Recordista de títulos na Sapucaí, ao lado de Rosa Magalhães, Louzada diz que já tem enredo para 2018 e que acabou o complexo de vira-lata da Mocidade

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O reconhecimento da vitória da Mocidade trouxe mais uma estrela para a comunidade de Padre Miguel e colocou o carnavalesco Alexandre Louzada no ranking dos maiores vencedores do carnaval carioca. Até o momento, o artista que acumula mais títulos é Joãosinho Trinta, que ao longo da carreira foi campeão oito vezes. Em seguida vem Rosa Magalhães com sete premiações. Agora, Louzada está a um troféu da ‘professora’, com seu sexto campeonato. Levando em conta os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Louzada e Rosa são os maiores vencedores com seis conquistas.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Louzada fala sobre o título que chegou de surpresa, a polêmica da atitude do jurado de ter utilizado o livro abre-alas antigo, além de pontuar as mudanças que gostaria de ver no carnaval. O artista fala sobre o relacionamento com a diretoria da Mocidade e adianta que já tem enredo para 2018. Confira a entrevista na íntegra.

Site CARNAVALESCO: Depois dessa polêmica toda, o que representa para você esse título?

louzada_mocidadeAlexandre Louzada: “É um sonho que consigo realizar pra uma comunidade. É diferente de ganhar com a festa, durante a festa, mas não deixa de ter valor para essas pessoas que tanto sonhavam com isso. Pra mim, pessoalmente, pode somar no meu currículo, pode valorizar meu passe pra alguém no futuro, porque é o meu sexto título, da Mocidade também, mas não é um legado que não me pertence. Não é algo material, palpável que possa deixar de herança pra alguém, não é uma coisa que vai ficar na minha casa, se eu ganhasse um troféu, vai ficar ali como memória. Mas é um legado muito grande pra comunidade, amanhã isso já vai ser passado, um passado de glória. Esse campeonato é mais importante como uma estrela a mais no peito de um independente do que pra mim. Eu fiz o que sei fazer, o que gosto de fazer, mas é um legado muito importante para a instituição Mocidade Independente de Padre Miguel. Acho que foi uma conjunção astral. Tenho um guia espiritual que é aqui do barracão, que afirmava o tempo todo que eu ia melhorar do meu problema na perna e eu melhorei, que esse era meu ano e foi. De uma forma ou de outra, foi”.

Site CARNAVALESCO: O que você achou da atitude da Mocidade de ter entrado com recurso na Liesa?

Alexandre Louzada: “Tenho um respeito enorme por todas as coirmãs, principalmente pela Portela que foi uma escola que passei, onde nasci pro carnaval. Acho que as pessoas tinham que parar pra pensar que a gente não quer mexer no campeonato, mas numa justiça tão desacreditada nesse país, um país tão injusto que a gente está vivendo, acho que a Mocidade deu um passo pra ajudar causas futuras no próprio carnaval. Muitas coisas aconteceram parecidas no passado que não foram adiante, mas aí teve uma escola pentelha que foi lá cobrar seus direitos (risos). Se o julgador errou, não basta ser retirado no ano que vem porque ele prejudicou o trabalho de um ano inteiro. Tirou ponto não porque não gostou e sim de uma coisa que ele não viu e que não era para estar ali. E foi tudo feito em tempo hábil, por isso houve brecha para essa petição a nível administrativo na Liesa, e não levar para a Justiça de forma de processo, tanto que se abriu mão do próprio prêmio em dinheiro. Vamos construir um troféu pra gente (risos)”.

Site CARNAVALESCO: Com o campeonato deste ano você chega ao seu sexto título, empatando com a Rosa Magalhães em conquistas na Sapucaí e se aproximando dela e do João 30 no geral. Como encara isso?

mocidade_campea2017-63Alexandre Louzada: “Fico muito satisfeito de estar com um pé atrás dela. O carnavalesco que mais venceu foi Joãozinho Trinta, com oito títulos e ele nos deixou já faz alguns anos e faleceu já com uma certa idade, então veja quanto tempo tem o carnaval e apenas oito títulos. Se formos pensar há quanto tempo existem os desfiles e oito foi o máximo, estou bem perto. Fico feliz de fazer parte da história no carnaval e isso é motivo de orgulho muito grande. Mas se eu for ficar pensando nisso não sou surpreendido e acho que o grande lance é esse. Recebi mais parabéns ainda como vice-campeão do que com qualquer outro campeonato que já tive. Foi o primeiro ano que houve o reconhecimento do meu trabalho. Quando você consegue imprimir a sua marca, o seu trabalho numa escola de samba já tão acostumada com um certo estilo que marcou a história dela e você conseguir dar um toque e ao mesmo tempo ter identidade com ela é muito bom”.

Site CARNAVALESCO: Você acreditava que esse era um desfile para ser campeão?

Alexandre Louzada: “Sempre soube que poderia ser campeão com a Mocidade, mas o trabalho da gente não foi pensando no meu mérito, no mérito da administração da escola, era o resgate mesmo da instituição. Ele estavam desacreditados deles mesmos. Então essa retomada será muito importante para o futuro da escola, para mim como carnavalesco, para quem me substituir um dia saber que a Mocidade está viva, está na briga. Agora é uma escola para ser batida ainda. Aquele complexo de vira-lata, de coitadinha, não tem mais, a Mocidade mostrou que voltou a ser grande”.

Site CARNAVALESCO: O desfile surpreendeu positivamente e logo após a passagem da escola pela Avenida muitos apontaram a agremiação como uma das favoritas para o título. Você teve essa mesma percepção ao final do desfile?

mocidade_campea2017-8Alexandre Louzada: “A satisfação era de que eu ia brigar. Minha pretensão era mais modéstia, apesar de eu acreditar no carnaval. Mas é aquela coisa de você ir comendo o mingau pelas beiradas. Fiquei muito orgulhoso das pessoas terem gostado, da Mocidade ter desfilado como desfilou… Porque não adianta nada ela passar toda bonita, com Alladin se fizesse um péssimo desfile. Isso aconteceu bem antes do carnaval com a escola se apaixonando por ela mesma, pelo samba. Quando saí da Avenida, saí com a certeza de que fiz um bom trabalho. Algumas pessoas expoentes de carnaval, que podemos tomar como conhecedores e formadores de opinião, me deram parabéns, parabéns que muitas vezes não recebi, mesmo sendo campeão. Acho que foi um somatório de coisas boas”.

Site CARNAVALESCO: Você disse que Deus teve participação especial nesse carnaval. Por que?

Alexandre Louzada: “Eu aqui era o único que sabia até onde eu podia chegar. Houve os mesmos pedidos de ‘vamos baratear isso aqui, vamos suprir isso aqui’ porque estávamos fazendo carnaval com o que tínhamos. Não foi com facilidade, mas tínhamos um planejamento muito acirrado. A proposta no início foi investir no carnaval possível, pode ver nas minhas primeiras entrevistas que falei que faríamos o carnaval possível, mas tínhamos muitos talentos aqui, artistas trabalhando que sabíamos que estávamos fazendo um falso brilhante. O carro emblemático da Mocidade, que foi o último, que levava o símbolo da escola, foi feito bem próximo ao carnaval. Colocávamos uma coisa, aí tirávamos, eu estava indeciso, estava clean demais e eu não sou o Renato (risos) e acabei indo na simplicidade e o carro ficou com a cara da escola. Os torcedores gostaram. Foi um carnaval limpo, uma opção pensada, cada coisa no seu lugar, não dava pra fazer demais num e prejudicar os outros. Acho que esse carnaval também teve uma participação de Deus porque muita coisa era feita de isopor, recortado, essas filigranas, a gente não teve dinheiro pra comprar MDF e fazer todos esses recortes em madeira. A gente torcia também pra que ninguém esbarrasse, ninguém quebrasse nada. E os carros chegaram totalmente intactos na Avenida, por isso digo que esse carnaval teve a participação de Deus também”.

Site CARNAVALESCO: Você estava há seis anos sem vencer. Havia cobrança por parte da escola e dos torcedores?

mocidade_campea2017-13Alexandre Louzada: “Recebi proposta para deixar a Mocidade, tive proposta pra não vir pra Mocidade, quando vim pra cá… Mas eu vinha de um carnaval que era o Rock in Rio que eu devia isso a mim mesmo, de voltar para a Mocidade e fazer um carnaval melhor. Não foi possível com Dom Quixote, mas fui persistente. Recusei propostas boas financeiras, porque eu tinha que sair daqui com um resultado legal, não pensava em campeonato. Ser carnavalesco da Mocidade você tem toda uma torcida que te empurra, te apoia, mas que também te critica. Acho isso fabuloso, eles são apaixonados. Por isso então decidi ser mineiro, ficar quieto, não prometer porque no ano anterior prometemos e não pudemos cumprir, mas esse era um carnaval para surpreender. Não esperava tanto. Eram coisas simples, depois que os truques foram revelados é que a coisa aconteceu. Esse título veio de surpresa, quando nem esperava mais, já estou trabalhando para 2018”.

Site CARNAVALESCO: Quando saiu o enredo e a logo os torcedores questionaram muito. O que você sentiu? Agora, o que ele pode falar para quem questionou?

– Isso é igual a relação de mãe e filho. O filho xinga a mãe, mas ela respira fundo, fica magoada, mas no dia seguinte ela acorda e já ama o filho de novo. A gente tem que agir assim. Você não pode se sentir o centro das atenções e o dono da verdade, tem sempre que olhar para o lado e ficar atento ao olhar das pessoas, de quem chegou agora. Por exemplo quem entrava no barracão e falava que estava bonito, dependendo de quem fosse acreditava ou não (risos). Mas é por aí mesmo, tem que saber ouvir, respeitar, você pode até ficar triste, chateado, mas tem que engolir. E tinha erro mesmo na logo. Foi o meu assistente que criou, mas assumo porque sou o chefe da tribo. Muitas coisas não fui eu que criei, mas assumo que gostei. Mas tudo foi contribuição, hoje a Mocidade agiria diferente, para criar uma logo é preferível lançar um concurso porque os internautas estão cada vez mais sofisticados, tem até uma Rosa fake (risos).

Site CARNAVALESCO: Apesar das críticas ao enredo e a logo, a escola apresentou uma boa safra de sambas, sendo a composição campeã apontada pela crítica como uma das melhores obras do ano. Você acha que o samba ajudou a alavancar o desfile?

mocidade_desfile_2017_100Alexandre Louzada: “Teve gente que criticou antes e depois elogiou. Conseguimos transformar um enredo que era ruim numa coisa boa. O samba ajudou? Claro que o samba ajudou. Mas era o que falava nas minha entrevistas iniciais o samba vai esclarecer muita coisa. Alguns diziam que o samba não tinha nada a ver com a sinopse, mas é claro que tinha, é questão de percepção. Meu estilo de fazer sinopse é inspirar o compositor e não esclarecer para o grande púbico o que vou fazer. Tudo está nas entrelinhas, gosto de sutileza, de fazer pensar, uma coisa complementa a outra. Um samba maravilhoso também foi esclarecido pelas alegorias, tudo passava ali. E também foi dada a liberdade a cada compositor de interpretar ou fazer essa viagem do jeito que bem entendesse, lógico, respeitando que a gente sairia da Vila Vintém. Na verdade, o deserto, a comparação do Saara de lá com o Saara de cá, era por ser a Zona Oeste um lugar quente também, mas o deserto de campeonatos que a Mocidade estava atravessando. Era imaginar que a estrela nos levasse para esse reino encantado para realizarmos nossos sonhos”.

Site CARNAVALESCO: Muita gente aponta a comissão de frente com o Alladin voando quase como o mesmo efeito do Segredo da Unidos da Tijuca (carnaval 2010). Foi um diferencial?

mocidade_desfile_2017_002Alexandre Louzada: “Tive meus bons momentos de comissão de frente quando fui carnavalesco da Mangueira. Não sou bem o cara que trabalha com isso, mas tenho duas pessoas competentíssimas que são o Jorge (Teixeira) e o Saulo (Finelon). A ideia foi um conjunto de sugestões. No início o projeto era algo muito mais tecnológico e caro, mais ambicioso e que não tivemos autorização por medida de segurança e também por ser caro. O tapete já existia na minha cabeça e na cabeça deles, porque todo mundo ia cobrar da gente o Alladin. No final, optamos por esse recorte plotado e o que seria um equipamento mais caro, se tornou um aeromodelo. Deu certo. Ia ter mais Alladin voando, mas isso onerava. Os mais próximos sabiam da comissão, mas a maioria que estava aqui não tinha ideia do que ia acontecer na hora. Chegamos a pensar em ele sair voando igual um balão, mas ia cair em algum lugar e poderia dar algum problema. Esse Alladin pesava 300 gramas, não machucaria ninguém. Arrumamos um menino quase do tamanho do Alladin (risos). Ele foi primordial, não só o desempenho da comissão de frente como um todo. A Mocidade trouxe sua magia. Acho que o sucesso não foi o equipamento em si, mas a magia. O povo gosta disso, de ver essa magia e se encantar com uma coisa que te surpreende, que parece simples. E era (risos). Foi bem feito, bem executado. Acho que o mérito não é ele ter voado e sim ter voltado, aí é que está o mérito desses dois gênios”.

Site CARNAVALESCO: Você passou pela Mocidade em um momento complicado. Esse retorno você encontrou uma escola diferente na gestão. O que mais te causou impacto dentro da escola nessa volta?

mocidade_desfile_2017_034Alexandre Louzada: “Essa gestão tem planejamento. Cada vez que saía algo fora do planejado eu era chamado atenção ali. Por fim, tive que reduzir em 20% de plumas em todas as fantasias bancadas pela Mocidade, porque outras coisas tinham onerado o carnaval. Precisava estar preparado para isso. A gente não tinha de onde tirar pra poder continuar com 20% a mais de pluma, mas aí entra o talento da equipe. O carnavalesco sempre faz uma coisa a mais porque sabe que vai ser enxugado. Você dá o orçamento de uma coisa já sabendo que vai receber uma contra-proposta, você já sabe até onde pode chegar. Tudo aqui é discutido de forma bem democrática. Nunca fui obrigado a fazer uma coisa consciente de que ia dar errado. O mérito dessa administração é o planejamento. Eu tinha uma pessoa, a Alessandra Reis, que controlava toda a parte de fantasia, além do Diney, Luciano e Leandro, que cuidavam das alegorias. A Aline fazia toda a decupagem de material para fazer orçamento… tudo o que a Mocidade fez, ela sabia exatamente o que iria gastar e já estabelecia se podia ou não fazer. E aqui é assim mesmo, por exemplo, ainda nem começou o carnaval mas o Rodrigo (Pacheco) me ligou pra dizer que precisa cortar um certo custo para poder apostar em tecnologia. O enredo que está sendo proposto para 2018 tem possibilidade de investir em tecnologia, de conseguir um patrocínio, mas a gente tem que contar com o não ter. O carnaval tem que caber dentro do orçamento do não tem. E isso aqui é o que mais ouço (risos). Todo o carnaval 2018 está concebido na minha cabeça, a pesquisa já foi feita, assim como a setorização da escola e a explicação de cada fantasia. Basta eu deixar de ser preguiçoso e escrever a sinopse (risos). Mas isso é questão de inspiração, às vezes sai em um dia, pode levar um mês corrigindo, mas tem que vir a inspiração. Pode ser na próxima viagem agora na Semana Santa, quem sabe?

Site CARNAVALESCO: O que você pensa sobre o livro abre-alas? Acha que as erratas e correções podem atrapalhar o entendimento do enredo por parte dos jurados?

Alexandre Louzada: “Olha, esse será meu 34º carnaval e a gente sempre mandou e ficou claro que errata é um anexo que você coloca ali e o jurado pode ou não perceber que é um encarte que está ali. É por obrigação, se você quer ser justo, prestar atenção em todos os detalhes. Não acredito que tenha havido uma ordem ou uma liberdade dada pela Liesa para o jurado utilizar a forma que ele achasse melhor, o antigo ou o novo. A gente acaba encontrando com os jurados por aí, em festas e eventos, e eles explicam que às vezes fazem seus rascunhos em casa e levam no dia tudo anotado e depois vão olhar no Abre-alas pra ver se está batendo com tudo que fizeram. Também já fui jurado e sei como é”.

Site CARNAVALESCO: Você acha que o jurado teve uma postura errada ao levar em consideração o abre-alas antigo?

mocidade_desfile_2017_056Alexandre Louzada: “Ele errou, só isso. Se ele assumisse, ‘poxa, errei. Não deveria ter me baseado pelo antigo’, mas primeiro ele acusou a Liesa, dizendo que ela teria autorizado ele a usar o antigo. A Liesa, por ser um órgão muito sério e sendo ela que analisou os currículos dos jurados, o presidente Jorge Castanheira tinha mesmo que defender seu plantel de jurados. Isso é completamente compreensível, mas a gente tem o direito de pleitear porque houve uma falha. Independente desse que foi o pivô de tudo, outro julgador que julgou enredo também, mas a nota foi descartada, analisou a cor da ala 2 e da ala 3 e disse que a transição era muito sutil, quase imperceptível, mas ele não tem que julgar cor, tem que julgar se a fantasia do vendedor de tapete tava passando essa ideia e não a cor, a cor quem escolhe sou eu. Se ele estivesse julgando fantasia ele poderia dizer ‘não gostei da combinação de cores’, isso é um direito dele, mas ele era um julgador de enredo o que que a cor tem a ver com isso? O julgamento precisa ser revisto para o bem de todas as escolas. Acho que isso abriu um precedente para que todos os julgadores tenham mais cautela, mais carinho, porque é o trabalho de um artista, o trabalho de uma comunidade inteira, o sonho de uma comunidade inteira que está sendo julgado”.

Site CARNAVALESCO: Você acredita que o ocorrido com a Mocidade irá contribuir para mudanças em relação ao julgamento, livro Abre-alas e postura dos próprios jurados já para o carnaval do ano que vem?

mocidade_desfile_2017_068Alexandre Louzada: “Espero que ninguém precise usar o recurso utilizado pela Mocidade (risos). Nem eu mesmo. Acho que precisa mudar muita coisa. Não acho que o critério estabelecido pela Liga para o julgamento seja errado, acho que os julgadores é que tem que ter esse entendimento de traçar um parâmetro pra si e não justificar coisas aleatórias como a julgadora que prejudicou uma outra escola dizendo que uma determinada fantasia não estava adequada, sendo que ela estava julgando evolução. Pelo amor de Deus! Essas coisas têm que mudar. O Boni, que agora faz parte da comissão de Turismo da cidade, está falando em implementar algumas modificações no Sambódromo. O espetáculo é muito bonito, consertar a luz, o som, vai nos ajudar. Mas ninguém vai nos ajudar mais enquanto não se corrigir a concentração, a gente precisa de camarim. Pra ter um grande show o artista não pode se vestir em cena. A gente tem que subir mecanismos mirabolantes em pouquíssimo tempo porque tem outra escola para entrar. Ou faz como São Paulo, coloca alegorias de um lado e componentes do outro. Já ouvi de diretores de carnaval quando sugeri isso que os componentes de São Paulo não bebem e que carioca bebe, mas disse ‘não’, existe diretor de carnaval competente e o incompetente que não tem gestão sobre seus componentes. Faço esse apelo ao Boni, que ele olhe pela concentração”.

Site CARNAVALESCO: Você disse que já tem proposta de enredo para 2018?

Alexandre Louzada: “Sim. Já tenho enredo pronto. É autoral. Estou trabalhando nele desde outubro. Na verdade esse enredo surgiu para ser feito em São Paulo. A ideia veio quando estava trabalhando lá. Ele foi apresentado no ano passado para o Rogério (Andrade, patrono), ele gostou muito, mas era uma coisa que ainda não estava pronta. E, acho que fiz bem, porque quando o professor André apresentou a ideia do Marrocos, ele mesmo não estava tão confiante. Acho que ele apresentou por apresentar (risos). Mas eu disse é esse. Acho que foi intuição, sei lá, na hora vislumbrei que aquilo ali era minha cara que faria um grande carnaval. Sabia que ia ser massacrado pela crítica por ser um enredo CEP, mas e daí? Aprendi tudo que aprendi observando o Viriato. Carnaval é uma coisa muito simples e tem muita gente que quer complicar. Essa simplicidade de um tema objetivo, que as pessoas se identifiquem é muito bom. Não sou um construtor de parquinho. Sei fazer carnaval, gosto de fazer carnaval e esse enredo da Mocidade tinha isso, tinha pluma, tinha bordado, brilho, mágica e o carnaval sente falta disso. A vida já é muito dura pra gente falar de dificuldades, tristeza. Além disso, o carnaval é um meio de você levar cultura para as pessoas, enquanto puder manter essa linha cultural vou manter”.

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