Salgueiro faz ensaio-show no Sambódromo

Valeu a pena esperar. Mesmo com quase uma hora de atraso em relação ao horário de 22h, pré-estabelecido para o início do ensaio, o Salgueiro brindou as mais de 30 mil pessoas presentes no Sambódromo, na noite deste domingo, com um belíssimo espetáculo. Seja por seu elenco de artistas-sambistas, pela força de sua bateria e seu contagiante samba, pelo canto aguerrido dos componentes ou pelos inúmeros outros atrativos que entreteram o público, o primeiro ensaio técnico da Academia do Samba desta temporada na Marquês de Sapucaí, deixou impressão extremamente positiva.
 

* Veja aqui o vídeo do ensaio técnico do Salgueiro

Quando a Vermelho e Branco aportou no setor 1 da Marquês de Sapucaí já foi possível perceber qual era a proposta: dar espetáculo. Atitude louvável, vide a grande diferença entre o público que acompanha os ensaios técnicos e a plateia que marca presença nos dias de desfile oficial. Porém, como o próprio nome diz, o ensaio é técnico, tem como objetivo treinar o ‘chão’ da escola para fazer bonito no desfile. E o Salgueiro também deu espetáculo nesse ponto.
 

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O principal destaque do ensaio foi a bateria Furiosa do mestre Marcão. Fica difícil encontrar uma bateria no Rio, atualmente, que apresente tamanho equilíbrio em seus timbres. É possível ouvir nitidamente todos os instrumentos em perfeita consonância. A cada ano que passa, o trabalho de toda a diretoria de bateria do Salgueiro dá mais resultado. As bossas, a grande maioria de difícil execução, causaram impacto no público, mostraram coesão com o samba-enredo e abrilhantaram ainda mais a exibição da Furiosa, que este ano apresenta uma novidade na distribuição dos instrumentos dentro da bateria, como mestre Marcão explica:

– Resolvemos colocar caixas nas laterais da bateria também. Como o Sambódromo está mais aberto, é preciso colocar uma outro instrumento entre os surdos de primeira e segunda. Assim, o jurado ouvirá um som mais equilibrado. No meu entender foi um ótimo ensaio. Só tenho a agradecer aos meus ritmistas por esse grande ensaio. Fiz tudo aquilo que pretendo mostrar no desfile – disse o diretor de bateria.
 

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Como já citado, o Salgueiro levou alguns atrativos para que o público fosse brindado com um verdadeiro espetáculo. Um deles estava na comissão de frente. O grupo, comandado por Hélio Bejani, mostrou coreografia especial para o ensaio e, além de capricharem na indumentária, desenvolveram uma movimentação que, em determinado momento, exaltava o pavilhão salgueirense. Resultado: muitos aplausos da plateia. – Acho que as coisas fluiram muito bem. Para falar a verdade, superou a minha expectativa. A gente tinha um planejamento e, neste primeiro ensaio, um dos principais focos é a evolução da comissão de frente, trazer a escola em um tempo bom e entrar na cabine de jurado sem ficar marcando. A gente fez uma coreografia que evolui, vai passando pela Avenida e mantém a mesma levada. Neste ensaio, a coreografia que fizemos foi uma declaração de amor ao Salgueiro e, além disso, nós pudemos experimentar alguns movimentos que virão na coreografia oficial. Estamos ensaiando desde outubro, quatro vezes na semana – contou Hélio Bejani.
 

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Na sequência, um grupo de aproximadamente cem pessoas coreografadas pelo talentoso Carlinhos Coreógrafo, em dado momento da dança, estendia uma imensa bandeira da escola. Carlinhos era o personagem central da encenação e pareceu estar vestido de Lampião. O triunfante início de ensaio do Salgueiro tinha fim com um tripé que carregava um telão. Nele, fotos de personalidades e anônimos da escola eram mostradas. Ainda na ‘cabeça’ do ensaio, o ator Eri Johnson e o cantor Diogo Nogueira marcaram presença.

A partir daí, o que se viu foi um grande rendimento do ‘chão’ salgueirense. Praticamente todas as alas passaram pela Avenida cantando bastante o samba da escola, exceção feita as alas de número 9, 24 e 28. A ala das baianas, muito bem caracterizada, e as alas 21 e 25 foram as que mostraram mais garra. O samba no pé das belas passistas salgueirenses também merece elogios.

Com relação a evolução, a Vermelho e Branco mostrou um andamento de ensaio um pouco acelerado. Mesmo com o grande contingente levado, passou pela Avenida em 69 minutos. De resto, as alas ocuparam de maneira praticamente perfeita a Avenida e as entrada e saídas dos recuos foram feitas de forma perfeita. O único grupo que passou ligeiramente desorganizado pela Sapucaí foi o que trazia componentes de composição de carros alegóricos, à frente da Velha Guarda.

Na frente da bateria, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Sidclei e Gleice Simpatia, se apresentou de forma rápida nas duas primeiras cabines. Nas outras duas, esbanjou a classe que é peculiar. Eles estavam com a fantasia do ano passado e a bandeira ficou sempre lá no alto e conduzida com maestria por Gleice. – Toda vez que eu venho aqui, eu me sinto em casa. Eu até brinco ao dizer que aqui é o quintal da minha casa. E toda vez que eu piso na Avenida parece que é o dia do desfile, então eu e a Gleice viemos com a fantasia do ano passado e fizemos a coreografia oficial que vamos apresentar no próximo carnaval. Não tem o que esconder, o momento de errar é no ensaio. Nós ainda vamos ter mais um ensaio e, por isso, a nossa intenção é refletir sobre os erros e acertos para melhorar o nosso desempenho – disse Sidclei.

Para que o casal desfile tranquilo na frente da bateria é preciso que a rainha ou madrinha de bateria da escola entenda bem a importância deles para o resultado do carnaval. E isso, o Salgueiro tem. Com um figurino cangaceiro dourado, a belíssima Viviane Araújo mostrou porque reina absoluta à frente da Furiosa. Com seu inseparável tamborim, soube se posicionar corretamente e foi motivo de muitos aplausos vindos da arquibancada.

– Foi um ensaio muito positivo. A gente vem de uma fatalidade do carnaval passado, mas a escola não ficou abatida e entrou com muita garra. E ensaio técnico é isso aí: uma preparação para o desfile oficial. Esse primeiro ensaio foi nota 9 para corrigirmos os pequenos erros e no segundo ensaio sermos nota 10. Eu acompanho o Salgueiro há muito tempo e tenho sentido o salgueirense cada vez mais comprometido, vestindo a camisa mesmo. E o samba ajuda muito nisso, porque tem força e um apelo popular, assim como o enredo – explicou Anderson Abreu, diretor de carnaval do Salgueiro.

Com o enredo ‘Cordel Branco e Encarnado’, o Acadêmicos do Salgueiro será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. O próximo ensaio da Academia na Marquês de Sapucaí acontece no dia 10 de fevereiro.

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