Repórter do site CARNAVALESCO sabia desde 8 de janeiro como seria a inovação da Mangueira

Era um domingo chuvoso, mais precisamente dia 8 de janeiro, me dirigi até a rua Visconde de Niterói para acompanhar e produzir matéria do ensaio de rua da Estação Primeira de Mangueira. O site CARNAVALESCO fez ao longo dos meses de novembro e dezembro, matérias contando como as escolas começavam a se preparar para o desfile e, a Mangueira, era a única escola que faltava. No mesmo dia, na Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor dava o pontapé inicial na temporada de ensaios técnicos e, com todo o respeito à Estação Primeira, confesso que a vontade era estar no Sambódromo, ainda mais após a chuva fina que caia insistentemente às margens do Palácio do Samba.

Quando cheguei à rua da quadra da Mangueira, o ensaio já havia começado e a escola já evoluía rumo à frente da quadra. De repente, enquanto fazia fotos e vídeos para a matéria, percebi uma longa parada da bateria e uma movimentação que, a princípio, parecia estranha. Um dos intérpretes da escola, Zé Paulo, se posicionou com um megafone à frente da bateria e cantava o samba praticamente à capela, acompanhado somente por um tantam. Enquanto isso, os integrantes da bateria realizavam uma coreografia que lembrava alguns ritos indígenas. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Marcella Alves, saia de trás da bateria e evoluía por dentro da ala. Percebendo minha presença, o presidente da escola, Ivo Meireles, me chamou e pediu para que eu não publicasse a informação.

Confesso que pensei em dizer não ao pedido de Ivo. Só quem trabalha no jornalismo sabe o quanto os dedos coçam ao saber de uma novidade tão relevante para o universo em que se trabalha, mas o pedido de Ivo foi diferente. Abordou a dificuldade que estava tendo para fazer um desfile plasticamente aceitável e apontou a manobra que encantou o público do Sambódromo na noite desta segunda, como o grande trunfo para o desfile. Achei justo não divulgar a informação, mas pedi uma entrevista exclusiva com ele, uma vontade profissional que já dura meses.

Ao contar a história para o editor-chefe do CARNAVALESCO, Alberto João, pensei receber um sonoro ‘esporro’, mas ao ponderar com ele que poderíamos estragar um momento histórico  do carnaval carioca acabei me livrando da bronca. Não que no referido domingo eu tivesse entendido tudo o que aconteceria. O tempo passou e Ivo, apesar de sempre me atender com muita gentileza, acabou não cumprindo o nosso ‘acordo’. Não que eu tivesse certeza do que aconteceria na  Marquês de Sapucaí nesta noite, mas posteriormente, com a devida apuração, fiquei sabendo de praticamente tudo o que a escola pretendia fazer na Avenida.

Com toda a modéstia do mundo e os pés no chão de saber que a manobra pode ter prejudicado a avaliação técnica da escola, meu lado carnavalesco está feliz de ter dado uma mínima contribuição para um dos momentos de maior emoção da Marquês de Sapucaí.