Rumo ao quarto desfile pela Imperatriz, Junior Escafura diz que a escola se tornou mais alegre e faz sugestões para o quesito harmonia

imperatriz_ensaio0701_-3Houve um tempo que a Imperatriz Lepoldinense colecionava antipatia na mesma medida que enfileirava troféus. Eram os tempos da “certinha de Ramos”. Entre 1994 e 2001 foram cinco campeonatos dos oito que a escola conquistou. Os tempos mudaram, a Imperatriz não vence desde então mas o ranço dos sambistas hoje é quase zero com a escola.

A reportagem do CARNAVALESCO conversou com uma das peças mais importantes da engrenagem da escola. Contratado após o desfile de 2014, quando um belíssimo conjunto plástico se perdeu devido a erros primários de harmonia e evolução, Junior Escafura, mesmo tendo tido uma relação muito forte com a Portela, foi dando sua cara à escola e conseguindo resultados. Escafura revela que a escola não precisa ser sisuda para ser competitiva.

– Cheguei na Imperatriz com uma responsabilidade enorme. É uma escola de harmonia. Vários profissionais hoje consagrados passaram pela verde e branca. Sempre existiu a alcunha da escola que não erra. O que eu acho que trouxe para cá foi um pouco mais de alegria e espontaneidade, sem perder o olhar de fazer o que é preciso para vencer. Estamos no caminho certo – diz.

Junior Escafura tem personalidade para apontar o que em sua visão pode ser melhorado no quesito harmonia. Segundo ele, o conceito do julgamento hoje mudou e o futuro pede uma reformulação na forma de se julgar um dos mais tradicionais quesitos do carnaval.

imperatriz_final2018_-29– Acho que dá para julgar de cima, mas buscando uma perfeição seria interessante se os jurados pudessem descer para confirmar se o canto está satisfatório. A Lierj tomou uma medida que achei muito acertada, que foi dividir a nota entre o carro de som e o canto da escola. Quem sabe futuramente o carro de som não vira um quesito? O carnaval é dinâmico – opina.

Escafura considera que os quesitos evolução e harmonia hoje ficam sob a responsabilidade das equipes de harmonia das agremiações. O dirigente afirma que é importante se inteirar da opinião dos jurados com relação à todas as escolas.

– Eu leio todas as justificativas do quesito incluindo Série A. Tudo é aprendizado. às vezes fica complicado entender algumas coisas, embora eu respeite. O quesito propriamente dito nos dias de hoje está sendo muito observado pela evolução. As escolas hoje perdem muito mais pontos vinculados ao carro de som do que alas sem canto, até porque são muitos ensaios. Perdemos ponto ano passado no quesito pois o julgador entendeu que o microfone do Arthur Franco estava mais alto. É difícil compreender, pois o cantor oficial tem de ter a sonorização mais alta – reclama.

Houve um tempo em que os diretores de harmonia estavam mais para capatazes do que para integrantes de escolas de samba, lugar onde a alegria precisa reinar. Scafura revela o que na visão dele uma boa equipe de harmonia precisa desempenhar para almejar o sucesso.

– A disciplina é fundamental. Seja na quadra ou na avenida temos de ter a consciência de que somos os primeiros a entrar e os últimos a sair. A harmonia da Imperatriz é moderna, cresci acompanhando os mais antigos. Me formei na Portela onde aprendi tudo. O diretor de harmonia tem de ser parceiro do componente, não deve ser sisudo – finaliza Escafura.