Rocinha mostra simplicidade, leveza, alegria e capricho

Segunda escola a desfilar na noite deste sábado na Marquês de Sapucai, a Acadêmicos da Rocinha mostrou um carnaval digno. Simples, mas original plasticamente, a agremiação de São Conrado não cometeu grandes erros nos quesitos de chão: evolui com alegria e correção, mostrou uma bateria de alto nível e viu o leve samba cair nas graças da plateia e dos componentes. Apesar disso, a escola ficou devendo no canto e isso deve custar alguns décimos em harmonia. O maior destaque foi, sem dúvida, o bom humor e a originalidade da comissão de frente que, literalmente, botou o nome de todo mundo na praça como diz o enredo, muito bem desenviolvido por sinal.

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Análise das cabines

Cabines 1 e 4

A comissão de frente apresentou coreografia muito divertida. Com vários personagens comuns às praças – engraxates, vendedores, idosos, crianças e casais de namorados – o grupo coreografado por Sérgio Lobato mostrou bastante originalidade e sintetizou o enredo de maneira bem clara. Na quarta cabine o grupo repetiu o bom desempenho e levantou o público do Setor 10. Enquanto os personagens se apresentavam, placas alusivas à vida dos personagens eram mostradas ao julgadores e ao público.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Fran e Ana Carolina Valle, apresentou coreografia bem simples e explorou pouco o espaço disponível para dançar. Na hora de encerrar as coreografia, ele acabou encostando bruscamente na saia dela. A fantasia, apesar de bonita, seguiu o modelo do restante do conjunto da escola: bem simples. Na quarta cabine, o jovem casal pareceu mais desenvolto e a apresentação rendeu mais. Não houve falhas nerste momento.

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A escola cantou pouco. Apesar disso, mostrou alegria na evolução e muita leveza, o que acabou fazendo com que o público interagisse bastante com o desfile. A sétima ala, fantasiada de mendigos, e a décima ala, fantasiada de crianças, se destacaram no canto e pela originalidade da fantasia. As alas que mais decepcionaram no canto foram: a primeira – revoada de pombos – e décima-sexta – Radical. Os componentes do carro abre-alas também participaram bem do canto.

A evolução da Rocinha foi perfeita. Compacta e com contigente pequenio, a agremiação de São Conrado passou sem sustos e buracos pela Avenida. Destaque para a alegria de seus componentes.

A bateria da escola, comandad por mestre Maurão mostrou o porquê de ser considerada uma das melhores do Grupo de Acesso atualmente. Conseguiu aliar tradição e ousadia de forma perfeita. Um verdadeiro show de ritmo e bossas criativas. Destaque para a afinação dos surdos – muito bem defenida – e o desenho rítmico dos surdos de terceira. 

As alegorias mostraram a simplicidade e a dificuldade financeira da escola para o desfile. As soluções plástico-visuais não trouxeram grande novidade e o acabamento das alegorias está aprovado. Apenas a terceira alegoria apresentou um problema no acabamento da parte alta central traseira. A quarta alegoria, que representava a Praça da Juventude, foi o mais aplaudido pela presença de atletas como o jogador Muralha do Flamengo. A quinta alegoria trouxe uma sósia da presidente Dilma Roussef e também teve boa recepção do público. Em cima da primeira alegoria, algumas mochilas foram deixadas na parte traseira direita. Ainda na primeira alegoria, em frente ao quarto módulo, um dos queijos com uma destaque quebrou e a moça caiu, sem se ferir com gravidade, porém.

As fantasias da Rocinha mostraram bastante originalidade e simplicidade. A proposta fez com que os componentes desfilassem soltos e o visual mostrou-se bem leve e colorido. Destaque para as fantasias da ala de passistas, da ala de baianas e da quarta ala – namoro na praça.

Cabine 2

A Comissão de Frente se apresentou de forma magnífica, numa apresentação muito bem feita por adolescentes que interagiram com o público, numa bela coreografia.

A dança do Mestre Sala foi muito boa, porém a Porta-Bandeira estava um pouco travada. A fantasia parecia que estava atrapalhando a coreografia. No final cometeram um pequeno deslize.

As alegorias e fantasias apresentaram fácil leitura. Nas duas primeiras alegorias, as luzes só acenderam após a metade do desfile. As outras três, não tinham luxo, mas retratavam bem o enredo assim como as fantasias.

A escola cantou muito, interagindo com o público. A bateria parou e fez uma reverência aos jurados. Por onde ela passava, empolgava o público dos setores seis e sete. 

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Cabine 3

Comissão de frente passou com 25 minutos na terceira cabine. A coreografia rápida, não ocupou todo o tempo que tinha direito. Retratou um personagem de uma praça, com crianças, casal de velhinhos, guarda e vendedor de doces. A coreografia agradou e os jurados aplaudiram.

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Mestre Sala e Porta-Bandeira executaram a coreografia corretamente. O casal não cantava, mas sorriu durante toda a apresentação. A coreografia apresentava ser leve e recebeu aplausos dos jurados.

No carro abre alas, os refletores estavam apagados. As fantasias estavam com fácil leitura e bem acabadas. As alas cantavam forte e ocupando toda a extensão da pista.

No segundo carro, os refletores aparentavam defeito, acendendo e apagando. Bateria entrou no recuo e a ala da frente andou gerando um buraco. O Mestre de Bateria executou bossas e coreografia. As arquibancadas gritavam durante a coreografia da Rocinha.

Durante a apresentação da Bateria, o jurado permaneceu sério e sentado o tempo todo.

O quarto carro abriu um buraco em frente a cabine de jurados que só foi corrigido em frente ao segundo recuo da bateria. Nesse carro havia problemas de acabamento no contorno das esculturas e havia dois componentes lançando camisas para arquibancada.

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