Saiba tudo sobre a final da Porto da Pedra

Após sofrer algumas críticas em razão da escolha do seu enredo para o Carnaval 2012, 'Da seiva materna ao equilíbrio da vida', que abordará, entre outras coisas, a qualidade proveniente da manipulação do leite, a Unidos do Porto da Pedra escolhe nesta sexta-feira, a partir das 22h, em sua quadra de ensaios do Vila Lage, em São Gonçalo, o samba que servirá de trilha sonora para o próximo desfile da Vermelho e Branco. Com quatro parcerias na final, o Tigre de São Gonçalo buscará em 2012 melhorar as suas últimas colocações e tentar voltar ao desfile das campeãs, onde esteve pela última vez em 1997.

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Parcerias

Samba 07 – Miguelzinho, João Paulo, Duda SG, Celinho, Eric Costa, Sidney Ribeiro e Alexandre Villela

Como está a expectativa para a final?
Miguelzinho: É enorme, a melhor possível. Sabemos que o nosso samba está bom, sem desmerecer os outros. Acredito que o mais importante é que  samba campeão na Porto da Pedra será de alguém que faz parte da ala dos compositores. Cada um aposta no seu, mas a nossa esperança é muito grande. Faço questão de lembrar também o ambiente de amizade em que essa disputa foi pautada. Todos se respeitaram demais e seja qual for o resultado vamos abraçar a obra campeã

Acreditava que estaria na final desde o começo da disputa?
Miguelzinho: Não. Nós, na verdade, não pensamos desta maneira. O trabalho é de superação e conseguimos vencer cada etapa dessa disputa. Não podemos nos preocupar com os outros, temos que fazer o nosso bem feito. Foi legal ver também a evolução do samba dentro da quadra, a comunidade o abraçou e ele cresceu bastante. Agradecemos bastante o apoio de quem esteve na quadra durante a disputa.

Onde o samba foi feito e quanto tempo demorou?
Miguelzinho: Fizemos ele aqui em São Gonçalo, no bairro do Mutondo e os sete autores participaram da composição. Não teve esse negócio de só colocar o nome não. Passamos duas semanas fazendo o samba e o aperfeiçoamos em 15 dias.

Alguém da parceria já foi campeão na Porto da Pedra ou em outra agremiação?
Miguelzinho: Campeões não, mas já fomos finalistas no concurso de samba de quadra e alguns já foram finalistas em outras escolas.

Qual é o ponto alto do samba?
Miguelzinho: A segunda parte. Os refrões são fortes e curtos e compreendem também a melhor parte do samba. Acho que ele como um todo está bom.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Miguelzinho: Cerca de 200 pessoas. Até o momento gastamos cerca de 13, 14 mil reais, tudo dividido entre os parceiros.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Miguelzinho: Não gostaria de apontar. Todos tem condições.

Qual é a sua ligação com a Porto da Pedra?
Miguelzinho: Estou há cinco anos na Porto da Pedra. Cheguei na escola na disputa de samba de quadra e assumi a presidência da ala de compositores no ano passado, de forma interina. Depois, em chapa única, fui indicado á presidência pelos colegas e estou até hoje.

Quem cantará o samba na final?
Miguelzinho: Será o Carlinhos Pavarotti, que considero a revelação do samba no Rio de Janeiro, ao lado do Sid GBB, João Paulo e Duda SG.

Samba 09 – Vadinho, Fernando Macaco, Tião Califórnia, Cici Maravilha, Bento, Denil e Oscar Bessa

Como está a expectativa para a final?
Fernando Macaco: A expectativa é sempre vencer, estou na escola há 13 anos e conheço bem a Porto da Pedra, mas final é final. Devido a aceitação da quadra com o nosso samba, a procura dos componentes para nos elogiar, eu estou confiante.

Acreditava que estaria na final desde o começo da disputa?
Fernando Macaco: Sim. Pela dificuldade em descrever esse enredo, nós tivemos uma grande felicidade na composição. Não tínhamos a certeza, mas a confiança que chegaríamos na final.

Onde o samba foi feito e quanto tempo demorou?
Fernando Macaco: Ele foi feito em umas quatro ou cinco reuniões nas casas de um, de outro. Acredito que, num prazo de 20 dias, nos reunimos umas seis vezes.

Alguém da parceria já foi campeão na Porto da Pedra ou em outra agremiação?
Fernando Macaco: Na nossa parceria ninguém venceu em outra escola não. Na Porto da Pedra, o Vadinho ganhou em 1997 e 2006. Eu e o Bento estávamos na parceria também em 2006.

Qual é o ponto alto do samba?
Fernando Macaco: Isso é cruel responder. É a mesma que perguntar para o pai qual filho que ele gosta mais(risos), mas acho que o refrão de baixo ficou muito bom.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Fernando Macaco: Os gastos vão de 28 a 30 mil reais. Estamos levando cinco ônibus com torcida, mas deveremos levar mais na final.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Fernando Macaco: Todos eles. Os quatro estão em guerra(risos).

Qual é a sua ligação com a Porto da Pedra?
Fernando Macaco: Eu desfilava na Vila Isabel, em ala, e depois o parceiro Beto Grande me chamou para conhecer a escola. Gostei e daqui não saio mais

Quem cantará o samba na final?
Fernando Macaco: Nêgo, Gera, Pêpe Niterói e Cici Maravilha.

Samba 12 – Dadinho, Evaldo, Waldeir Melodia, Miltinho, Jedir Brisa e Manolo

Como está a expectativa para a final?
Evaldo: Sempre é a melhor possível. Fizemos um trabalho tecnicamente correto. Contamos com o aval da diretoria e do carnavalesco na hora de acertar o samba. O Roberto Szaniecki, inclusive, teceu alguns elogios. O trabalho musical também foi consciente, montamos um palco de qualidade e fizemos um trabalho de quadra à altura da escola. Estamos acreditando no título. Chegar à final é muito difícil e, a partir daí, confiamos no título.

Acreditava que estaria na final desde o começo da disputa?
Evaldo: Acreditei logo no início. Assim que fomos tirar as dúvidas o samba foi todo aprovado pelo Roberto Szaniecki e depois conseguimos fazer uma gravação de qualidade. Na quadra, houve muita aceitação. É um samba diferente dos outros. Exploramos o enredo de uma forma diferente.

Onde o samba foi feito e quanto tempo demorou?
Evaldo: Na verdade, ficamos duas semanas com ele parado. Saímos da explanação do enredo com uma ideia de refrão que usaria a frase que é exigida pelo enredo. Depois começamos a fazer o esboço dele e três dias depois sentamos para definir. Só precisamos mudar uma palavra, a pedido do Roberto Szaniecki.

Alguém da parceria já foi campeão na Porto da Pedra ou em outra agremiação?
Evaldo: Fui campeão na Porto da Pedra em 1999 e 2002. Na Viradouro em 2006 e 2008. O Dadinho venceu seis vezes na Viradouro (1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2006) e o Waldeir em 2006, também na Viradouro.

Qual é o ponto alto do samba?
Evaldo: A parte que diz: 'Vestindo a pele com sedução exala o cheiro da paixão', fala dos cosméticos. Sem contar o refrão principal, que resume bem o enredo e usamos uma solução bem legal.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Evaldo: A questão financeira eu não estou muito por dentro, tem outra pessoa que cuida dessa parte, mas deveremos levar umas 200, 300 pessoas para a final. A nossa torcida tem muita gente que mora perto da quadra, que vão por conta própria, então a nossa torcida deve chegar a 500 pessoas.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Evaldo: Todos eles são fortes. Na final não existe adversário fraco. Talvez o presidente já tenha algo definido, alguma preferência, mas acho que todos são bons.

Qual é a sua ligação com a Porto da Pedra?
Evaldo: Eu era de escolas de São Gonçalo mesmo, mas nunca tinha sido compositor. Sempre dei pitaco, mas nunca havia assinado um samba. Em 1994, o meu parceiro Jedir Brisa me chamou para compor um samba para a Porto da Pedra e, na minha casa, tomando um vinho e assistindo a Copa do Mundo fizemos um samba. Fiquei na Porto direto e, em 2005, a escola reeditou, então fui para a Viradouro. Permaneci lá até a escola perder a boa estrutura que tinha, mas nunca deixei de fazer samba para a Porto da Pedra, só não assinava e voltei a assinar este ano.

Quem cantará o samba na final?
Evaldo: O Leonardo Bessa. Na última terça-feira ele não pôde estar presente, devido aos compromissos com o Salgueiro, mas na final estará conosco.

Samba 14 – Jorge Remédio, Dr. Jairo, Carlinhos Maciel, Marcelo Poesia, Luizinho, Claudinho e Cristiane Mazarim

Como está a expectativa para a final?
Jorge Remédio: Na correria para fazer um trabalho bonito na quadra. Estamos consciente da qualidade da obra e agora é esperar o resultado. Vamos fazer um grande trabalho na sexta, respeitando todos os outros concorrentes.

Acreditava que estaria na final desde o começo da disputa?
Jorge Remédio: No início analisei as letras e vi que tínhamos condições de brigar. Fomos melhorando a cada sexta-feira e só nos resta esperar pela escolha da escola. A nossa parte é fazer um grande espetáculo na final e engrandecer o evento.

Onde o samba foi feito e quanto tempo demorou?
Jorge Remédio: Este ano conheci uma turma que chegou na final da Rocinha e fizemos o samba lá no Engenho de Dentro, mas nos deu muito trabalho compor essa obra. Ficamos com muitas dúvidas sobre a proposta inicial do enredo e conversei com o carnavalesco duas vezes no barracão. Descobri que o enredo tem coisas muito bonitas, discordo de quem o considera fraco, mas tinha que fazer algo que estivesse dentro do propósito. Não adianta nada pensar numa coisa extremamente poética e não atender aquilo que a escola necessita. Demoramos três semanas para fechar e ele me disse que era aquilo mesmo. Fizemos até uma pequena homenagem ao Carlinhos Maciel, parceiro do samba, a mãe dele morreu enquanto estávamos finalizando a obra e o enredo tem uma parte que fala sobre o leite materno. Apostamos na emoção para fazer esse samba.

Alguém da parceria já foi campeão na Porto da Pedra ou em outra agremiação?
Jorge Remédio: Assinando eu ganhei na Porto da Pedra em 2004 e na Unidos da Tijuca em 2005, 2006 e 2007. Sem assinar já fiz alguns sambas, mas não cabe dizer quais.

Qual é o ponto alto do samba?
Jorge Remédio: Os dois refrões. A primeira do samba também é muito bonita. Geralmente se usa a segunda parte do samba para fazer os desenhos melódicos, mas fizemos isso também na primeira parte e acho que ele ficou bem atraente. Tem gente que senta conosco para tomar uma cerveja antes do samba começar e já aprende ali mesmo, sou até suspeito para falar.

Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
Jorge Remédio: O dinheiro ao longo da disputa eu não tenho nem ideia, de verdade mesmo. O que posso te falar é que a nossa despesa de palco é R$ 1.600,00 por semana. Aí você multiplica isso por oito, que foi o número de etapas da disputa até agora. Gastos com cerveja e ônibus eu não sei. Geralmente levamos uma média três ônibus, mas vamos tentar levar pelo menos 300 pessoas para essa final.

Qual é o adversário mais forte dessa final?
Jorge Remédio: Desde o início não olhei para samba de ninguém, só peguei as letras para observar e vi que tinham quatro sambas com condições de chegar à final e errei apenas um. Dos quatro da final, acho que três tem condições de serem campeões, mas não dá para ter certeza de nada. Não é pessimismo, mas já fiz sambas lindos que não foram campeões, por isso é que não crio muita expectativa. A visão de quem julga muitas vezes é diferente da nossa.

Qual é a sua ligação com a Porto da Pedra?
Jorge Remédio: Sempre acompanhei as disputas de samba, desde garoto, na época que Viradouro e Cubango desfilavam em Niterói, mas só virei compositor bem depois, em razão dos compromissos particulares. Eu trabalhava na indústria farmacêutica e um amigo me chamou para ajudar no samba dele. Fizemos um samba no ano que o enredo era sobre Petrópolis, mas ele ficou muito ruim(risos). Em 2003, fiz um samba lindo com Cici Maravilha, mas perdemos e a decepção foi grande. Por essa e outras é que agora vou para a final com o coração aberto, disposto a aceitar o resultado e não crio muitas expectativas.

Quem cantará o samba na final?
Jorge Remédio: Quem vem cantando durante a disputa: Wantuir, Tim, Carlinhos Madureira e Feijão.

Expectativa da diretoria

Apesar da desconfiança prévia acerca da possibilidade de o enredo escolhido ser propício para o surgimento de bons sambas, o diretor de carnaval do Porto da Pedra, Amauri de Oliveira, acredita que os compositores da Vermelho e Branco foram felizes em suas obras. Ele analisou o nível da disputa do Tigre.

– Na verdade, a avaliação tem que ser feita a partir da própria semifinal da última terça-feira, que foi muito boa e deixou a tarefa de cortar um samba bastante complicada. Todas as obras que chegaram nem final têm condições de vencer. Acredito, sinceramente, que o campeão será aquele que fizer a melhor apresentação na final. Não tem mesmo aquele negócio de levar um ou dois sambas para a final só por levar, todos podem ganhar.

Amauri considera também que os sambas finalistas tem características bem parecidas, pois possuem refrões fortes e foram feitos diretamente para exaltar a comunidade, pedido feito pela diretoria da escola. O número de sambas inscritos na disputa foi exaltado por Amauri, que lembrou o pouco tempo que os compositores tiveram para fazerem seus sambas.

– O enredo tinha sido escolhido dois meses antes do anúncio oficial. Demoramos a divulgar porque muitas questões burocráticas ainda estavam sendo acertadas. Os compositores tiveram cerca de 30 dias para fazer o samba e o número de obras inscritas foi até superior ao do ano passado. Isso mostra que a proposta foi bem entendida. O Roberto Szaniecki se colocou a disposição deles, o que foi muito útil. Demoramos para anunciar o enredo, mas oferecemos subsídios para ajudá-los.

Ainda de acordo com Amauri, a escolha do samba campeão no Porto da Pedra é feita sob um processo bastante democrático. Ele explicou que após a apresentação do último samba concorrente, uma reunião entre as principais figuras da escola é feita e os votos são computados. Os segmentos são representados pelos seus respectivos líderes e também têm voz na escolha.

Na final do Porto da Pedra, a parceria do samba campeão não será a única que receberá uma quantia em dinheiro – ainda desconhecida. Todos os finalistas receberão uma porcentagem  do dinheiro destinado pela gravadora à agremiação.

Ordem e regras de apresentação

O primeiro samba a subir ao palco nesta sexta-feira será o da parceria de número 14 (Jorge Remédio, Dr. Jairo, Carlinhos Maciel, Marcelo Poesia, Luizinho, Claudinho e Cristiane Mazarim). Na sequencia é a vez do samba 09, de Fernando Macaco, Vadinho, Tião Califórnia, Cici Maravilha, Bento, Denil e Oscar Bessa se apresentarem. A terceira parceria a subir no palco será a de número 12 (Dadinho, Evaldo, Waldeir Melodia, Miltinho, Jedir Brisa e Manolo). E por último, o samba número 07, de Miguelzinho, Duda SG, João Paulo, Celinho, Eric Costa, Sidney Ribeiro e Alexandre Vilella, tentará o título.

Já foi definido também que cada parceria terá 25 minutos de apresentação no palco. Serão ainda, duas passadas completas do samba sem bateria.

Programação
22h – Abertura dos portões ao público
23h – Show com a cantora Andreia Caffé
0h30 – Show com os segmentos da escola
1h30 – Início da apresentação dos sambas concorrentes
5h – Previsão de anúncio do samba campeão

Preços


Damas (entrada franca até às 23h) Após R$ 10

Cavalheiros R$ 20
Mesa (p/ 4 pessoas) R$ 60


Como chegar

A quadra da Porto da Pedra fica na rua Lúcio Tomé Ferreira, número 290, no bairro do Vila Lage, município de São Gonçalo. É possível chegar ao local de ônibus, partindo tanto do Rio de Janeiro, quanto de Niterói, município mais próximo de São Gonçalo. Confira as opções

Para quem vai do Rio de Janeiro

110A – Passeio – São Gonçalo
423 – Saens Peña – São Gonçalo
428 – Vila Isabel – São Gonçalo

Neste caso, é preciso descer do ônibus no principal ponto do bairro do Vila Lage, atravessar a linha do trem e entrar na rua Lúcio Tomé Ferreira. A partir daí, o folião terá que andar cerca de 150 metros até chegar na quadra do Tigre.

Para quem vai de Niterói

529 – Niterói – Ceasa

Esta linha parte do Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói, ao lado da Estação das Barcas. Ela passa exatamente em frente à quadra da Porto da Pedra.

Táxi
Quem preferir de táxi partindo do Centro do Rio de Janeiro, em bandeira 2, forma de pagamento após às 21h, o folião não deverá gastar menos que R$ 60,00. Já partindo do Centro de Niterói, o preço fica em torno de R$ 25,00.