Rodrigo Coutinho analisa baterias da Grande Rio e do Salgueiro no ensaio técnico

 

 

Grande Rio

 

Rendimento muito bom da bateria Invocada comandada pelo mestre Ciça. Um ritmo bem ao estilo do experiente mestre. Afinação mais ''pesada'' e pulsação firme dos marcadores. Andamento ''pra frente'', mas nada que agredisse a execução do samba.

 

Bossas ousadas – principalmente a do solo do repique – e que causaram bastante impacto no público. Na grande maioria das vezes bem executadas também. Chocalhos e agogôs executados de forma correta. Tamborins com carreteiro limpo, mas uma pequena imprecisão na execução do desenho rítmico na segunda do samba. Em algumas passadas o problema ocorreu, em outras não.

 

Surdos de terceira mais ''livres'' do que no último carnaval. Funcionaram bem na proposta de dar balanço à Invocada, mas podem ser melhor distribuídos dentro da ala. Percebi muitos bem próximos uns dos outros. Uma melhor distribuição melhora a equalização da bateria.

 

Caixas muito bem até o terceiro módulo de julgadores. No quarto, houve uma pequena imprecisão na bossa da segunda do samba, quando elas realizam alguns desenhos rítmicos enquanto os surdos de terceira marcam o compasso do samba. Na execução da batida, sonoridade muito agradável e coesa.

 

Salgueiro

 

A bateria Furiosa, comandada pelo mestre Marcão, teve um desempenho excelente no ensaio técnico deste domingo. Mais uma grande apresentação de uma ala que vem ano após ano amadurecendo e sendo registrada entre as grandes baterias já formadas no carnaval carioca.

 

Afinação perfeita dos três surdos e pulsação ideal dos marcadores, colocando a força exata no ''ataque'' ao instrumento. Essa característica faz a bateria ganhar ainda mais nas bossas em que são produzidas em cima das ''conversas'' entre os surdos. A precisão no ato de tocar e a afinação correta geram um sonoridade bastante agradável.

 

Caixas muito bem na execução da batida e taróis, desta vez em menor número, idem. Tamborins perfeitos tanto no carreteiro quanto na execução do desenho rítmico. Importante citar a integração entre as ''peças'' da Furiosa. No refrão do meio, tamborins e surdos de terceira alternam o protagonismo de seus arranjos. Na segunda do samba, chocalhos e cuícas fazem o mesmo. A estratégia visa evitar o ''choque'' entre os arranjos dos diferentes instrumentos e o resultado é uma melhor distribuição destes arranjos, uma bateria mais ''educada'' musicalmente.

 

Bossas mais simples que as apresentadas em outros anos pela bateria do Salgueiro, mas sem deixarem de ser brilhantes. Principalmente porque obedecem os desenhos melódicos do samba e contam com a participação de todos os instrumentos. A única ressalva a ser feita ao longo de todo o ensaio é a participação das caixas na bossa do refrão do meio. Em determinado momento da bossa, as caixas tocam ''reto'' por alguns compassos, e nem todos os ritmistas do naipe seguiram esse modelo. Não que isso tenha trazido grande prejuízo, mas o ''ataque'' de todos ao mesmo tempo pode dar um efeito ainda melhor. 

 

 

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