Rodrigo Coutinho analisa baterias da Mocidade, Ilha e Mangueira no ensaio técnico

 

 

Mocidade

 

A bateria Não Existe Mais Quente, comandada pelos mestres Dudu e Beréco, e coordenada por Andrezinho, teve desempenho muito bom na noite deste domingo na Marquês de Sapucaí. Uma aula de bossas bem adequadas a melodia do samba, mas sem deixar nada a dever em criatividade. Pelo contrário, em suas bossas, a Mocidade levará diferentes ritmos para o desfile.

 

Surdos de primeira, segunda e terceira com padrão muito bem definido de afinação, diferenciação nítida e tradicional da escola. Caixas, em sua grande maioria, tocando corretamente a batida da ala e somando qualidade ao conjunto rítmico da bateria. Terceiras sem desenho, mas bem mais ''controladas'' que em outros anos. Fazendo o balanço na hora certa, sem prejudicar o conjunto e com ótima participação nas bossas.

 

Ala de tamborins executou com perfeição o ousado desenho rítmico proposto. Com muita tradição no naipe, a Mocidade volta a ter uma ala de tamborins de destaque no carnaval carioca. Chocalhos muito bem até o quarto módulo de julgadores, quando houve um pequeno desencontro com o restante da bateria.

 

Um detalhe em que a direção de bateria da Mocidade precisa ficar atenta e deve melhorar até o desfile é o cuidado na retomada das bossas. O andamento tem retornado um pouco acima do aconselhável. Isto aconteceu ainda no primeiro módulo, após a bossa em que tocam somente tamborins e timbales. E também no quarto módulo, na volta da mesma bossa.

 

 

União da Ilha

 

No ano de estreia do mestre Thiago Diogo, a Baterilha passou bem no ensaio técnico da noite deste domingo.

 

Como já antecipado, um ritmo com características bem diferentes ao que sempre foi utilizado pela escola, mas feito com muita qualidade neste primeiro momento. Caixas com padrão bem definido de batida ''em cima'' e ''em baixo'', estas em menor número. Diferenciação na afinação dos surdos de primeira e segunda bem nítida. Terceiras executando o desenho rítmico de forma correta e com boa participação nas bossas.

 

Tamborins sem falhas no carreteiro, mas precisando de alguns ajustes na execução do desenho rítmico na segunda do samba, pode melhorar. Chocalhos muito bem até o quarto módulo, ali houve um pequeno desencontro quando a bateria se deslocava.

 

Com certeza foi a bateria mais numerosa a se apresentar até o momento nesta temporada de ensaios técnicos. Até pelo grande espaço que ocupou na pista, houve uma distância considerável entre o carro de som e o ''miolo'' da ala, o que dava a impressão, em determinados momentos, que os cantores estavam num andamento um pouco mais lento que a bateria. Com a propagação do som num largo espaço, o perfeito entrosamento foi um pouco prejudicado, o que é compreensível como nos explicam os estudos físicos. Com a sonorização oficial do desfile, isso não ocorrerá.

 

Ótimo trabalho de arranjo feito em cima da melodia do bom samba que a escola tem. Bossas criativas e bem executadas na grande maioria das vezes. Na feita no refrão do meio, próximo ao terceiro módulo de julgadores, houve precipitação de um surdo de primeira após a participação dos surdos de terceira no início da bossa.

 

 

Mangueira

 

Ótima apresentação da bateria ''Tem que Respeitar meu Tamborim'', comandada pelo mestre Ailton.

 

A bateria da Verde e Rosa parece que toca no automático. Em nenhum momento o andamento ''caiu' ou houve prejuízos na execução da grande maioria dos instrumentos. Afinação do surdo de primeira bem grave e pulsação firme dos marcadores durante todo o ensaio. Batida de caixa perfeitamente executada e a ala de chocalhos apresentou-se com correção.

 

Surdos-mór realizando os contratempos de maneira bem coordenada. Achei apenas que após a entrada da bateria no segundo recuo houve uma queda considerável na afinação dos mesmos. Tamborins no ''corredor'', o que provoca uma sonoridade com mais equilíbrio de tonalidades na propagação do som da bateria. Apenas o desenho rítmico na subida do samba pode ser melhor executado, carreteiro limpo.

 

Quem pensava que a bateria da Mangueira voltaria aos tempos mais conservadores se enganou completamente. A ala preparou diversas bossas de impacto e com a participação de todos os instrumentos da bateria, inclusive os timbales, que mais uma vez demonstraram muita qualidade. Todas bem executadas e voltando ao ritmo bem próximas do andamento proposto anteriormente.

 

 

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