Reflexões na UERJ e Grupo C 2011 – Parte 2

Como noticiado em excelente matéria do Rodrigo aqui neste site aconteceu o encontro no Centro de Referência do Carnaval onde se discutiu a situação das pequenas escolas de samba. Na ocasião contei com a companhia dos amigos Chico Frota e Luiz Fernando Reis, duas autoridades no assunto e que levantaram junto de um público refinadíssimo questões pungentes. Questões essas que me fizeram refletir e rever conceitos mais uma vez.

O primeiro deles é a forma de atenção que o poder público deve dar as escolas. Refiro-me necessariamente a natureza dessa atenção. Mais do que simplesmente verbas e salvar escolas da extinção o estado deve estar presente fiscalizando a aplicação de recursos em todos, repito, todos os grupos!

O papel do estado no sentindo de salvar agremiações da extinção pode começar atuando em áreas onde atualmente inexiste como a promoção dos desfiles. Em qual roteiro distribuído aos turistas ou mesmo a população carioca havia uma programação detalhada dos desfiles na Intendente e até mesmo na Avenida Rio Branco ou em Bonsucesso? Em um momento que quadras de grandes escolas sofrem adaptações que as tornaram verdadeiros espaços de luxo frente aos campos de várzea e espaços emprestados que as pequenas escolas hoje ocupam cabia dar maior atenção as mesmas como importantes pólos culturais. O próprio Luiz Fernando citou no encontro realizado na UERJ a importância que tem um sistema de sonorização simples para essas pequenas escolas. O sacrifício e as dificuldades de se colocar
um carnaval nessas pequenas escolas na rua é mais do que conhecido, faltam mobilizações dos sambistas por essa salvação mesmo.

Eu que na semana passada já havia confessado a vocês leitores minha angústia com um desfile que começa às 19 horas para terminar às 10 horas da manhã do dia seguinte. Fui convencido pelo Chico Frota na ocasião do quão sacrificante pode ser tal maratona para as escolas. Não é fácil de fato manter 1000 desfilantes a postos e com energia para rasgar o chão como fez o Favo de Acari em 2011 na Intendente Magalhães.

Do encontro um documento contendo essas e muitas outras reflexões será publicado no site do Centro de Referência do Carnaval (www.crc.uerj.br) coordenado pelo professor Felipe Ferreira e encaminhado aos órgãos interessados.

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E continuamos nossa peregrinação pelos desfiles da Intendente no carnaval de 2011. Agora seguimos com mais seis escolas:

Unidos de Villa Rica

Com o melhor conjunto de fantasias e um dos melhores sambas do Grupo, a Vila Ricca parece ter reencontrado o caminho dos grandes desfiles que levaram a escola a consagrar-se no Grupo Especial. A escola a exemplo do ano passado fez um desfile fluido e compacto. Ainda que não tenha sido o melhor desfile, em minha opinião foi um dos melhores. Torço para que a Villa Rica Permaneça dessa forma desfilando bem todos os anos e buscando seu retorno a Sapucaí.

Unidos da Ponte

A Unidos da Ponte com o samba mais bonito do grupo e com a marca de componentes que cantam muito e cantam forte. A Ponte era minha expectativa de um grande desfile no grupo. Ano passado a escola até havia feito um grande desfile e pensei ser uma tendência a ser seguida para 2011, no entanto, plasticamente a escola não manteve o mesmo nível e voltou a apresentar alegorias feitas de banners de pequenas dimensões. Prestem atenção na altura dos 7’30’’ de vídeo quando um senhor completamente alucinado começa a aprontar na frente da cabine de jurados. Primeiro, entusiasmado ele invade a ala da frente. A harmonia chama atenção, ele para, samba, interage com o público, interage tanto que para pra conversar com o público. Depois de levar mais um pito da harmonia samba e evolui no contra fluxo do desfile até entrar no meio da ala de trás, a das baianas que perplexas acompanham a performance surreal do desfilante inusitado. Outro harmonia aparece para resgatar e colocar o desfilante na ala que pertencia.

Arrastão de Cascadura

Carros grandiosos e bem acabados, um bom samba e uma ótima bateria foram as tônicas do desfile do Arrastão e que levaram a escola a ser considerada a melhor do Grupo C pelos coordenadores do prêmio Samba-net. Realmente merecido prêmio. Brigou até o fim pelo título durante a apuração e terminou com a 3ª colocação na mais acirrada disputa pelo título do Grupo C.

Unidos de Vila Santa Tereza

No dia seguinte aos desfiles declarei aqui nesta coluna minha admiração confessa pelo desfile da Unidos de Vila Santa Tereza. Pra mim naquela primeira impressão era o melhor desfile do Grupo C. A entrega dos seus componentes que cantavam o samba a plenos pulmões, a inventividade dos carros alegóricos, a excelente apresentação do casal e a organização exemplar fruto de trabalho incessante resultaram no título e na volta da Vila a Marquês de Sapucaí que já havia frequentado em 1985. Parabéns Vila Santa Tereza e todo o pessoal de Rocha Miranda.

Unidos de Vila Kennedy

Admiro a Vila Kennedy por sua autenticidade e marcas que fazem dessa uma escola única no Rio de Janeiro. A Unidos de Vila Kennedy tem um estilo próprio de samba; uma bateria surdo 1 como a da Mangueira; uma forma particular de evoluir que acompanha a escola entra ano e sai ano; enredos que são desenvolvidos de uma maneira bem particular. O melhor é que a Vila Kennedy tem feito tudo isso com alegorias grandes e bem feitas, além de fantasias caprichadas que imprimem um resultado visual marcante e tornam a escola competitiva.

Em Cima da Hora

Enquanto eu criava expectativa com o desfile da Ponte, o mundo do samba esperou atentamente a entrada da Em Cima da Hora na pista de desfiles. Começou logo mostrando suas credenciais com uma grande comissão de frente. Com a marca da inventividade de Carlinhos de Jesus era o crachá da escola. Na verdade, as credenciais já são mostradas na concentração com Tiãozinho Cruz cantando “Os Sertões” no esquenta. Não tem como não respeitar. E a Em Cima da Hora com pompa entrando na avenida dava indícios que não deixaria o caneco escapar dessa vez. Porém, um carro que não desfilou frustrou os planos da comunidade de Cavalcante.