Rolo compressor tijucano está afiado para o desfile no Carnaval 2018

Por Geissa Evaristo. Fotos: Magaiver Fernandes

tijuca_ensaio1801_-76Uma das escolas mais competitivas do carnaval, que liderava o ranking da Liesa até o desfile de 2017, a Unidos da Tijuca mostrou em seu ensaio de rua que já esqueceu de vez o triste carnaval passado, no qual o acidente com uma alegoria em plena Avenida destruiu o sonho do campeonato tijucano, transformando um momento de alegria em dor e desespero. A escola passou uma borracha nos acontecimentos de 2017 e está completamente focada em seu próximo desfile que irá homenagear Miguel Falabella.

Agremiação que vinha realizando grandes ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, chegando a ser apelidada de “novo rolo compressor” desde o Carnaval 2012, mostrou no seu ensaio de rua que ainda faz jus ao adjetivo recebido e realizou um ensaio tecnicamente perfeito. A escola ainda possui mais três treinos antes do desfile oficial na Avenida, quando será a primeira escola a pisar na Marquês de Sapucaí na segunda-feira de carnaval com o enredo “Um coração urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”. Para o diretor de carnaval, Fernando Costa, ainda há alguns ajustes e detalhes a serem efetuados antes do grande dia. De acordo com ele, o ensaio contou com aproximadamente 2.500 de 3.500 componentes que estarão na Avenida. A agremiação doará 100% das fantasias para a comunidade.

tijuca_ensaio1801_-75– Estamos no processo de evolução até o desfile. Queremos chegar o mais próximo dos 100%, mas tem que ser lá na Avenida. Temos que ajustar mais o andamento, a escola precisa evoluir mais, o canto também pode melhorar. Conheço meus componentes e sei que eles podem muito mais. A gente que tem uma rua pra ensaiar não sente tanta falta do ensaio na Marquês de Sapucaí. A ausência maior é para o povo, é um show, eles mereciam essa festa. Aqui se eu errar eu posso parar e voltar, posso ficar duas horas ensaiando, lá se eu fizer isso serei criticado. Na Avenida é bom para a bateria que tem dois recuos para ensaiar, por exemplo – avalia Fernando Costa.

Samba-Enredo

Inflamada pelo grito de guerra do intérprete Tinga, a escola começou seu ensaio de forma avassaladora. Lágrimas de tristeza passaram longe, o que se viu foi uma Tijuca feliz e com muita vontade de disputar o campeonato. A escola tem uma característica que é de conseguir fazer sambas-enredo que se encaixam perfeitamente na voz do componente tijucano. Muito bem conduzido por Tinga, que vive o melhor momento de sua carreira, o samba-enredo da Unidos da Tijuca possui nuances melódicas, que são perfeitamente adequadas ao canto e a dança. O samba busca, ainda, força na própria superação da escola (“As lágrimas de outrora já não rolam mais”). O samba-enredo, que não é dos mais aclamados pela crítica carnavalesca, mostrou que no aspecto de funcionalidade para desfile (canto e dança) é excelente e provou na pista do que é capaz. Tinga e seu carro de som tiveram atuação impecável. Mas é bom lembrar que o julgamento de samba-enredo se dá por letra e melodia, não somente por como ele é recebido por público e comunidade.

tijuca_ensaio1801_-63– Temos um grande samba que é divertido, alegre que vai mais uma vez levar a escola ao seu objetivo maior que é ganhar o carnaval. A comunidade está muito feliz com o samba 2018. A diferença de se ensaiar na rua e não na Sapucaí é que aqui não é o campo de jogo, mas ensaiamos à vera, sempre com muita seriedade, esperando fazer o melhor no ensaio para arrebentar no dia do desfile – declara o intérprete Tinga, cantor da escola desde o ano de 2014.

Harmonia

O entrosamento do carro de som com a bateria e os componentes cantando o samba em perfeita igualdade define o quesito Harmonia. No que depender do ensaio de rua da Unidos da Tijuca o quesito será nota dez. Aula de canto da comunidade da Tijuca. Se existir um manual da nota 10 no quesito ele foi redigido no Borel. O componente da escola cantou com o pulmão cheio o samba da Unidos da Tijuca. Não há como elencar apenas uma ala que teve o canto destacado. Há de se destacar que o canto da escola se dá de forma uniforme, mesmo as alas distantes do carro de som. Canto homogêneo e forte.

Evolução

tijuca_ensaio1801_-47A evolução também ocorreu de forma perfeita. O treino durou 71 minutos. As alas ocuparam toda a extensão da rua e nem o excesso de alas coreografadas atrapalharam o andamento do ensaio. Em todos os aspectos, se a Tijuca repetir o que fez em seu ensaio no seu desfile, certamente irá gabaritar o quesito. No que tange ao ritmo de desfile a perfeição com uma sequência coesa, sem correria nem lentidão excessivas. Com relação à espontaneidade do componente, aquele conhecido padrão tijucano, com a escola “gritando” na Avenida. Algumas alas levaram adereços para compor a evolução. A primeira ala da escola evoluiu com guarda-chuva e ala 5 com balões. Nos trechos do samba “Quando a luz acender e o céu clarear” toda as alas fazem o mesmo movimento com as mãos para o alto.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Marcelino e Jack Peçanha, o desfile de 2018 será novidade. É a estreia da dupla como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação do Morro do Borel. Com uma indumentária simples, a nova dupla mostrou total entrosamento no ensaio de rua. O casal fez as simulações das cabines de julgadores ensaiando entrada e saída de jurados e coreografia oficial. Com precisão nos passos e transmitindo leveza e muita segurança, Alex e Jack buscarão com força os 40 pontos no quesito. Sem esconder o jogo, a dupla ensaiou pra valer a dança oficial do dia, utilizando peso preso aos pés para simular a sobrecarga da fantasia. Nos trechos “Toma lá da cá” e “Pé da Cova” eles fazem uma coreografia em cima da letra do samba-enredo. Em todas as simulações de cabines a dupla apresentou coreografia precisa e sem erros.

tijuca_ensaio1801_-44– É obrigação tirar a nota 40 sim, e pra isso a gente trabalha muito, porque a responsabilidade é grande. Estamos felizes com a aposta do presidente Fernando Horta e pra isso trabalhamos para obter a pontuação máxima. O ensaio de rua é sério, é uma preparação árdua para o desfile. Não escondemos a coreografia porque quanto mais ela estiver dentro da gente, mais ela vai sair naturalmente – explica Alex Marcelino.

Comissão de Frente

A Unidos da Tijuca realizou uma importante alteração na sua equipe restando poucos meses para o carnaval. A agremiação não contará mais com os serviços do coreógrafo Alex Neoral, que assumiu a função desde a saída da dupla Priscilla Motta e Rodrigo Neri, depois do desfile de 2014. O novo comandante do segmento é Renato Vieira, no entanto, a comissão de frente não participou do treino realizado na rua na noite de quinta-feira.

Bateria

tijuca_ensaio1801_-61O bom desempenho nos últimos carnavais e também durante os mais de 30 anos em que faz parte da Unidos da Tijuca deixam Casagrande, mestre da bateria Pura Cadência, completamente à vontade para o desfile. Seus 272 ritmistas sustentaram todo o ensaio. As notas máximas alcançadas no quesito fazem da bateria um dos maiores trunfos da escola para o desfile. Para o mestre, o ditado é claro e muito utilizado em qualquer competição: “em time que está ganhando, não se mexe”. Essa é a ordem do mestre de bateria da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2018 que está tranquilo com a avaliação do quesito.

– Foi um ensaio mágico, a presença do Miguel Falabella contagiou. Não tenho nem mais o que falar dos meus ritmistas. Vamos fazer três convenções musicais dentro da linha melódica do samba. Não faço coreografia, aqui na Tijuca quem faz coreografia é só ala coreografada. Na minha concepção a bateria tem que tocar para a escola desfilar. O menos é mais, sempre. Lá na Sapucaí é como se fosse jogo de Maracanã, mas infelizmente não tivemos a oportunidade de treinar lá neste ano, mas a rua nos satisfaz. A bateria sabe todos os atalhos e estamos bem preparados. A gente não está preocupado com o campeonato, esse ano quero que a escola brinque o carnaval, seremos a primeira a entrar na Avenida. Acredito que a Tijuca foi muito feliz com esse enredo e a escola está dando uma resposta muito positiva para o homenageado que é um sambista, de verdade – analisa o comandante da bateria.

tijuca_ensaio1801_-53Outros destaques

Figura presente na Marquês de Sapucaí, principalmente nos anos 90, onde foi carnavalesco da Império da Tijuca, Miguel Falabella, o grande homenageado através do enredo, circulou toda a escola, desde o carro de som à bateria e mostrou que está completamente integrado com a comunidade. Não faltou samba na ponta da língua e na ponta do pé para o homenageado que no final do trajeto, se jogou nos braços do povo.

Outro destaque foram as alas “Gaiola das Loucas” e “Império, o Musical”. As coreografias de ambas contagiaram o público que acompanhou o treino. A ala de passistas também arrebentou, apesar de estar posicionada distante da bateria, diferente da posição de costume. Rainha de bateria, a atriz Juliana Alves, que recentemente foi mãe, irá para o seu sexto desfile na agremiação e marcou presença exibindo sua beleza e seu carisma, mostrando que seu reinado vai além dos 75 minutos de desfile.