Ricardo Barbieri: ‘Ecos do Carnaval 2014’

 

 

O chão tremeu. Tremeu mas, não intimidou. E a escola se foi, de volta para o futuro. Para recomeçar, triste mas fortalecida.
 
A mãe terra emocionou mas não o suficiente para sensibilizar alguns de seus filhos que a puniram por detalhes. Coisas que passariam, fosse outra.
 
A águia voou, um voo lindo mas não tão alto quanto merecia. Muito mais alto do que se propunha e muito perto do que se esperava.  
 
E a criançada caiu na folia, brincou com tudo e foi feliz.
 
Teve futebol, Fórmula 1, cachaça, quase um despacho na Sapucaí. Tivemos provocação (igual no futebol) e reação (até briga como no futebol) e muitas bolas. As baianas de duas escolas tinham quase o mesmo figurino e suas saias eram… bolas de futebol. Tudo num ritmo de Copa do Mundo.
 
A fantasia brincou com nosso inconsciente e, em alguns casos, faltou fantasia.
 
Tivemos mimimi, chorôrô, controvésias, injustiça para uns e crise para outros tantos. Vaias e aplausos para uma mesma escola quase que pelo mesmo motivo.
 
Vivemos mais um ano cuja folia encantou o povo do samba e os turistas da terra (cariocas que só gostam de samba no carnaval).
 
Sobrou ingressos… nas mãos dos cambistas.
 
O que mais tinha (em nefastas mãos) eram ingressos oferecidos para as escolas de samba agraciarem suas comunidades. Ingressos do setor 1 que deveriam ser gratuitos mas que eram oferecidos “à rodo” pelos cambistas.
 
Tivemos muito mimimi e chorôrô. Pessoas se emocionaram com desfiles mas se decepcionaram com o julgamento.
 
Por outro lado, todos os anos injustiças são feitas mas, a onda de indignação para com o que foi feito este ano, criou uma legião de moralistas. Moralistas que já se omitiram com tantas outras injustiças… Moralistas credenciados, debochados e bem servidos na Sapucaí.
 
Enquanto o critério de julgamento não levar em conta a emoção e o encantamento proporcionado com o samba-enredo (que é a alma do carnaval e deveria ser julgado com mais cuidado), quem desfila com rigor técnico tem grandes possibilidades de vencer.
 
É importante dizer, que todo o trabalho de um ano inteiro, assim como o esforço das comunidades, de gente que vai para as quadras ensaiar exaustivamente, vai para colar e montar fantasias (de graça); todo esse trabalho é julgado em dois dias, em notas frias e em crônicas como as que faço.
 
Tudo parece um resumo injusto. E pode ser injusto. Mas, não é a expressão da verdade. Trata-se de opinião apenas que pode agradar e desagradar mas que não passa de um olhar pessoal. Carnaval é uma manifestação artística e seu resultado representa as emoções que consegue provocar. Não fosse assim, todos os filmes de cinema, todas as peças de teatro, todos os musicais, pinturas etc, deveriam sempre ser aplaudidos tão somente pelo esforço do artista.
 
Funciona assim mesmo. Faz parte. É que narciso acha feio o que não é espelho.

Comente: