Rodrigo Pacheco admite erros na execução das fantasias, mas enaltece a força da Mocidade

Por Matheus Emanuel

O vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, recebeu a equipe do site CARNAVALESCO, na tarde de quinta-feira, no barracão da escola, na Cidade do Samba, para fazer um balanço do Carnaval 2018. A verde e branco terminou na sexta colocação. Durante o papo, ele abordou a dificuldade de fazer carnaval neste ano e ainda ressaltou a importância de Wander Pires. O dirigente afirmou estar orgulhoso do trabalho feito por sua equipe e que a escola está se reerguendo para dar ainda mais orgulho aos seus torcedores.

pacheco_orgulho– Estávamos realmente confiantes no título. Mas a gente reconhece que fomos penalizados em um quesito que fez toda a diferença. Perdemos quatro décimos em fantasias, estávamos em primeiro lugar, terminamos em sexto com uma diferença de três décimos para o primeiro colocado. Ainda assim estou bem satisfeito e feliz, a Mocidade voltou a ter força nos quesitos, fomos a escola que mais gabaritou, cinco quesitos gabaritados e 27 notas 10. Estamos cientes da força que nós temos. Sempre disse que o resgate seria de médio a longo prazo. Conseguimos fazer esse resgate num espaço de tempo até menor, voltar nas campeãs não é o mais importante, o mais importante é que o torcedor independente se sinta orgulhoso e veja a escola dele brigando quesito a quesito. É uma sensação gostosa, de realização pois a gente está vendo que o trabalho está funcionando e é nessa ótica que a gente segue pro Carnaval de 2019. Hoje, o Independente pode se orgulhar de fazer parte disso tudo, bem como nossa comunidade, nossos desfilantes. Fizemos um belíssimo espetáculo e todos fizeram sua parte, o orgulho voltou – afirmou.

Rodrigo Pacheco é um dirigente extremamente centrado, o vice-presidente da estrela guia de Padre Miguel, julgou justo o resultado da apuração, parabenizando a campeã Beija-Flor e a surpreendente Paraíso do Tuiuti, com um carnaval histórico conseguindo a segunda posição. Ambas as escolas fizeram desfiles com enredos críticos. O vice-presidente comentou as dificuldades de colocar o carnaval na rua com a falta de organização para o recebimento de verbas oriunda do poder público e de patrocinadores.

mocidade_desfile_2018_05– Não acredito que seja uma tendência ter somente enredos críticos. Foram dois desfiles que de fato aconteceram, belíssimos. O carnaval é isso, ele não pode ficar na mesmice, não pode ser uma receita de bolo. Ele tem que ter sempre um oxigênio, as duas escolas oxigenaram a nossa festa. Fico muito satisfeito com o resultado. A Mocidade foi a última escola a conseguir movimentar o recurso da Uber, através da Lei Rouanet. Nós só conseguimos movimentar esse dinheiro na sexta-feira de carnaval, na parte da tarde. Algumas escolas receberam em dezembro, outras em 26 de Janeiro, que foi o caso da Mocidade, porém, só conseguimos usar na sexta. Em momento nenhum, existiu um cronograma físico-financeiro, a gente não conseguia ter a certeza nem de quando e nem de quanto ia receber, isso dificulta qualquer gestão. Foi um carnaval bem difícil, nós tivemos o recebimento de venda de ingressos na sexta-feira também. Acho que isso tem que ser discutido agora para que não se repita. Precisa ser repensado, se continuar assim só tende a piorar. Não é culpa de escola de samba, não é culpa do carnavalesco, é culpa do cronograma físico-financeiro que não foi passado nesse ano – criticou.

A Mocidade trata a sua equipe como uma família e os protege como se fossem seus filhos. O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi bastante criticado no período pré-carnaval e acabou conseguindo a nota máxima no desfile. Rodrigo Pacheco analisou o desempenho deles e também falou da importância da dupla de coreógrafos da comissão de frente, Jorge Teixeira e Saulo Finelon, mentores da única comissão nota 40 no Carnaval de 2018, dizendo que a dupla trabalha muito para conseguir alcançar o objetivo, que é a nota máxima.

mocidade_desfile_2018_14– Não digo que seja pra calar a boca de ninguém, todos os casais realizam um trabalho muito forte durante um ano inteiro para que consigam os 40 pontos. Desde o início eu gostei dessa junção, sempre achei que eles tivessem uma química, estavam com um trabalho de preparação muito forte e o objetivo foi alcançado, confiamos desde o início neles. A fórmula mágica da comissão de frente é o trabalho. Eles são dois profissionais excelentes, trabalham com muito afinco, com muita dedicação e hoje eu posso afirmar que eles são da família. Eles formaram uma ligação aqui dentro. Trabalham com a maior vontade do mundo, com carinho, devoção e o reflexo é o que a gente vê na Avenida. A proposta foi totalmente diferente do Aladin, as pessoas podem vincular o sucesso da comissão a um efeito, mas esse ano eles provaram que não. Tem a parte artística, a da mensagem, a fórmula é essa, cada vez mais a equipe da Mocidade está em família, isso que é importante. Não é somente um aspecto profissional, tem o lado pessoal e afetivo que é muito fundamental – comentou.

A escola de Padre Miguel perdeu quatro décimos em fantasias, essa pontuação a levaria ao título, caso não fosse penalizada. Rodrigo admite que houve erros, que já estão sendo corrigidos e que pretende manter a equipe completa, pois sempre preza pela continuidade do trabalho.

mocidade_desfile_2018_24– Eu não acredito que o problema seja a plástica do desfile. Nós fizemos um projeto maravilhoso, mas tivemos problemas na execução e não na plástica. Isso já está mapeado e a gente sabe onde erramos. Vamos trocar boa parte dessa estrutura, a forma de trabalhar. Infelizmente, nós pecamos, mas o trabalho foi montado pra dar certo, mas não deu. Foi um carnaval muito difícil, nós tivemos uma interrupção de 40 dias no barracão, o que alterou algumas coisas na nossa logística, mas já sabemos onde erramos e vamos trabalhar para que isso não se repita. Nós estamos fazendo as nossas primeiras análises para trabalhar em cima disso, a ideia realmente é não mudar ninguém, trabalhar em cima dessa mesma equipe, desse mesmo prisma que está dando certo, prezo muito pelo entrosamento da equipe. Todas as notas de quesito coletivo funcionaram muito bem, já estamos pensando em 2019 – afirmou.

O desfile da Mocidade terminou a luz do dia, por conta do acidente com o último carro da Grande Rio, que atrasou o restante do domingo de carnaval. Rodrigo pensa que esse atraso atrapalhou a agremiação em determinados momentos e que torce para que isso não aconteça, pois nenhuma escola merece passar o que a Grande Rio passou.

mocidade_desfile_2018_67– A festa é programada, você se prepara para um determinado horário, tem todo um trabalho específico, sua concentração focada naquele horário e quando acontece um atraso, complica muito para as escolas que irão fechar o dia, acaba fazendo uma grande diferença. Tive componentes saindo 8h da manhã da Sapucaí e chegando em casa às 10h. A gente entende que não é algo premeditado, graças a Deus ninguém se feriu, mas é lamentável pois o espetáculo não é aquilo, nós não queremos que isso aconteça com nenhuma escola. Isso demonstra cada vez mais a precariedade que temos para apresentar o espetáculo, é muito difícil. Temos uma série de obstáculos e ganha quem consegue superar todos – disse.

Rodrigo Pacheco foi só elogios ao ser indagado sobre a continuidade de Wander Pires, intérprete oficial da escola. Também disse que se depender da escola, Wander canta em Padre Miguel até decidir se aposentar, dando ao dono do microfone oficial status de ídolo.

– O Wander representa muito pra escola, a gente tem aquela ligação com ele, quem ouve o Wander cantando em outro escola, lembra da Mocidade. Quando eu sentei com o Wander para falar sobre o retorno dele para a escola, uma das coisas que eu disse pra ele e que quero que aconteça, é que ele fique com a gente até a hora dele decidir parar. Que seja a volta para ficar e que não tenha mais nenhuma interrupção e está tudo se caminhando para isso – finalizou.