo o enredo "Do paraíso sonhado, um sonho realizado – Sorria, a Rocinha chegou à Barra" encerrou o desfile com 54 minutos.

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O desfile dificultou a leitura do enredo. Algumas fantasias impressionavam pela falta de informação que passavam, como as das alas "Dias de festa, um presente para lembrar" e "Chegou a hora da fome", que simbolizavam, respectivamente, presentes e lanchonetes, elementos que estão longe de serem particularidades da Barra da Tijuca, tema principal do enredo desenvolvido por Luiz Carlos Bruno. Além disso, todas as alegorias, muito mal acabadas, impossibilitaram a leitura de seus significados.

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Comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira

A comissão de frente, que representava a diversidade cultural presente nas praias da Barra, foi ponto alto do desfile da Rocinha. Com a já tradicional irreverência, os dançarinos fizeram uma coreografia muito divertida diante dos jurados, com destaque para o momento em que eles simulavam o "povão" a caminho da praia dentro de um ônibus, enquanto os ricos se dirigiam ao mesmo lugar no conforto de um carro particular. Ao encerrar a apresentação, as barracas que os integrantes usaram durante a coreografia formavam um grande sorriso e eram usados como cenário para o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira que vinham a seguir. Douglas Valle e Dandara Ventapane executaram uma sincronizada coreografia, com passos muito rápidos feitos pelo mestre-sala e uma sintonia quase perfeita, com exceção para um momento da apresentação diante da primeira cabine, quando o casal errou uma tentativa de toque de mãos.

Harmonia e Samba-Enredo

Leléu bem que tentou empolgar os componentes com um canto forte do samba-enredo da Rocinha. No entanto, as alas não passaram demonstrando muita empolgação. No geral, os componentes só cantavam com certa segurança os dois refrãos da obra e a Harmonia deixou muito a desejar. Destaque negativo para as alas "Borboleta da Praia", "Andorinhas", "De Sacola Cheia" e "Chegou a Hora da Fome", além da maioria dos componentes de todas as alegorias, que passaram sem cantar nada. Pontos positivos no canto foram as alas "Sumiu o Tamanduá" e "O Roqueiro do Samba".

Evolução e Conjunto

O ritmo da passagem da escola foi tranquilo. A escola se deu ao luxo de cantar dois sambas de esquenta e só entrar de vez na avenida com 4 minutos marcados no relógio. No fim, sem correria, a escola terminou faltando mais de um minuto para completar os 55 máximos permitidos. No entanto, problemas durante a passagem da escola comprometeram a Evolução. As alas "Dando um Laço no Compasso" (passistas), "Dias de Festa, Um Presente Para Lembrar" e "Chegou a Hora da Fome" passaram em locais diferentes dos indicados no roteiro do desfile da Rocinha e, além disso, um enorme buraco se formou próximo à quarta cabine de jurados quando a bateria entrou no recuo. Continuando os problemas, a ala "O Mundo na Barra" tinha um componente com câmera na mão filmando o desfile sem ser alertado por ninguém e a ala "Divulgando o Paraíso" trazia integrantes sem chapeu.

Fantasias

Muitas fantasias deixaram a desejar na beleza e no acabamento no desfile da Acadêmicos da Rocinha. As alas "Um Joguinho de Tênis", "Divulgando o Paraíso", "De Sacola Cheia" e "Chegou a Hora da Fome" impressioavam pela falta de qualidade. O quesito foi um dos pontos mais fracos da escola. A leitura do enredo foi prejudicada pelo já citado problema de simbolizar elementos que não são particularidades da Barra, como lachonetes (ala "Chegou a Hora da Fome"), cinemas (ala "Cinema, Uma Diversão a Mais") e lojas (ala "De Sacola Cheia"). O contraste desses problemas apareceu em alas simples, mas de fantasias que tinham um significado ligado com a Barra da Tijuca, como as alas "Andorinhas" e "Sumiu o Tamanduá".

Alegorias

Outro ponto negativo da Rocinha na sua passagem pela Sapucaí. Todoa as Alegorias apresentavam um péssimo acabamento e falta de informação. A segunda alegoria, "Vem Morar No Paraíso", passava pouca informação para uma alegoria, com impressionante ausência de detalhes. Além disso, o carro "Uma Mania Americana de Puro Consumismo" estava com diversos elementos em falta e integrantes sem fantasia e a alegoria "Um Estádio para Vibrar" tinha clara falta de acabamento. A leitura de todos os carros ficou muito prejudicada.

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