Ricardo Barbieri: ‘Renascer das cinzas no carnaval’

 

 

Na mitologia grega, a Fênix é um pássaro que, ao morrer se incendeia para, a seguir, renascer das cinzas.

 

A vida longa da Fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas criam o símbolo da imortalidade e renascimento espiritual.

 

Além disso, suas lágrimas tem propriedades de cura para qualquer tipo de doença ou ferida.

 

As recentes transformações ocorridas em algumas escolas do carnaval carioca inspiram certa analogia com essa ave mitológica.

 
É fato que Portela, Mangueira e Mocidade não ressurgem das cinzas. Mas as três estavam desgastadas e desmotivadas com suas administrações.

 
Hoje, passando por um processo de arejamento na administração, vêm poderosas. Suas comunidades em congraçamento encaram o próximo carnaval com alegria.

 
O portelense vê com entusiasmo a construção organizada de um carnaval. Coisa que não acontecia há tempos. Existe um cronograma de trabalho e, mais, ele está sendo cumprido. Com isso, a escola resgata uma de suas tradições: o acabamento impecável de fantasias. Bonitas e suntuosas, já se encontram embaladas e prontas para distribuição. Nenhum corre-corre, nenhum improviso. A Portela prepara seu carnaval com tempo e qualidade.

 
Na Mangueira, onde a gestão anterior não fez um trabalho ruim mas, sem recursos financeiros investiu em ousadia, a escola se prepara com os pés no chão e com organização também. Vale dizer que realizou um bom desfile em 2013.

 
Na Mocidade predomina uma sensação de alívio por finalmente ocorrer a mudança tão pedida na gestão. Infeliz ou felizmente (e isso só o desfile dirá) às vésperas do Carnaval. Mas já ecoam de Padre Miguel cantos de alegria e motivação. A proximidade do desfile pode não permitir que essa mudança se reflita no barracão mas, certamente incendeia a comunidade que prenuncia que vai riscar o chão da Sapucaí.

 
Por outro lado, o que dizer de Beija-For e Unidos da Tijuca que possuem o mesmo nível de motivação, sem viver nenhuma mudança há anos? Afinal, suas administrações gozam de boa credibilidade junto às comunidades, demonstram competência e as mantém mais que competitivas. Mudanças gerariam insegurança.

 
É sempre uma boa prática o revezamento no poder. Presidência de escolas de samba, clubes de futebol ou qualquer instituição recreativa não deveria ser função prolongada. Muito menos perene. O arejamento na gestão é importante.

 
Renascer das cinzas e derramar lágrimas curativas, fazem parte de um exercício de vida. Todos nós, sem exceção, passamos por bons e maus momentos, choramos e superamos adversidades. Muitas vezes praticamente renascendo das cinzas.

 
Boa sorte para as escolas que estão se reencontrando este ano e fica a expectativa do carnaval mais competitivo dos últimos tempos.

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