Rodrigo Coutinho analisa baterias da Rocinha, Estácio e Império Serrano

 

 

Rocinha

 

Mais uma vez a bateria Ritmo Avassalador, comandada por mestre Maurão, teve um excelente rendimento no ensaio técnico deste domingo. A começar pelo acerto no andamento, passando pela correção e manutenção na afinação dos surdos e na ousadia nas bossas, a bateria da Rocinha deu uma amostra de que está praticamente pronta para o desfile.

 

Caixas coesas ritmicamente e com participação precisa nas bossas, tamborins e chocalhos muito bem, tanto em proposta do desenho rítmico, quanto na execução do mesmo. Ala de cuícas numerosa para os padrões do grupo de acesso, mas com bastante qualidade. Ótima manutenção da pulsação nos surdos de primeira e segunda, marcadores ''tirando som'' do instrumento. Surdos de terceiras também apresentaram uma proposta muito eficaz em seu desenho rítmico, como por exemplo na subida do samba, e brilhante participação nas bossas, naipe com muita qualidade.

 

Vale destacar também os repiques de ''bossa'' da bateria da Rocinha, os responsáveis pela ''entrada'' ou ''subida'' para toda a bateria retornar ao ritmo após a bossa. Demonstraram muito discernimento musical durante a execução da bossa mais longa preparada pela Ritmo Avassalador para 2014. A ''paradinha'' é criativa e dura da ''cabeça do samba'' até o refrão do meio, o que naturalmente faz a bateria acelerar um pouco o andamento em que estava tocando, mas em todas as vezes que a convenção foi executada os repiques fizeram a ''entrada'' exatamente na hora certa. Outra bossa muito bem planejada e executada foi a feita no refrão do meio.

 

O único ''porém'' de todo o ensaio foi um pequeno erro – durante a bossa do refrão principal – de um surdo de segunda que estava no lado dos setores ímpares do Sambóromo ainda no primeiro módulo de julgadores.

 

 

Estácio

 

A bateria Medalha de Ouro, comandada por mestre Chuvisco, teve um rendimento bem satisfatório no ensaio deste domingo.

 

Energia! Essa é a palavra que mais combina com o ritmo estaciano. E quando isso é somado a qualidade, melhor ainda. Sensacional o rendimento das peças leves da bateria da Estácio de Sá. Chocalhos e tamborins muito bem, nível de excelência na execução de suas batidas e desenhos rítmicos. Afinação dos surdos manteve-se intacta e correta durante todo o ensaio. Andamento ''pra frente'', como é a cara da escola e não pode ser diferente.

 

Caixas bem até o terceiro módulo de julgadores. No quarto, achei que houve uma queda na qualidade da execução da batida, o que pode ser aprimorado facilmente até o desfile. O fato fez com que o andamento da bateria também caísse um pouco no setor.

 

Bossas criativas e bem ousadas, como a que dura da ''cabeça do samba'' até o refrão do meio e contou com o lançamento de foguetes de serpentina para o público, tem tudo para ser uma das sensações do desfile da Série A, pois mistura criatividade, qualidade musical e interação com a plateia. Já a bossa feita na segunda do samba pode ser executada de forma mais precisa. No primeiro módulo de julgadores isso ficou claro, já no quarto módulo houve uma melhora nesse ponto.

 

Outro fator que pode ser ajustado para o desfile é a pulsação de alguns marcadores de primeira que estavam no lado dos setores ímpares do Sambódromo. Velocidade e intensidade são coisas diferentes. Tocar num andamento mais na ''frente'' pode dar melhores resultados se a força no ataque ao instrumento for um pouco mais moderada. Muita força acaba distorcendo um pouco o som que é produzido pelo surdo.

 

 

Império Serrano

 

Ensaio muito bom feito pela Sinfônica do Samba, comandada por mestre Gilmar, na noite deste domingo.

 

Mais um show de bossas com alto grau de dificuldade e coerência musical com a melodia do samba e o conteúdo do enredo. Afinação dos surdos de primeira, segunda e terceira muito bem definida, bem como a postura dos marcadores no ''ataque'' ao instrumento, tocando na intensidade correta.

 

Naipe de agogôs mantendo o padrão de excelência já conhecido no Império Serrano. O mesmo pode ser aplicado às caixas de guerra e a execução do desenho de terceira. Chocalhos também demonstraram ótimo nível. Já os tamborins podem melhorar na execução das frases mais longas e nos ''floreios'' do desenho rítmico adotado. No carreteiro, sonoridade limpa.

 

Muito criativa a bossa que em determinado momento o jongo é tocado. Essa mesma bossa, porém, executada de forma perfeita durante a maior parte do ensaio, foi feita de maneira ligeiramente imprecisa no quarto módulo de julgadores. Também ali, parte da bateria acabou ''virando de três'' na ''cabeça do samba'', quando o sinal feito era para seguir o ritmo continuo. Isso gerou um pequeno desconforto na sonoridade por alguns segundos.

 

 

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