Regina Celi quer construir sede administrativa com museu para o Salgueiro

 

 

Em seu segundo mandato no comando do Acadêmicos do Salgueiro, a presidente Regina Celi mostra satisfação com o que conseguiu fazer em quatro anos de administração, mas engana-se quem pensa que ela não quer mais. Os planos são bem ambiciosos e foram revelados em bate-papo informal com a imprensa no barracão da escola, na tarde desta quarta-feira. O principal deles talvez seja a construção de uma sede para o Salgueiro. O local seria uma espécie de prédio administrativo e abrigaria, além do setor executivo da escola, um museu com diversas peças históricas dos 60 anos da Vermelho e Branco. Confira abaixo alguns trechos do bate-papo com Regina Celi.


Construção da uma sede
É um sonho que eu tenho e foi promessa da minha campanha. Sei que vamos construí-la na Tijuca mesmo e estamos correndo atrás de um terreno. O problema é que tudo o que é para o Salgueiro sai mais caro (risos). Quando ficam sabendo que o orçamento é nosso jogam o preço lá no alto, mas estamos estudando a melhor maneira de fazer isso, até com alguma parceria com o Governo. A ideia é que ele seja um local administrativo do Salgueiro. Um pequeno prédio, que abrigaria também um museu da escola. Temos muitos documentos e objetos históricos que não podem se perder com o tempo.


Ordem de desfile
Não vou mentir, no início me assustei com a ideia de desfilar como a segunda escola de domingo, mas depois me acostumei com a ideia. Não posso ficar preocupada com isso. Tenho uma equipe muito boa e confio neles seja qual for a ordem de desfile. Se já íamos fazer um grande carnaval, agora quero ainda mais. Tem o lado bom. Tudo o que passar depois, vão dizer que copiaram da gente (risos). Também acho melhor porque teremos mais tranquilidade durante o carnaval. Quando você desfila na segunda-feira, passa o domingo preocupado se as suas alegorias estão saindo bem do barracão ou não.


Condições de trabalho no Salgueiro
Hoje, no Salgueiro, do porteiro ao diretor de carnaval, todos ganham salário e foram instruídos a abrirem CNPJ, através do Sebrae, para ganhar aposentadoria. Essa é uma coisa que eu não abro mão aqui. Tenho esse cuidado. Podem dizer que sai mais caro, mas é correto. Gosto das coisas feitas de forma certinha. Sou muito assim. Te garanto que o funcionário do Salgueiro hoje está feliz. As pessoas podem achar que é forçação de barra, mas formamos uma grande família. Não posso querer que todas as escolas sejam assim. Deem essas condições de trabalho. Não quero ser melhor do que ninguém e dizer que estou certa, mas, no Salgueiro, nós fazemos assim. Acho muito triste quando vejo alguém que já deu tanto para o samba pedindo esmola na rua. Têm vários nessa situação hoje. Mestre-sala, mestre de bateria, intérprete, porta-bandeira… E o que essas pessoas fizeram? Não tem mais importância? Me preocupo muito com isso. Sempre dou conselhos. Peço para valorizarem o que têm hoje, que guardem dinheiro, que invistam na família, porque o Carnaval é muito dinâmico. Hoje você está no Salgueiro, amanhã não estará. Gosto da maneira que o Jorginho (Luiz Castanheira, presidente da Liesa) administra o carnaval. Ele é o meu modelo de administração. Outra coisa que prezo muito aqui é a confiança no trabalho dos profissionais. Não posso ficar esperando nota para renovar contrato de alguém. Aqui, todo mundo entra na Avenida com o contrato renovado. Eles só não ficam se não quiserem. Acho aquele troca-troca que acontece já no desfile das campeãs uma falta de respeito muito grande com os profissionais. No Salgueiro, quando alguém não vai bem, sempre procuro conversar primeiro para saber se está acontecendo algo antes de ir dispensando.


Desfile de 2011
Aquilo foi traumatizante. Vejo até hoje o desfile pela televisão para lembrar o grande carnaval que fizemos naquele ano. Disputaríamos com a Beija-Flor se não fosse aquele problema. Falaram que a harmonia vacilou, mas não foi isso. Sempre digo que ano de eleição é terrível, e foi isso que nos atrapalhou. Contratei 30 pessoas só para ajudar na desmontagem das alegorias, e elas simplesmente sumiram. A sorte é que havia 150 seguranças trabalhando para a escola no desfile. Eles, junto com os componentes, meteram a mão nos carros para ajudar, senão a coisa seria pior. Uma das cenas mais emocionantes que todos contam daquele desfile foi ver a Gleice (Simpatia, porta-bandeira) e o Sidclei (mestre-sala) ajudando a tirar os carros da dispersão. Tínhamos um trauma que, graças a Deus, foi vencido este ano.


Enredo de 2013
Não aceitaria um enredo que o Renato Lage e a Marcia Lage me dissessem que não é possível fazer. Eles é que dão o parecer. Quero que fique claro que esse patrocínio da revista Caras não é um patrocínio só para o carnaval. Ele vai ajudar a escola como um todo. O dinheiro do patrocínio eu tenho que usar no desfile, mas não é só o dinheiro. Se fosse só pelo dinheiro teria feito o enredo do iogurte no ano passado, que me pagaria bem mais que esse enredo sobre a fama, mas não era interessante para a escola. Confio plenamente na equipe do Renato e da Marcia. Eles me mostraram já algumas coisas e te garanto que o Salgueiro vai desfilar para buscar o campeonato. Seremos muito mais fortes esse ano.

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