Saiba tudo sobre a final de samba da Renascer de Jacarepaguá

Uma final com ares diferentes. Pela primeira vez, a Renascer de Jacarepaguá, tem a responsabilidade de escolher seu hino para 2012 desfilando na elite do carnaval carioca. Durante aproximadamente dois meses de eliminatórias, quatro sambas chegaram à final e concorrem na finalíssima, que acontecerá no sábado, dia 8 de outubro, a partir das 22h30, com transmissão do site CARNAVALESCO. Vale lembrar que 21 obras foram inscritas na agremiação.

A final contará com parcerias campeãs na escola de Jacarepaguá e que disputaram a final do último ano, como é o caso de Jayme César (vencedor em 2010), Gabriel da Penha (foi finalista em 2010 e ganhou em 2009), Claúdio Russo (venceu por três vezes: 2006, 2007 e 2010) e também com a parceria novata de Beto Serpa.

O diretor de harmonia e de Carnaval da escola, Alexandre Brittes (Louzada), falou ao CARNAVALESCO sobre essa disputa:

– Hoje, qualquer um que vencer a disputa, representará bem a Renascer. O samba, para chegar até a final, passou por um crivo forte, incluindo o do presidente. Todos estão dentro do nosso tema proposto. Particularmente, o meu trabalho começa agora. Eu já tenho que ensaiar a comunidade a partir do dia 11 de outubro, ou seja, três dias após a final. Os quatro sambas me atendem. Sempre buscamos um samba de letra fácil. Isso ajuda muito nosso componente. Cada samba tem a sua particularidade e, se for preciso, terei que adequá-lo aos componentes. O presidente assume o risco, e a partir daí a gente troca figurinhas.

Alexandre falou também da procura pela agremiação, já que, nesse ano, a escola faz parte do Grupo Especial:

– A média sempre foi de 16 ou 18 sambas. Então não vimos muita diferença. A quadra, sim, ficou mais cheia. Nós já temos um grupo fiel de compositores da escola e, nesse ano, eles também estiveram presentes, poucos foram os que vieram de fora.

Brittes também revelou ao CARNAVALESCO que o sorteio será realizado na quadra antes das apresentações e que já foi definido como será a apresentação de cada parceria. Serão duas passadas sem bateria, outras duas com acompanhamento, mais duas vezes sem bateria e encerra com mais três com os ritmistas, o que corresponde a uma média de 25 minutos de cada samba.

Parcerias

O site CARNAVALESCO conversou com um representante de cada parceria finalista. Confira a entrevista:

Claúdio Russo
(Samba 08 – Parceria com Adriano Cesário, Fábio Costa e Isaac)

CARNAVALESCO: Como está a expectativa para final?
CLÁUDIO RUSSO: Muito tranquila. Sabemos que tem quatro grandes sambas. Então, estamos confiantes no nosso trabalho e a escola vai decidir o melhor.

C: Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
CR: Todos que fazem o samba, o fazem para ganhar. Escutamos os outros sambas e vimos que estava forte a disputa, mas sempre acreditamos na força do nosso samba.

C: Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
CR: Transformar o tema em enredo foi o mais complicado. Ele é um artista de artes plásticas, é difícil criar a letra. Demoramos uns 15 dias. Tínhamos que transformar as obras em letra. Buscamos a melodia padrão da escola. Fizemos isso na minha casa, em cinco reuniões.

C: Alguém da parceria já foi campeão na Renascer ou em outra escola?
CR: Vou tentar lembrar aqui. Em 2006, 2007 e 2010, o Adriano e o Fábio ganharam aqui (Renascer). Em 2008, o Adriano ganhou. Agora, os outros, ganhei na Portela duas vezes, na Em Cima da Hora outras duas. Na Grande Rio uma vez, três vezes na Nenê de Vila Matilde, uma vez no Arrastão de Cascadura. Na Beija-Flor, três vezes e duas na Rosa de Ouro no Rio de Janeiro. Ah! Já estava me esquecendo de uma, na Inocentes. Agora os outros parceiros: o Fábio Costa ganhou em três oportunidades na Porto da Pedra, o Adriano também ganhou um na Tradição e, fechando, o Isaac, três na Portela.

C: Qual é o ponto alto do samba?
CR: Eu gosto muito desses versos: “Do alto do morro o redentor abraça o gênio / que hoje repinta esta cidade”.

C: Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
CR: Aproximadamente 600 pessoas. A escola ajudou muito, apenas cobrou os ingressos na semifinal e final. Não tenho noção de quanto gastamos, apenas sei que foi bastante. Até porque incluiu os cantores, gravação, ônibus e alimentação da torcida.

C: Quem vai defender o samba na final?
CR: Nosso palco será formado pelo Luizinho Andanças, Ronaldo Ilê, Marcio Alexandre e Alex.

C: Qual é o adversário mais forte dessa final?
CR: Todos são fortes. Outras duas parcerias que estão na final já foram campeãs. O outro que ainda não ganhou vem com uma torcida forte. Essa disputa está muito equilibrada.

C: Qual é a sua ligação com a Renascer?
CR: Sou nascido e criado em Jacarepaguá, então é amor de bairro. Desfilo na Renascer desde 2005 e, no ano seguinte, virei compositor na escola. Sempre desfilo, independente do resultado.

Beto Serpa
(Samba 10 – parceria com Jorginho Est. Negra, Anderson Santos e Betinho Madureira)

CARNAVALESCO: Como está a expectativa para final?
BETO SERPA: As melhores possíveis. Estamos muito otimistas, dentro da humildade. Que ganhe o que for melhor para a escola.

C: Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
BS: A gente costuma falar que o esse samba foi Deus quem fez. O samba é lindo, ele foi feito para a Renascer. Esperávamos, sim, estar nesta final.

C: Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
BS: Nós nos reuníamos em Madureira. A melodia foi mais complicada; tem um amigo que fala que o samba (letra) é magico, que já estava pronto. Fizemos em uma semana, foi rápido. Tínhamos encontros diários, num barzinho em Madureira.

C: Alguém da parceria já foi campeão na Renascer ou em outra escola?
Nunca fomos campeões. Somos novos é o primeiro ano de quase todos, menos o Jorginho que já ganhou na Portela.

C: Qual é o ponto alto do samba?
BS: O Refrão do meio. Ele é muito forte, fala de felicidade, e isso é bom. Eu acho uma pintura. "A arte em cores pintou no painel / Um mundo repleto de felicidade / A vida lhe deu um pedaço do céu / Ao expor na tela o amor de verdade".

C: Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
BS: Entre 700 e 800 pessoas. Já gastamos R$ 18 mil, fora a final. Acredito que cheguemos em torno dos R$ 25 mil.

C: Quem vai defender o samba na final?
BS: Jorginho, Sinval, Anderson, o Celso e o Gláucio. É o nosso palco.

C: Qual é o adversário mais forte dessa final?
BS: Depois do nosso, eu gostava muito do samba do Edmiltom Di Bem. Com todo respeito aos compositores finalistas, não tenho medo deles. Até porque, para mim, o principal era do Edmiltom di Bem.

C: Qual é a sua ligação com a Renascer?
BS: Não temos nenhuma ligação com a escola. Eu quis fazer um samba e escolhi a Renascer. Fui e peguei a sinopse e chamei os meus parceiros. Agora, estamos na final.

Jayme César
(Samba 11 – Parceria com Maurinho Valle, Di Bamba, Carlos Dias e João Osasco)

CARNAVALESCO: Como está a expectativa para final?
JAYME CÉSAR: Vamos com tudo. Estamos nos preparando, reunindo o pessoal. Devido ao nosso parceiro João Osasco, que é de São Paulo, vão vir torcedores de lá.

C: Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
JC: Quando começou, tinham 21 parcerias. Sempre respeitamos muito as outras, mas sempre acreditamos – e muito – que chegaríamos.

C: Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
JC: A reunião foi aqui em casa mesmo (em Cavalcante), com muitos quitutes. Nós nos reunimos umas seis vezes. A letra foi mais complicada; a melodia foi rápida. Nossa preocupação era ter um refrão com o nome do enredo e que, ao mesmo tivesse, também o nome da escola.

C: Alguém da parceria já foi campeão na Renascer ou em outra escola?
JC: Essa parceria está junta há dois anos. Eu fui campeão aqui em 2005 e 2011 com a atual parceria. Na Em Cima da Hora, ganhei seis vezes, também ganhei no Arrastão de Cascadura (2011) e na União do Parque Curicica (2008). O João Osasco ganhou na Tom Maior (2011) e no Império de Casa Verde (2010).

C: Qual é o ponto alto do samba?
JC: O final do samba é muito forte: "Pintou a arte, esperança e amor / Colorindo a Avenida eu vou / Em um só coração, a desfilar / Romero Britto e Jacarepaguá", até o final do refrão. A melodia do refrão do meio também gosto muito, é forte.

C: Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?
JC: Vamos conversar e resolver essa questão. Sei que devem vir dois ônibus de São Paulo e daqui não sei ao certo ainda. Deverão chegar umas 400 pessoas. Gastamos um dinheiro legal, R$ 20mil, fora a final.

C: Quem vai defender o samba na final?
JC: Gilsinho é o nosso intérprete. Vamos tentar fazer um esquema para ele cantar (Gilsinho, no dia da final da Renascer, vai estar defendendo samba na Grande Rio). Certos mesmo são o Marquinho Silva, do Arrastão de Cascadura, e mais o Freddy Vianna, da Mancha Verde.

C: Qual é o adversário mais forte dessa final?
JC: Todos têm condições de ganhar. Torcida do Gabriel e do Jorge estão bem afinadas e, o Claúdio, ele mesmo tem um talento. Posso falar tranquilamente, porque sou amigo deles.

C: Qual é a sua ligação com a Renascer?
Disputo samba na Renascer desde 2004. E desfilo desde então, ganhando ou perdendo.

Gabriel da Penha
(Samba 15 – Parceria com Leandro Nogueira, Luiz Gustavo, Deco e Igor do Cavaco)

CARNAVALESCO: Como está a expectativa para final?
GABRIEL DA PENHA: A melhor possível. Quarta final consecutiva. Muitas esperanças de conseguir, com êxito, essa vitória. Seria a nossa segunda na escola (a primeira foi em 2009).

C: Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
GP: Sempre acreditamos que tínhamos condições de estar nesse bolo da final com três ou quatro sambas. Para o compositor, é complicado falar ou pensar outra coisa, sempre achamos que a nossa obra é a melhor e que será sempre a melhor (risos).

C: Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
GP: Nós fizemos em um mês. Dois encontros semanais, no Beco do Rato, perto da Lapa. Lá tem uma roda de samba a partir das 22hs e nos reuníamos às 19h. Na parceria, temos um músico. Tivemos ainda a ajuda de um amigo nosso, que é o Vinicius Ferreira (compositor), que também entende sobre melodia. E os quatro compositores do samba buscam priorizar a letra e a sinopse. Foram muitas trocas de mensagens por telefone e muitos e-mails. Aí, quando chegava à reunião,
passava as ideias aos músicos e íamos montando.

C: Alguém da parceria já foi campeão na Renascer ou em outra escola?
GP: Até hoje nos só disputamos na Renascer. Esse é a quarta vez. Inclusive, ganhamos no primeiro que entramos, na disputa em 2009.

C: Qual é o ponto alto do samba?
GP: O final da segunda, desde a parte “Meu Rio… Vem cantar apaixonado / acolher Romero Britto / Num “abraço” consagrado / Bom lembrar…Oh! Pernambuco, doce lar / Saudade que não quer passar”, e o refrão é muito forte e explosivo.

C: Pretendem levar quantas pessoas para torcer pelo samba na final e quanto gastaram durante a disputa?

GP: Entre 300 e 400 pessoas. Não tem como prever. Vou ser muito sincero, gastamos muito menos do que o normal em uma disputa de samba. Contamos muito com os amigos e não nos sentimos confortáveis em divulgar valores por termos a certeza de estarmos aquém de uma disputa de samba do grupo especial.

C: Qual é o adversário mais forte dessa final?
GP: Acredito que todos estão em bom nível e que vencerá o melhor.

C: Qual é a sua ligação com a Renascer?
GP: Eu desfilo na Renascer desde que ela subiu para o acesso A, em 2005. E os outros parceiros foram logo em seguida.

Veja a programação:

22h30 – Abertura dos portões;
23h – Show do Grupo Balacobaco;
00h30 – Show da bateria Explosiva, passistas, mestre-sala e porta-bandeira e variedades de sambas;
01h30 – Homenagem a Romero Britto (aniversário);
2h – Previsão de apresentação dos sambas concorrentes;
04h15 e 04h45 – Previsão de anúncio do samba campeão

Como Chegar

A quadra da agremiação fica na Av. Nelson Cardoso, 82 – Largo do Tanque, Jacarepaguá.

Para quem vai de táxi, fica a dica. Na bandeira 2, forma de cobrança depois das 21h, uma corrida do Centro do Rio até a quadra da Renascer custa entre R$ 45,00 e R$ 55,00. Já quem prefere ir de carro particular, deve sair de casa mais cedo. A quadra da escola não tem estacionamento e o motorista terá que deixar o carro na rua. Os flanelinhas no entorno da quadra cobraram R$ 5,00 na última sexta-feira, quando aconteceu a semifinal.