Relação da Imperatriz Leopoldina e da família real com o Museu Nacional é o foco do enredo da Imperatriz

dsc03395“Uma noite real no Museu Nacional” esse é o título do enredo que a Imperatriz Leopoldinense levará para a Avenida em 2018, quando irá falar sobre os 200 anos do Museu Nacional. A apresentação aconteceu na noite desta terça-feira, no auditório da instituição, localizado na Quinta do Boa Vista. Após um dia recheado de atividades culturais abertas ao público, a escola de Ramos reuniu imprensa e convidados para o lançamento oficial do enredo desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. A entrega da sinopse aos compositores será feita na segunda-feira, dia 12 de junho, às 20h, na quadra da agremiação.

– Com esse enredo pretendemos resgatar os valores culturais do país. Temos um tema muito rico, com várias histórias… Conseguimos um caminho bárbaro. Acho que os compositores terão trabalho, mas temos uma ala muito forte, rica, já prevejo belas obras. A Imperatriz entra no Carnaval 2018 abrindo as comemorações dos 200 anos do Museu Nacional – citou Cahê que revelou ter tido total apoio da instituição desde o princípio, quando a ideia do enredo era apenas uma hipótese.

– Vocês estão realizando um sonho nosso. Os 200 anos do Museu Nacional não poderiam ser comemorados de uma forma melhor no maior espetáculo da Terra. Este é meu último ano à frente da instituição, ano que vem não estarei, mas saio feliz, isso a gente jamais vai esquecer – celebrou Cláudia Carvalho, diretora do museu, que foi endossada pela professora Regina Dantas.

dsc03430– A Imperatriz vai transformar os 200 anos do museu nessa magia que é o carnaval. Isso dará uma visibilidade nacional e internacional para a nossa instituição. Isso é um sonho, só temos a agradecer.

Wagner Araújo, diretor de carnaval da Imperatriz, iniciou a coletiva citando que a crise chegou também ao museu.

– Em 2017 pudemos dar um grito de SOS para a nação xinguana, agora vamos poder dar um grito para o Museu Nacional – pontuou o diretor que compôs a mesa ao lado do presidente da escola, Luiz Pacheco Drumond, do presidente da Liesa, Jorge Castanheira, da diretora do museu, Cláudia Carvalho, da professora da UFRJ, Regina Dantas e de Cahê Rodrigues.

Cahê Rodrigues contou que a ideia de falar da instituição surgiu não só pela data comemorativa, teve vontade também de falar sobre a relação da Imperatriz Leopoldina com o palácio onde morou, que mais tarde virou o museu.

– A ideia veio por conta da data dos 200 anos que será comemorada em 2018 e o fato da Imperatriz Leopoldina ter uma relação muito forte com o museu. Esse foi o fio condutor que acabou me motivando a falar do museu e também pela importância do museu enquanto instituição científica para o país. Acho que é o momento de resgatar a história desse museu incrível, que guarda um acervo riquíssimo, que durante anos serviu de moradia para a família real. É uma história linda, uma história que é nossa e que vale a pena ser contada por uma escola como a Imperatriz que sempre defendeu esses temas históricos. Acho que tem tudo a ver o tema, tem tudo a ver com esse momento que o país vive, você poder exaltar uma instituição como o Museu Nacional… Juntos tenho certeza que vamos construir um belo espetáculo – disse o carnavalesco que confessou estar muito animado com o enredo.

‘É um resgate e a família Imperatriz está muito feliz’

enredo_imperatriz2018– Toda vez que você tem uma boa causa dentro do seu enredo como a gente teve no ano do Axé Nkenda, com negro, do Xingu, com o índio… E agora você levanta a bandeira de um patrimônio nacional, que é o Museu Nacional, isso é muito importante para o cenário brasileiro. São ingredientes de sobra para um belo carnaval, uma história que vai nos possibilitar fazer uma viagem incrível pela vida desses personagens que habitaram esse palácio e esses mesmos personagens depois dão vida a esse museu. Essa Noite Real no Museu Nacional tem essa responsabilidade de promover um grande passeio cultural, histórico e científico pelos salões desse museu incrível que será exaltado pela Imperatriz em 2018.

Ao longo dos anos a Imperatriz se consagrou ao falar de temas clássicos, culturais. Cahê não gosta de rotular a escola como uma agremiação que só apresenta temas culturais, pra ele, essa foi uma fase boa, que merece ser exaltada.

dsc03427

– Foi um período. As pessoas direcionam, intitulam que a Imperatriz é uma escola que sempre falou de temas históricos. Acho que foi uma fase, um período da história que precisa ser valorizada. O próprio Arlindo Rodrigues, a Rosa Magalhães defenderam durante muitos anos histórias incríveis, verdadeiras aulas na Avenida. Acho que com esse carnaval é possível resgatar um pouco desses valores, desses temas históricos. Não que os outros temas que a gente vem realizando nesses últimos cinco anos fiquem atrás, mas são 200 anos de história dentro de uma história rica desse Brasil e que vai ser passado na Avenida numa escola que carrega uma bagagem histórica de responsabilidade com o temas históricos. É um resgate e a família Imperatriz está muito feliz porque eles acabaram se identificando muito com o tema.

Parceria com o Museu Nacional

dsc03402Durante a coletiva, Cahê contou que desde o início a Imperatriz foi ‘abraçada’ pela instituição e que está recebendo total apoio do museu na construção do enredo.

– O museu está me ajudando 100%. Estamos com uma parceria muito boa desde o primeiro encontro. Eles estão sempre se colocando à disposição com professores, especialistas, antropólogos, enfim, todos os profissionais ligados a todos os seguimentos estão apoiando a gente.

Carnaval 2017

Apesar de ter passado imponente pela Avenida em 2017, como não acontecia há alguns carnavais, a Imperatriz Leopoldinense amargou o sétimo lugar, ficando de fora do tão sonhado sábado das campeãs. Cahê tem convicção de que a escola era merecedora de ter voltado, mas diz que 2017 já foi superado e que está trabalhando para alcançar uma posição melhor no ano que vem.

– Carnaval é sempre uma caixinha de surpresa. A gente faz sempre carnaval pensando numa classificação bacana, você nunca faz carnaval para ficar em sétimo, sexto lugar, a gente faz pra disputar título. Foi um ano difícil, atípico, de muitas dores, muitas tristezas… Tenho certeza que a Imperatriz tinha carnaval para voltar no sábado das campeãs, sem sobra de dúvida, mas os jurados preferiram deixar a Imperatriz de fora das campeãs… A gente vai trabalhar para ver essa escola brilhar novamente em 2018 e quem sabe disputar mais uma vez uma posição decente dentro dessa competição aonde só tem grandes escolas competindo e buscando o mesmo que é fazer um belo carnaval. A gente vai trabalhar para que a Imperatriz faça a diferença em 2018 – concluiu.