Saiba todos os detalhes da final do Paraíso do Tuiuti

De volta ao Grupo de Acesso A, o Paraíso do Tuiuti escolhe nesta sexta-feira, a partir das 22h, o samba que levará para a Avenida no Carnaval 2012. São quatro obras na disputa e você ficará sabendo de cada detalhe da final de samba-enredo da agremiação de São Cristóvão. O enredo, 'A tal mineira', falará sobre a obra musical e o legado cultural deixados pela cantora Clara Nunes. Campeã do Grupo de Acesso, em 2000, a escola será a primeira a entrar na Avenida na noite de desfiles da divisão de acesso à elite do carnaval carioca.

Ouça os sambas finalistas

Parcerias

A final do Paraíso do Tuiuti revela um cenário animador para a escola. Entre as quatro postulantes ao direito de ter o samba cantado pela escola na Sapucaí em 2012, a tradição dos antigos bons compositores e a promissora nova geração estarão presentes. É o que você poderá conferir nas entrevistas abaixo.

Samba 6 – (Luis Caxias, Márcio, Betinho do Cavaco, Jailtonguinho e Domênico)

Como está a expectativa para sexta?
Betinho do Cavaco: Estou bastante ansioso. Todos os anos vou para a final, mas sempre é uma emoção diferente. Este ano, temos certeza que fizemos um trabalho correto e a esperança na vitória é grande.

Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
Betinho do Cavaco: Sim. Acreditamos porque sempre buscamos fazer uma obra de qualidade. A diretoria já conhece o nosso trabalho e alcançamos a decisão mais uma vez.

Alguém da parceria já foi campeão no Tuiuti ou em outra escola?
Betinho do Cavaco: Ganhei em três oportunidades, uma delas em 2008(samba sobre Cartola), mas cheguei na final em diversas ocasiões, uma dez. Faço samba no Tuiuti desde 1994. Além disso, tem o Luis Caxias, que foi campeão na escola em 2010.

Qual é a sua relação com a escola?
Betinho do Cavaco: Já estou no Tuiuti há 20 anos. Era cavaquinista e passei a cantar no carro de som no último carnaval.

Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
Betinho do Cavaco: Fizemos o bruto do samba em uma semana e depois fomos lapidando, alterando algumas palavras até ficar no ponto ideal. Nos reunimos na casa do Deivid da Penha e também na do Luis Caxias.

Qual é ponto alto do samba?
Betinho do Cavaco: Na minha opinião é o refrão principal. Pegamos a ideia da música 'Um ser de luz' e modificamos um pouco. Acho que essa parte do samba é bem emocionante.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Betinho do Cavaco: Vamos gastar ao todo cerca de quatro mil reais e pretendemos dois ônibus de Duque de Caxias para torcer pelo samba. Estamos tentando levar três, mas levar dois já é garantido. Fora os amigos que sempre estão presentes e nos ajudam.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Betinho do Cavaco: É complicado apontar um concorrente, mas o que sei é que todos tem condições de ganhar. Se chegaram na final é porque possuem qualidade.

Quem cantará o samba na final?
Betinho do Cavaco: O Wantuir e o Lico Monteiro.

Samba 8 – (Jurandir, Anibal, Adauto Alves, Reza e Pelé)

Como está a expectativa para sexta?
Jurandir: Estamos muito animados e contentes. Eu acho que quando fazemos um bom samba, sempre achamos o nosso filho o melhor. Nós trabalhamos duro e conscientes da qualidade da nossa obra.

Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
Jurandir: A intenção sempre foi essa. A nossa é meta é vencer e se vamos conseguir o objetivo só saberemos depois. Com o decorrer da disputa você vai analisando as possibilidades e avaliando as suas chances. Considero que temos boas chances.

Algum compositor da parceria já foi campeão no Tuiuti ou em outra escola?
Jurandir: Já venci quatro vezes no Paraíso do Tuiuti: 2009, 2005, 2000 e 1998. Cinco na Imperatriz, entre elas em 1989 ('Liberdade, liberdade') e na Unidos da Tijuca em 2004 também. O Reza e o Pelé foram parceiros em outras vitórias também.

Qual é a sua relação com a escola?
Jurandir: Frequento a escola desde criança, sou nascido na Barreira do Vasco, que é bem próximo e era compositor de um bloco em São Cristóvão. Depois fui para o Tuiuti e, quase ao mesmo tempo, comecei a fazer sambas para a Imperatriz.

Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
Jurandir: Foi até engraçada a formação dessa parceria. Aconteceu de forma muito curiosa, nos encontramos na apresentação do Celinho, no clube São Cristóvão Imperial, e começamos a pensar na hipótese de escrever um samba. Pegamos a sinopse, que foi entregue no mesmo dia, e marcamos de nos encontrar posteriormente. Quando nos encontramos, cada um já tinha a sua parte do samba feita. Mostramos para o Jack Vasconcelos e ele pediu que mudássemos algumas coisas que não estavam dentro do propósito do enredo. Mudamos e a obra ganhou corpo.

Qual é o ponto alto do samba?
Jurandir: O refrão principal: '' Hoje eu vi uma estrela no céu, sorrindo pro morro do meu Tuiuti''. Essa parte toca forte no coração do componente e é emocionante.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Jurandir: Acho que São Cristóvão inteiro vai estar lá(risos). Tenho tantos amigos no bairro que já sabem que faço samba que o número de pessoas vai aumentando a cada fase da disputa. Nem corro mais atrás. Somente cobro daqueles que dizem que o samba é bom e que estarão presentes na final. A final chegou! Sobre o valor a ser gasto, eu não me meto muito nisso. Na nossa parceria cada um tem o seu papel bem definido.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Jurandir: Respeito todos os concorrentes, inclusive já fui parceiro de compositores adversários nessa final, mas acredito muito no nosso samba.

Quem cantará o samba na final?
Jurandir: Ciganerey e, talvez, o Luizinho Andaças também. Estamos vendo se é viável.

Samba 9 – (Thiago Meiners, André Kaballa, Kfé Bernardes, Wilson Bizzar e Gaguinho)

Como está a expectativa para sexta?
Thiago Meiners: Estamos ansiosos. Desde que resolvemos voltar a disputar no Tuiuti queríamos muito essa final. Em 2010, disputamos pela primeira vez na escola, tinha apenas 17 anos, e fomos bem recebidos por todos. Não concorremos no último carnaval porque a escola voltou para o morro e nossa parceria é formada por meninada. Agora estamos de volta. Já sabíamos que seriam quatro sambas na final e, inicialmente, nem pensamos em vencer, mas estar na final sempre foi um objetivo.

Alguém da parceria já foi campeão em outra escola?
Thiago Meiners: O André Kaballa foi campeão na Renascer em 2011 e chegamos na final do Tuiuti em 2010, está é a nossa segunda final na escola. O Wilson Bizzar ganhou alguns sambas em Nova Friburgo, mas aqui no Rio ainda não.

Qual é a relação com a escola?
Thiago Meiners: Começamos no Tuiuti por causa do André, um amigo nosso que era desenhista da escola e nos chamou . Fazíamos samba no carnaval virtual e resolvemos entrar no carnaval real. Gostamos muito do Paraíso do Tuiuti. Nos sentimos em casa na escola.

Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
Thiago Meiners: Demoramos duas semanas para fazê-lo. Nos encontramos na Cidade do Samba na primeira vez, em frente ao barracão da Vila, e depois que terminamos de fazer, gravamos uma demo para ver como estava. Posteriormente nos encontramos num bar, no Centro do Rio e na casa do Tiãozinho Cruz, que sempre canta os nossos sambas  e nos ajuda com opiniões relevantes. Já fazemos o samba pensando na voz dele.

Qual é ponto alto do samba?
Thiago Meiners: É o refrão principal. Até mudamos ele de última hora. Estávamos achando estranho, mas agora ficou no ponto.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Thiago Meiners: A expectativa é levar 150 pessoas em média. Nenhuma parceria tem levado uma quantidade absurda não. Vamos levar três ônibus, fora os amigos e parentes que sempre vão nos prestigiar. Gastamos até agora uns seis mil reais, talvez esse número chegue a oito mil reais na final.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Thiago Meiners: Sempre esperamos esse quatro sambas na final. O samba do Aníbal é o favorito para mim, até porque a parceria tem muita tradição na escola e é um samba bem legal.

Quem cantará o samba na final?
Thiago Meiners: Tiãozinho Cruz e, talvez, o Evandro Malandro.

Samba 12 – (Eric Souza, Zezé, Tico da Miquinha, Jaime e Geninho)

Como está a expectativa para sexta?
Eric Souza: A expectativa é a de que façamos a melhor apresentação. Não que as anteriores tenham sido ruins, mas na final colocamos mais garra e o nosso pessoal já está na expectativa.

Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
Eric Souza: Com certeza, sem desmerecer as outras parcerias, mas sou de uma geração que faz samba refinado. Não fazemos samba usando a caixinha de fósforos. Sou músico. Prezo muito a melodia do samba. A letra, o outro pessoal da parceria dá uma guaribada. Sempre tentamos fazer um samba pequeno com melodia boa e refrão pequeno. É um samba diferente. O nosso refrão tem apenas três linhas e tem uma melodia muito gostosa.

Alguém da parceria já venceu no Tuiuti ou em outra agremiação?
Eric Souza: Disputo desde 2000, ganhei em 2005 e sou o atual campeão. Além disso, já disputamos em diversas outras escolas: Mangueira, Império Serrano, Vizinha Faladeira. Já fui campeão também no Acadêmicos do Sossego, no Foliões de Botafogo e no Canários das Laranjeiras.

Qual a sua relação com a escola?
Eric Souza: Era algo inevitável de acontecer. Morava no bairro quando eu era criança e comecei a frequentar a escola com 12 anos de idade. Eu e minha família temos uma longa história dentro do Tuiuti, torcemos pela escola. A Zezé, que também assina o samba, é minha mãe e passou por diversos segmentos antes de ser compositora. Eu, sempre fui músico, tinha grupo de pagode e já desfilei na bateria, quando o Thor era mestre, e fiz parte do carro de som juntamente com o Ciganerey. Teve um ano, inclusive, que fomos responsáveis pela confecção de praticamente 80% das fantasias do Paraíso do Tuiuti.

Onde o samba foi e quanto tempo demorou?
Eric Souza: Demorou um pouco para ser feito sim. Estávamos muito envolvidos com a disputa de samba na Mangueira, mas eu já tinha essa melodia na cabeça. Demoramos duas semanas para fazê-lo e, na hora da gravação, demos alguns retoques, o que é algo que todos os compositores fazem. Entendemos que a escola precisa ter um samba pequeno e de fácil acepção do público. É a primeira escola a desfilar num grupo onde só tem gente grande. Quase todas as escolas já foram do Grupo Especial. Duas passadas do nosso samba não dá nem cinco minutos. O pessoal da nossa torcida brincou, dizendo que nem precisavam do cd para aprender a cantar.

Qual é o ponto alto do samba?
Eric Souza: Os dois refrões. Melodia e letra se encaixam perfeitamente e produzem um gingado muito gostoso.

Pretendem levar quantas pessoas para torcerem pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Eric Souza: Cerca de 100 pessoas, mas a nossa torcida é formada em sua grande maioria por familiares e conhecidos. Gastamos por semana uma média mil e duzentos reais.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Eric Souza: Na minha opinião verdadeira todos os sambas tem condições, mas aponto alguns pontos fracos. O samba do André Kaballa e Thiago Meiners é muito grande e abrange muitas coisas, quando se fala de uma personalidade isso não pode acontecer, as pessoas acabam perdendo o foco. No samba do Luis Caxias não me agrada o refrão, parece imitação, lembra muito a música em homenagem à Clara Nunes ('Um ser de luz'). Não está caracterizado o plágio, mas dá a entender, acho que faltou criatividade. O samba do Jurandir é muito bom, mas ainda confio mais no meu.

Quem cantará o samba na final?
Eric Souza: Eu mesmo. Sempre interpretei os sambas que fui campeão.

Expectativa da diretoria

Satisfeito com o nível das obras que disputam o direito de ser o samba-enredo do Paraíso do Tuiuti em 2012, o diretor de carnaval, Paulo Brandão, explica o que foi analisado nos postulantes ao título para que pudessem chegar à grande decisão desta sexta-feira.

– Desde que vim para o Tuiuti é a melhor safra. Foi muito difícil chegar nesses quatro finalistas. Além da qualidade ter sido alta, contamos com diversos compositores de renome na nossa disputa, mas analisamos o enquadramento da obra com o enredo, a melodia e, é claro, as apresentações durante a disputa. Qualquer um deles pode vencer.

A escola de São Cristóvão quer acabar de uma vez por todas com o estigma de ioiô, que acabou atormentando sua vida nos últimos dez anos. Foram dois rebaixamentos para o Grupo de Acesso B, numa década que começou muito promissora, já que o Tuiuti esteve no Grupo Especial em 2001. O que a diretoria da agremiação parece não querer mudar e tem razão para isso, é a preocupação em levar para a Avenida enredos de extrema relevância cultural. Nos últimos anos, Eneida de Moraes, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso, Cândido Portinari, Ricardo Cravo Albim, Cartola e o Cassino da Urca foram homenageados pelo Tuiuti.

– O carnaval é cultura. Se não for isso, deixa de ser carnaval. O presidente Thor tem consciência das dificuldades financeiras que qualquer escola do Grupo A passa, mas sempre se preocupa em levar enredos relevantes para a Sapucaí. Essa é a cara do Tuiuti. Somos uma escola de samba de comunidade. Clara Nunes é um dos maiores ícones da nossa cultura e tem peso para abrir o desfile de sábado. Vamos buscar um samba forte para levantar e emocionar a Avenida – afirmou Paulo Brandão.

O jovem diretor de carnaval do Tuiuti adiantou também que toda a diretoria e segmentos votam na escolha do samba, mas que a palavra final sempre é dada pelo presidente Renato Thor. Outra informação confirmada é a volta dos ensaios técnicos da escola no Campo de São Cristóvão, como já era tradição do bairro, sempre nas noites de segunda-feira. Paulo lembrou a importância dos treinos.

– Quando se está no Grupo A é muito importante ensaiar na rua. As dimensões da escola crescem e você precisa adequar a sua comunidade a esta realidade. O nosso desfile de 2011 nos mostrou a força da comunidade do Tuiuti. Entramos na Avenida ás sete da manhã e demos um show, muitos até falam que foi o melhor desfile do ano. Vamos nos preparar para melhorar ainda no próximo carnaval.

Regras

A ordem de apresentação dos sambas e as regras já foram definidas. Serão duas apresentações por parceria. Primeiro os sambas concorrentes serão cantados pelo intérprete oficial da escola, Daniel Silva. Será uma passada sem bateria e três com bateria para cada concorrente. Depois, cada concorrente subirá ao palco com seu respectivo interprete e a apresentação terá duas passadas sem bateria, quatro com bateria, duas passadas somente com a torcida cantando e mais quatro com a bateria para encerrar.

Ordem de apresentação

1º – Samba 8 (Jurandir e Parceria)
2º –  Samba 6 (Luis Caxias e Parceria)
3º – Samba 9 (André Kaballa e Parceria)
4º – Samba 12 (Eric Souza e Parceria)

 Programação
22h – Abertura com os cantores da casa e grande show com os segmentos. Apresentação oficial do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Douglas e Ana Beatriz
23h30 – Primeira apresentação dos sambas concorrentes
1h – Segunda apresentação dos sambas concorrentes
4h- Previsão de anúncio do samba campeão

Preços

A entrada custará cinco reais durante a noite toda. Quem quiser, pode reservar uma mesa com quatro lugares. O valor é vinte reais e a reserva deve ser feita através do telefone: (21) 9340-6282.

Como chegar?

A nova quadra de ensaios do Paraíso do Tuiuti fica na rua São Luiz Gonzaga, número 1.612, próximo ao Largo do Pedregulho, em São Cristóvão. Para quem vai de ônibus existem algumas opções partindo do Centro da cidade. Em todas elas é preciso descer do coletivo no Largo do Pedregulho e andar cerca de 40 metros até a quadra.

Confira as linhas
277 – Praça XV – Rocha Miranda (Via São Cristóvão)
261 – Praça XV – Marechal Hermes
298 – Castelo – Cavalcanti

Para quem vai de táxi, fica a dica. Em bandeira 2, forma de cobrança após às 21h, uma corrida do Centro do Rio até a quadra do Tuiuti custa entre R$ 15,00 e R$ 25,00. A escola não possui estacionamento próprio.