Rodrigo Coutinho analisa a bateria da Ilha no desfile

Por Rodrigo Coutinho

uniao-da-ilha_desfile_2018_51Nos últimos 30 anos a Marquês de Sapucaí se acostumou a aplaudir e se impressionar com as ”loucuras” feitas por mestre Ciça. E nesta segunda-feira não foi diferente. O ”show man”, mestre da União da Ilha do Governador, voltou a colocar na Avenida uma bateria de altíssimo nível! Nenhuma objeção a fazer quanto ao desempenho. Rendimento perfeito!

Talvez a última apresentação neste nível de excelência de uma bateria comandada por Ciça tenha ocorrido em 2010, na Grande Rio, e como é bom vê-lo novamente sendo um dos principais personagens de um carnaval. Para deixar sua marca de inovações, afinal de contas o próprio fala que se for pra fazer o trivial é melhor não sair de casa, o ”Caveira” levantou a Marquês de Sapucaí ao fazer em todos os módulos uma bossa que montava uma ”mini bateria” à frente de toda ala. Nela, repiques-mór, chocalho, frigideira e surdo de terceira faziam uma pequena apresentação separada na segunda parte do samba.

Quem acompanha esse espaço sabe que não elogiamos uma bateria pelo efeito que causa no público. Nosso trabalho é voltado para a parte técnica. E ela funcionou perfeitamente. A cada retomada no tempo certo, a confiança dos ritmistas crescia e bateria da Ilha talvez poderia ter tocado umas quatro horas sem errar nesta segunda.

O andamento largou em 149 BPM e terminou em 147 BPM, oscilação natural. Todos os naipes funcionaram extremamente bem. Bateria com pegada e correção em cada instrumento! Conjunto de bossas, com o jeito de Ciça, muito bem executado.

Muito significativo ver um mestre que não tem raízes na escola, valorizar o ritmo ”original” da casa e vencer desta forma!