Salgueiro domina a segunda-feira e Beija-Flor comove o público

beija-flor_desfile_2018_33-7O segundo dia de desfiles do Grupo Especial teve uma noite de alto nível e deixou a disputa pelo título bastante acirrada. O grande destaque da noite e franco favorito para levar o campeonato foi o Salgueiro. A vermelha e branca passou perfeita pela pista e apenas uma falha de acabamento em seu abre-alas pode ser despontuado pelo corpo de jurados. Com um desfile arrebatador a agremiação realizou sua melhor apresentação na avenida nesta década e sonha com sua décima conquista. O desfile da Portela também foi competitivo dentro dos quesitos em julgamento e a escola pode almejar o bicampeonato. A harmonia e a evolução da Majestade do Samba foram as mais perfeitas do Grupo Especial este ano.

Quem também teve o desfile mais comentado da noite foi a Beija-Flor de Nilópolis. Com problemas técnicos em quesitos, a escola arrebatou o público com uma apresentação com forte tom de crítica social, relembrando seus melhores momentos quando desenvolvia enredos com esta característica. Apesar de alas e fantasias com falhas de acabamento o público foi arrebatado pela apresentação da escola e isso pode interferir no resultado. O desfile também teve falhas na apresentação do enredo.

salgueiro_desfile_2018_70A segunda noite do Grupo Especial também teve desfiles competitivos de agremiações que não eram cotadas na fase de pré-carnaval para brigar pelas primeiras colocações. Casos principalmente de União da Ilha do Governador e Imperatriz Leopoldinense. A tricolor insulana divertiu o público com uma passagem bem ao seu estilo histórico: leve e descontraída. A Rainha de Ramos resgatou seus clássicos carnavais na linha histórica e pode sonhar com a volta ao Sábado. A interação entre o casal do passado, Chiquinha e Maria Helena, e o do presente, Thiaguinho e Raphaela, foi o ponto alto do desfile.

O desfile da Unidos da Tijuca foi o mais destoante da noite de fortes apresentações. A apresentação da escola na homenagem a Miguel Falabella não convenceu na contagem do enredo e o trabalho plástico apresentado esteve aquém daquele apresentado pela escola nesta década.

Confira como foram os desfiles da segunda-feira de carnaval:

UNIDOS DA TIJUCA

tijuca_desfile_2018_93

Miguel Falabella é um dos nomes mais importantes da história recente da cultura nacional, e toda homenagem a ele é muito justa. Prova disso é o desfile da Unidos da Tijuca, primeira escola a se apresentar nesta segunda-feira de carnaval na Sapucaí. Contra todas as críticas que recebeu pelo enredo no pré-carnaval, a agremiação fez um desfile digno do seu retrospecto nos últimos anos (exceto em 2017, quando teve uma apresentação extremamente conturbada, claro).

PORTELA

portela_desfile_2018_27-2

A Portela definitivamente voltou ao seu lugar. Depois de conquistar o campeonato no ano passado e desde 2014 regressar entre as escolas campeãs, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira provou na avenida em seu desfile no Carnaval 2018 que está entre as escolas mais competitivas do carnaval. A águia altaneira deixou a mensagem de que disputará novamente o campeonato com o melhor chão da pista até então no Grupo Especial. O canto do portelense carregou um desfile que se aproximou da perfeição no aspecto técnico. Entretanto, alguns detalhes podem comprometer a conquista. O principal deles foi o conjunto alegórico, que não acompanhou o bom nível dos figurinos e dos já citados bons momentos na pista.

UNIÃO DA ILHA

uniao-da-ilha_desfile_2018_25-4

A Ilha no último ano brigava para voltar, mas falhas tiraram o sonho da escola de estar nas campeãs, mas no Carnaval 2018, a tricolor insulana veio imponente e com “vontade de vencer”. Carros grandiosos, fantasias bem acabadas e swing impecável da bateria de mestre Ciça fizeram a Sapucaí presenciar um verdadeiro banquete conforme tinha prometido o carnavalesco e toda direção.

SALGUEIRO

salgueiro_desfile_2018_66-1

“Firma o tambor, para a rainha do terreiro, é negritude, Salgueiro”. O verso mais emblemático do samba salgueirense poderia ser usado para resumir em uma frase o apoteótico desfile da Academia do Samba. Um banho de bom gosto em alegorias e fantasias, no melhor trabalho da carreira de Alex de Souza. Uma escola incorporada na avenida por um discurso que está no seu DNA: a negritude. Foi dessa forma que o Salgueiro realizou a sua melhor apresentação no Grupo Especial com sobras nessa década. A escola não demonstrava um vigor dessa amplitude desde o inesquecível ‘Candaces’, de 2007. Intensa, competitiva e emocional. Nunca esteve tão perto de seu décimo título.

IMPERATRIZ

imperatriz_desfile_2018_84-8

Penúltima escola a se apresentar no Carnaval 2018, a Imperatriz Leopoldinense voltou a desfilar como em seus grandes carnavais, ou seja, com um enredo apresentando viés histórico. A agremiação apresentou o enredo ‘Uma noite no Museu Nacional” contando a história de um dos museus mais simbólicos do país fundado há 200 anos pelo Rei D. João VI.

BEIJA-FLOR

beija-flor_desfile_2018_53-5

Novamente, a Beija-Flor de Nilópolis trouxe um desfile carregado de propostas diferentes e ousadas. A azul e branca elevou o tom crítico em seu enredo, conquistou os presentes no Sambódromo e a opinião pública. Ficou deixou um pensamento dúbio na cabeça das pessoas. O que vai acontecer com a escola? Os jurados irão julgá-la na letra fria dos quesitos e regulamento ou a ousadia que lembrou Ratos e Urubus irá conduzir a escola ao seu 14º título? Apesar da pesada crítica e do discurso em tom elevado, os quesitos como enredo e alegorias apresentaram falhas no desfile.