Salgueiro comete pequenos deslizes, mas pode sonhar com título

 

 

Não foi o desfile arrebatador que o salgueirense esperava. Mas também esteve muito longe de ser um desfile desastroso, como ocorreu em algumas oportunidades nos últimos anos. O Salgueiro pisou imponente na avenida, com uma apresentação arrebatadora do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Sidclei e Marclla Alves e um abre-alas imponente.

Entretanto pequenos deslizes cometidos pela escola podem render pontos preciosos na luta pelo campeonato. O mais visível deles foi um problema com duas alegorias, o abre-alas e o carro 05, que causaram problemas de evolução tanto no início quanto no fim do desfile.

Renato Lage conseguiu passar com clareza, na maior parte do desfile, a proposta enredo. Principalmente nos setores iniciais, um uso de cores muito feliz, com destaque para o abre-alas, a ala das baianas e a ala "Dança da criação". A cada setor que representava um elemento da natureza (terra, fogo, água e ar) foi possível visualizar com facilidade devido ao correto uso do jogo cromático.

Comissão de frente e Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira

A abertura do desfile salgueirense foi impactante, com a comissão se apresentando junto com um elemento alegórico representando Gaia, a mãe terra. Sobre esta estrutura uma componente levitava em determinado momento da coreografia. Mas foi o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Sidclei e Marcella Alves, quem levantou a avenida. Marcella brilhou ao praticamente interpretar toda a letra do samba, com uma valorização do pavilhão em todos os momentos. Exibição digna de notas 10.

Samba-enredo e Harmonia

O samba salgueirense não aconteceu na avenida da maneira que se esperava que fosse acontecer e como rendeu no ensaio técnico. Inclusive foi executado com um andamento mais cadenciado, raro nos dias de hoje. Entretanto o que se viu na Sapucaí foi um canto forte dos componentes do Salgueiro. Sem a participação do público, como no ensaio, mas as alas cantaram. No final do desfile os setores mais populares continuaram a cantar mesmo depois do término oficial do desfile.

Evolução

A evolução salgueirense poderia ter sido melhor. Em pelo menos dois momentos pode-se notar uma quebra da fluência do desfile. No primeiro quando o abre-alas apresentou problemas de embreagem e demorou a entrar na avenida, abrindo um buraco em frente ao primeioro módulo de julgamento. Depois o quinto carro emperrou em frente ao segundo módulo, abrindo outro buraco. Mesmo com problemas, entretanto, o Salgueiro não correu no fim e conseguiu concluir o desfile em 1 hora e 21 minutos. Com relação ao Conjunto vinha muito bem até a chegada do quinto setor "Bendito ar que se respira", com a alegoria 06 de difícil entendimento e quebrando o bom sequenciamento do desfile.

Fantasias

As fantasias do Salgueiro estavam divinamente bem feitas. Sem dúvida a ala de baianas causou a melhor impressão. As senhoras vinham representandoa mãe terra e a roupa tinha muita palha, mas era de um bom gosto incrível. Renato acertou em cheio nos dois primeiros setores do desfile.

Alegorias

As alegorias do Salgueiro também cumpriram o papel de contar o enredo com clareza, além de estarem muito bem feitas. O abre-alas certamente foi o ponto de destaque do desfile. Como é marca do carnavalesco, Renato levou alegorias gigantescas para a avenida. Mas bastava passar o olho em cada alegoria (com exceção da de número 06) para entender cada detalhe que elas representavam. O Salgueiro não arrebatou a plateia, mas desfilou com competência para sonhar com o campeonato. 

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