Salgueiro Convida tem festa da Unidos de Padre Miguel, desfile junino da Beija-Flor e o axé da Grande Rio

Aconteceu neste sábado, na quadra do Salgueiro, a terceira edição da temporada 2017/2018 do Salgueiro Convida com a presença de duas escolas do Grupo Especial, Beija-Flor e Grande Rio, e uma da Série A, a Unidos de Padre Miguel. Como já de costume, além das apresentações de sambas e segmentos, as escolas exibiram quadrilhas juninas, seguindo roteiro do Torneio de Quadrilhas proposto pelo Salgueiro.

Beija-Flor exibe luxo em um desfile junino

Luxo é a palavra que define os figurinos apresentados pela Beija-Flor para sua quadrilha. A escola optou pelo clássico e mostrou a verdadeira quadrilha de salão, que mesclava apresentações de casais que representavam pessoas e momentos marcantes da história do Nordeste brasileiro. O que mais chamou a atenção era o figurino desta quadrilha, que certamente teria nota 40 garantida, se o critério de apuração fosse o mesmo de um desfile. Deslumbrante, cada componente poderia se sentir orgulhoso das peças que trajavam. Pedras brilhosas, cores fortes, e acabamento impecável, encheram os olhos de quem via o conjunto coreográfico.

A quadrilha de salão nilopolitana era representada por um grupo fixo de bailarinos que faziam a passagem de um personagem para outro explicada por um narrador. Era como se tivessem feito um enredo para uma quadrilha. A Beija-Flor levou tão a sério, que os componentes cantavam todas as músicas, dançavam sem desanimar e gostaram tanto, que a apresentação estourou o tempo proposto, que era de 20 minutos.

Após a apresentação da quadrilha, o cantor Bakaninha subiu ao palco para celebrar sambas históricos da Beija-Flor. É claro que Claudinho e Selminha sorriso foram aclamados e tietados o tempo inteiro. O casal deu o show de sempre e não deixaram de fazer fotos com ninguém. O samba de 2017 foi o mais cantado e o mais dançado pelo público.

Grande Rio foi quadrilha, samba e Ivete

Após a Beija-Flor, a Grande Rio entrou na quadra do Salgueiro para sua apresentação. A escola optou por contar uma história em sua quadrilha, que usou mais da interpretação que propriamente marcação de passos. Para completar cada história, a escola preparou paródias de seus sambas que foram cantadas pelo intérprete Emerson dias. E foi essa originalidade que o suficiente para a escola vencer a rodada como a melhor da noite.

Além disso, a escola ainda encontrou uma forma de criar um elo entre sua quadrilha e o enredo da escola para 2018 sobre o Chacrinha. Um componente da escola surgiu vestido de Chacrinha e “distribuindo” abacaxis para os passistas. O público gostou bastante.

Após a apresentação da quadrilha, foi a hora dos sambas da Grande Rio. Emerson Dias agradou o público quando começou a cantar o samba-enredo de 2006 sobre o Amazonas, e todos ainda tinham a música na ponta da língua. Após a apresentação do samba de 2017, outro ponto alto da Grande Rio na quadra do Salgueiro. O samba de 2014 ainda está bem vivo na cabeça dos sambistas que cantaram de ponta a ponta o famoso “vou daqui, vou pra lá”. E para encerrar a festa, Emerson lembrou de Ivete Sangalo e cantou, junto com o público, grandes sucessos da cantora.

UPM põe a galera para sambar e faz a festa

Que as apresentações da Unidos de Padre Miguel nunca deixam a desejar e o público sempre responde com boa interação, todos do mundo do samba já sabem. O que ainda surpreende é que o samba-louvor para Ossain, que a escola levou para avenida, é cada vez mais forte nas quadras onde ele é entoado. O hino da UPM é sempre gritado e nesta noite não foi diferente. Antes, uma quadrilha tradicional, com direito a túnel, comprimentos de damas e cavalheiros e passeio na roça.

Pixulé já entrou roubando a cena em um inusitado sincretismo religioso entre sua roupa e sua dança. Só em uma escola de samba se pode encontrar um padre, que até usava estola roxa, fazendo danças afros enquanto canta em louvor aos orixás.

Última escola a se apresentar, já passavam das 3h e era uma escola que estava na Série A, mas era UPM e o Sassaim foi tão além que ninguém arredou o pé da academia. Samba a samba o público mostrava que quando não sabia a letra poderia pular e entrar no ritmo da Vila Vintém. Afinal, o que todo mundo estava esperando era o samba de 2017. Como já virou um clássico, o público cantou à capela a primeira passada e a bateria com Pixulé começavam a cantar a partir da segunda. E foi a explosão de sempre, até a equipe de harmonia do Salgueiro avisar que o tempo já havia se esgotado.