Rodrigo Coutinho e Kleber Komká analisam baterias que passaram na segunda-feira

 

 

Mocidade (Por Kleber Komká)

A bateria da Mocidade teve um desempenho muito bom em seu desfile. Sustentou o ritmo em um andamento que favoreceu o samba, afinação dos surdos bem definidas com a característica própria, bem mantida ao longo do desfile  e com os surdos de terceira mais centrados, sem virarem muito, dando mais sustentação ao ritmo. As caixas outra marca da bateria, bem firmes executando sua batida típica, mas ao meu ver com um número de componentes do naipe relativamente pequeno, não deixando assim, sobressair muito sua consagrada batida.

Destaque para o naipe de tamborins, com desempenho muito bom, desenhos e nuances bem executadas e criativas, e para quem conhece com vários ritmistas do naipe que algum tempo não desfilavam, retornando e reforçando a ala. Chocalhos sempre bem mantendo uma tradição desta bateria. A bateria da verde e branco de Padre Miguel apresentou um conjunto de bossas pertinentes ao samba e ao enredo,  bem executadas  interagindo  bastante com o público.

União da Ilha (Por Rodrigo Coutinho)

Na estreia do mestre Thiago Diogo em seu comando, a Bateria 40º Graus da União da Ilha do Governador teve rendimento muito perto da perfeição. Não fosse por uma pequena imprecisão de alguns marcadores durante a bossa feita na ''cabeça'' do samba, seria perfeita.

A ala apresentou perfeição na execução de todos os instrumentos. Chocalhos e tamborins muito bem. Terceiras executando com precisão o criativo desenho rítmico. Caixas com duas batidas uniformes e combinando nas notas acentuadas. Afinação de primeira e segunda mais alta que a grande maioria das escolas, mas com clara diferenciação de tonalidades entre si. Pulsação firme dos marcadores também. Agogôs acompanhando a qualidade do restante bateria.

As bossas e o andamento adotado impulsionaram o desfile da escola. Estreia promissora de um trabalho que provou merecer continuidade.

Unidos de Vila Isabel (Por Rodrigo Coutinho)

A Swingueira de Noel, comandada pelo mestre Wallan, foi outra bateria que não alcançou a perfeição por um pequeno detalhe. A ressalva vai para alguns ''choques'' rítmicos entre os chocalhos na altura do módulo 03 de julgamento.

No mais, bateria com cara de Vila Isabel. Ritmo rústico, pesado e executado com perfeição por praticamente todos os naipes. Vale ressaltar o salto de qualidade na ala de tamborins da Azul e Branco do bairro de Noel. Muito eficaz no desenho rítmico e na execução do mesmo. Talvez seja o melhor desenho de tamborins do Carnaval 2014.

Caixas apresentando uma novidade: batidas diferentes em determinados momentos do samba. Na segunda parte da obra, executavam uma batida com duas rufadas. Nem todos os ritmistas do naipe a executaram de forma perfeita, mas no conjunto a sonoridade foi bem agradável e funcionou bastante. Volta forte dos taróis da Vila Isabel também. Eles executaram a batida característica da escola com precisão. Terceiras seguindo o padrão mesclado – algumas tocam reto e outras fazem desenho rítmico –  e funcionando dentro da proposta da bateria.

Andamento sem oscilações e perfeitamente integrado ao carro de som. Bossas criativas e que buscaram mostrar a participação de todos os instrumentos.

Imperatriz (Por Kleber Komká)

A bateria da Imperatriz veio bem em seu desfile, num andamento firme e constante, a bateria fez o samba que já  muito cantado, crescer ainda mais na avenida.  Mostrando que "treino é treino e jogo é jogo", a direção de bateria da imperatriz, fez alguns ajustes para seu desfile oficial, obtendo êxito em sua performance. Usando e abusando das bossas ousadas e criativas, com boa execução dos seus ritmistas em todos os naipes, bateria de Mestre Noca levantou a Sapucaí.
 
Portela (Por Kleber Komká)
 
A bateria da Portela, mesmo com uma fantasia que não favorecia seus ritmistas, no que se refere a visualização de sinais de comando dentro da bateria, (muitas plumas nos chapéus e uma espécie de capa que contribui para o abafamento sonoro), obteve um grande desempenho em seu desfile oficial. Os ritmistas da azul e branco confirmaram a grande apresentação que tiveram no ensaio técnico, ritmo, execução, afinação, as bossas funcionais e pertinentes, servindo ao samba. Destaque também confirmado para ala de tamborins, com ótimo performance.  Mais uma vez tabajara do samba ,mostrou porque é considerada por muitos, uma da melhores  baterias do caranaval.

Unidos da Tijuca (Por Rodrigo Coutinho)

Quem ficou até a última escola desfilar no Sambódromo, já na manhã desta terça-feira, não se arrependeu. Presenciou um show de ritmo da bateria Pura Cadência comandada pelo mestre Casagrande.

Foi uma exibição para servir como modelo de como uma bateria se portar na Avenida. Andamento mantido ao longo de todo o desfile, afinação correta de todos os instrumentos e execução perfeita em todos os naipes. Bossas não tão complexas ritmicamente, seguindo a lógica da melodia, mas executadas com maestria e com a funcionalidade comprovada.

Terceiras ''soltas'', produzindo os contratempos que caracterizam o suingue da bateria tijucana, muita espontaneidade musical. Tamborins e chocalhos excelentes, assim como o naipe de caixas, uníssono e eficaz. Pelo rendimento se credenciou a brigar por praticamente todos os prêmios para o quesito.

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