Regina Celi: O Salgueiro hoje, é uma escola equilibrada financeiramente

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O site CARNAVALESCO encerra a série de entrevistas com os presidenciáveis do Salgueiro. Desta vez, é hora de saber o que pensa a atual presidente, candidata à reeleição, no pleito de domingo. Regina Celi falou de sua administração, dos problemas no desfile do último carnaval,  do título de 2009, entre outros assuntos. A eleição que decidirá quem ira presidir a Vermelho e Branco da Tijuca, durante os próximos três anos, acontece no próximo domingo, na quadra da agremiação.

Quais os planos e projetos para a nova administração?

Nos três últimos anos conseguimos fazer muito pela escola, mas nunca é o suficiente. Algumas reformas emergenciais foram feitas, diversas pendências foram regularizadas, mas ainda temos muito a fazer. O Salgueiro, hoje, é uma escola equilibrada financeiramente. Os recursos que recebemos e a arrecadação com os ensaios e shows em nossa quadra foram bem investidos, no carnaval, na Vila Olímpica e na infra-estrutura da quadra, por exemplo.

Mas, mesmo assim, é importante encontrar outras fontes de recursos que nos permitam fazer mais pela escola. Vamos atrás de mais parceiros que queiram vincular sua marca ao Salgueiro e não somente ao enredo. Nesse ano, por exemplo, algumas empresas já estiveram conosco, mesmo sem estar diretamente ligadas ao enredo Rio no Cinema. Este modelo funcionou e nos deu uma importante ajuda para custear o desfile.

Na parte social, já temos projetos bem desenvolvidos, como a Academia de Capacitação e a Vila Olímpica. Nosso o objetivo é mantê-los e, dentro do possível, ampliá-los, criando novos cursos e formar equipes e atletas para competições esportivas na cidade.

Mas, mais do que uma vontade, talvez um sonho, é a construção de uma sede para a escola. Um local com salas de reunião, para as vice-presidências e departamentos da escola, estúdios para ensaios (da comissão de frente e de algumas alas), sala de projeção e de palestras,além de um centro de memória, aberto à visitação, para que o público possa ver fotos, vídeos, troféus, e conhecer a história do Salgueiro. Enfim, uma sede com infra-estrutura suficiente para permitir que a quadra seja apenas o local de ensaios, eventos e shows. Este é um projeto que já está sendo estudado e, juntos, vamos buscar parceiros para construir esse sonho.

Isso tudo, claro, sem deixar o carnaval, o desfile de lado. Continuaremos priorizando o trabalho em conjunto, que nos dê condição de fazer belos carnavais, como os três que fizemos nessa gestão. E isso engloba não apenas o momento do desfile, mas todo o trabalho que é feito antes, por intermédio de um excelente time de profissionais e da valorização do componente.

Pontos discordantes em relação à administração do seu concorrente?

Acredito que esta avaliação deva ser feita pelos componentes e pelos sócios do Salgueiro. A Assembleia (que reúne os sócios fundadores, beneméritos e contribuintes) é soberana e tenho certeza de que, democraticamente, saberá avaliar o que foi e o que será melhor para a escola.

Como você chegou no Salgueiro?

Sempre fui apaixonada por carnaval e comecei a frequentar o Salgueiro com 14 anos, para participar dos ensaios. Depois passei a desfilar, em alas, como composição de carro alegórico, e, por fim, como destaque.

Como você avalia os problemas ocorridos em 2011?

É claro que tudo foi planejado para dar certo. Mas carnaval acontece na avenida e, infelizmente, só temos uma chance para que tudo dê certo. Às vezes acontecem situações que não esperamos e, infelizmente, o problema com a alegoria nos excluiu da disputa pelo título. Tiramos as lições necessárias de tudo o que ocorreu e, com certeza, vamos nos preparar ainda mais para o desfile de 2012.

Por outro lado, temos que tirar lições do que ocorreu positivamente nesse desfile. Trouxemos de volta um tipo de enredo que já não se fazia mais; nosso samba foi um dos melhores do ano, e nos mostrou que é possível fazer algo mais cadenciado, como nas décadas de 1980 e 1990; a bateria, que entendeu o momento e mudou sua cadência; o carnavalesco, que soube captar o desejo dos componentes e criou fantasias mais leves; e as direções de Harmonia e de Carnaval, que trabalharam muito para que o componente desfilasse mais solto, sem as amarras de filas e colunas, com muita alegria. Todo esse projeto para o carnaval 2011 era excelente. Tanto é que, mesmo com tudo o que aconte ceu, ficamos em quinto lugar. E isso, sem varrer os problemas para debaixo do tapete, claro, que deve ser visto pelos componentes, torcedores e pelo público em geral.

Como vê os trabalhos dos profissionais do quadro de trabalho do Salgueiro?

Temos, hoje, uma das melhores equipes do carnaval atual. Não tenho dúvida disso. Nosso carnavalesco é genial. O Renato Lage não tem que provar mais nada a ninguém, está acima de qualquer suspeita. E, parece vinho: quanto mais o tempo passa, melhor ele fica. Além disso, ele conta com a ajuda da Márcia, excelente artista, e da Diretoria Cultural, que colabora muito para o sucesso do carnaval.

A comissão de frente também está sob o comando de um grande profissional. A cada desfile, o Hélio Bejani e sua equipe se superam e surpreendem pela qualidade do trabalho e pelo apuro técnico de suas coreografias.

Também estou muito satisfeita com nossos casais de Mestre-Sala e Porta- Bandeira, Sidclei e Gleice, e Daniel e Luana, estes dois com um bonito caminho pela frente, e com os intérpretes da escola. As três vozes se complementaram no desfile desse ano, o que prova que a decisão de juntar Quinho, Leonardo Bessa e Serginho do Porto foi acertada.

Mestre Marcão também tem se mostrado um excelente diretor de bateria. Ele, que passou por um momento muito difícil no carnaval de 2004, soube dar a volta por cima e está conseguindo devolver ao Salgueiro a batida tradicional da Furiosa, mais cadenciada, o que já pôde ser visto no desfile de 2011.

Na direção de Harmonia, não temos os profissionais mais badalados do mercado, mas os três – Jô, Siro e Alda – que estão à frente da equipe, se mostraram, nos três últimos anos, excelentes diretores. Estou muito satisfeita com o trabalho deles, que se refletiu muito no desfile desse ano, em que os componentes puderam “brincar” o carnaval. Muitos, por desconhecimento, os culparam pelo que ocorreu e pela perda de pontos pelo atraso de dez minutos, mas os três tiveram a calma necessária para decidir, naquele momento, se perderíamos pontos pelo atraso ou na evolução da escola (que já estava comprometida quando a escola ficou parada). O que muitos não entendem, por desconhe cer o regulamento, é que a correria naquele momento prejudicaria ainda mais a escola no quesito Evolução. Jogaram inteligentemente, como se diz no futebol, com o regulamento embaixo do braço.

É interessante assistir os DVDs de desfiles do Salgueiro nos últimos seis, sete anos, e perceber como a escola melhorou nos quesitos evolução e conjunto. É nítido que, hoje, a escola, como um todo, está desfilando muito melhor. E isso é fruto do trabalho dessa equipe de Harmonia e da direção de Carnaval. Nesse aspecto, também tenho total confiança no Anderson Abreu, profissional que está à frente da direção de Carnaval. Assim como a equipe de Harmonia, ele não tem um nome badalado no meio do samba, mas estou muito tranquila com seu trabalho, que nesse carnaval, contou com a ajuda do Renato Duran e do Paulinho Barros.

Tenho a certeza de ter uma equipe muito qualificada e, o mais importante, unida, para fazer grandes desfiles nos próximos três anos.

Qual foi seu momento inesquecível na escola?

Sem dúvida o carnaval de 2009. Por ser meu primeiro ano à frente da escola, por ser mulher, o que, infelizmente, permitiu vários olhares de desconfiança, já que muitos não acreditavam que eu pudesse gerir uma escola, por todo o trabalho que foi feito e, principalmente, pelo título, uma alegria indescritível. Junto com a minha diretoria e todos os profissionais que trabalharam para esse desfile, tive o prazer de dar esse presente à comunidade, aos componentes e aos torcedores salgueirenses.

Como avalia suas chances de vencer a eleição?

Nós – eu e minha diretoria – temos a certeza de que nossa gestão foi satisfatória. Não medimos esforços para melhorar a estrutura da escola, dar melhores condições para nossos componentes e frequentadores de nossa quadra e, principalmente, para que o Salgueiro voltasse a ser respeitado como a grande instituição que é. Tenho certeza de que o trabalho que fizemos é digno de orgulho para a família salgueirense. Por tudo isso, acredito na continuidade desse trabalho à frente da escola.
 
Deixe seu recado para os torcedores e componentes da escola?

Ao longo desses três anos, formamos uma família. Um grupo que se solidifica a cada momento para comemorar as vitórias e enfrentar as adversidades que encontramos. E é só assim, juntos, é que poderemos continuar nessa caminhada, por mais três anos. Só tenho a agradecer a todos na escola pelo carinho e pela confiança nesses últimos três anos. Ainda temos um longo caminho nos próximo triênio, mas tenho a certeza de que estamos no caminho certo para novas conquistas. Estamos e continuaremos juntos!

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