Quarta alegoria do Império da Tijuca leva para o Sambódromo o ritual de Olubajé

Por Marina Magalhães

quartocarro2Pipocas, cestos, peneiras. Realizado das casas de Candomblé, o ritual de Olubajé, uma adoração ao Olubaiê, o orixá que traz a cura, foi fielmente representado no desfile da Série A, nesta sexta-feira. O quarto e último carro alegórico do Império da Tijuca, “Olubajé – Um Banquete Para o Rei”, reuniu o verde da escola, simbolizando a esperança e a crença na cura de doenças e pestes, e o tom amarelado das palhas que compuseram a alegoria, construindo o cenário da festa de adoração.

Com o objetivo de levar para a Marquês de Sapucaí a festa de Olubajé, que exalta o Orixá Olubaiê, considerado o Rei que afasta todas os males e doenças, a quarta alegoria da escola tijucana foi formada pela velha-guarda, que representou a sabedoria do orixá, e pelas mães de santo de Omolu, nome pelo qual o Olubaiê é conhecido quando adulto, fundamentais na realização do ritual.

Sonair do Valle desfilou pela Império da Tijuca pela primeira vez, apesar de já participar do carnaval do Rio de Janeiro há mais de 40 anos. Completando o time das mães de santo de Omolu, a estreante acredita que o quarto carro é uma das cartas na manga da escola para concorrer ao título deste ano.

– Foi um carnaval muito bonito, cheio de axé. Estamos acreditando que a Império venha em primeiro lugar – torceu ela, que defendeu a importância de explicar ao público o papel de Omolu no Candomblé.

– Ele é o Deus das pestes, das doenças. Ele traz a cura, a prosperidade – explicou.

Além de valorizar o ritual, Sonair também apontou o desfile do quarto carro alegórico do Império da Tijuca como um pedido de paz para a Cidade Maravilhosa.

– Por meio da cura que Omolu traz, entramos na Avenida não somente apresentando o ritual, mas usando dele para clamar pelo fim da violência, e pedir que todos os males que rondam a nossa cidade se afastem – finalizou, esperançosa.

quartocarroOutro destaque da alegoria foi a representação da Mãe de Santo Dinda pelo ator Nando Cunha, que interpreta a personagem na série “Os Suburbanos”, no canal Multishow, e a presença das crianças do Morro da Formiga, da Tijuca, na alto do carro. Representando os filhos de santo de Omolu, elas vestiram o verde e branco da escola.

Alice Pietra, de 14 anos, completou o quinto ano de desfile no Império da Tijuca interpretando um dos filhos de santo de Omolu. Para ela, levar o tema para a Sapucaí é uma maneira de protesto contra o preconceito que as religiões africanas sofrem.

– Eu fui batizada na Umbanda. É uma alegria poder contar um pouco da minha crença no sambódromo – disse, orgulhosa.