Salgueiro mostra força em seu desfile

 

Falando da Literatura de Cordel e contando com uma bateria sensacional, alegorias e fantasias de extremo bom gosto e o canto forte de sua comunidade, o Acadêmicos do Salgueiro entrou de cabeça na briga pelo título do Carnaval 2012. O desfile não foi perfeito, houve erros, mas de uma maneira geral o rendimento da escola esteve bem próximo da Vila Isabel, destaque do domingo. O maior tropeço salgueirense envolveu o abre-alas, que passou por toda a Avenida com alguns queijos de destaque vazios. A evolução no primeiro módulo, no início do desfile não foi a ideal. Destaque também para o desempenho do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e a comissão de frente.

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Análise nas cabines 1 e 4

A comissão de frente salgueirense, comandada por Hélio Bejani, representou a mistura de espetáculos mambembes das feiras medievais e heróis cangaceiros. Com um tripé que representava uma carruagem e se transformava em um dragão durante a coreografia, o grupo passou muito bem pelos dois módulos. A coreografia usava bonecas em determinados momentos e tinha o ar bem-humorado.

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O primeiro casal, Sidclei e Gleice Simpatia, mostraram toda a qualidade que os caracteriza. Nos dois módulos se apresentaram de forma perfeita e a coreografia escolhida mostrou-se muito eficiente pela sua limpeza e manutenção da tradição da dança do quesito, mesmo que, em dado momento, ele sacasse um triângulo, instrumento nordestino, e tocasse para Gleice. Tradição e novidade bem integrados. A elegância de Gleice com a bandeira foi destaque.

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A evolução do Salgueiro foi irregular. No primeiro módulo, as alas entre a primeira e a segunda alegorias passaram ligeiramente espaçadas. O espaço deixado para a musa Adriana Bombom também foi grande e a julgadora do módulo fez bastante anotações. No quarto módulo, a evolução transcorreu sem problemas.

A harmonia do Salgueiro esteve perfeita. Tanto a integração entre os três intérpretes – Quinho, Leonardo Bessa e Serginho do Porto – e a bateria, quanto o canto da escola. Nenhuma escola até agora cantou mais do que o Salgueiro, principalmente no sexto setor, quando os componentes praticamente berravam o samba da escola.

As alegorias do Salgueiro mostraram clareza nas propostas e o conhecido talento de Renato Lage. Pena ter ocorrido o problema já citado com o abre-alas e terceira alegoria ter apresentado alguns problemas de acabamento na parte traseira. De resto, o conjunto alegórico salgueirense não apresentou mais problemas. Destaque para a riqueza de detalhes no sexto e no sétimo carro.

As fantasias salgueirenses misturaram originalidade e clareza na proposta. Ficou claro que o propósito não era luxo e a escala cromática usada foi perfeita. Renato Lage e Márcia Lage souberam distribuir as alas de uma maneira que o desfile não ficasse cansativo visualmente.

A bateria do Salgueiro foi perfeita. Afinação, andamento e bossas foram perfeitamente executadas na Furiosa comandada pelo mestre Marcão. Destaque para o grau de dificuldade das bossas e a perfeição da execução das mesmas.

Cabine 2

A Comissão de Frente fez ótima apresentação na cabine 2. Além do ótimo figurino, a comissão teve dois momentos distintos: o primeiro com uma coreografia de acordo com a segunda parte do samba de onde saia um bicho do elemento cenográfico assustando os componentes. Em outro momento, a comissão fez uma coreografia que continha uma dança. Entre os componentes havia duas meninas. No momento da dança, os homens sem pares dançavam com bonecas. Coreografia totalmente enquadrada com o enredo.

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O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira dançaram muito bem, com uma fantasia muito bonita. Um representava o sol e o outro o ar. Mestre-Sala tocava para a Porta-Bandeira dançar. A Bateria passou bem pela cabine 2, fez uma bossa empolgando o público.

No quesito harmonia, a escola cantou bem. Na evolução, o Salgueiro começou bem, mas diminuiu o ritmo durante o desfile. As alegorias e fantasias estavam de acordo com o enredo, mesmo sem ter luxo. A segunda alegoria estava tombada para a esquerda, além de falhas na iluminação. O carro seis estava apagado e acendeu somente após passar pela cabine.

Cabine 3

A Comissão de Frente passou pelo módulo com 19 minutos de desfile. Foi utilizado um tripé que simulava a chegada dos cangaceiros, misturando ritmos nordestinos com o samba. A apresentação não teve reação do público. A frente da comissão havia um tripé com o nome da escola que era exibido aos jurados.

O abre-alas tinha uma escultura com movimentos. A escola cantou bastante, com os componentes alegres e sem grandes falhas. No segundo carro, as luzes do destaque central estavam apagadas. Luzes de neon faziam um efeito sombreado no fundo do carro. A frente dele, a musa Adriana Bombom se abaixou diante da cabine dos jurados e beijou o chão. No terceiro, problema com um dos ciclistas que precisou ser ajudado pela equipe técnica diante dos julgadores.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira de azul e amarelo. Coreografia perfeita e sincronizada. O casal e a Bateria se apresentaram ao mesmo tempo para os jurados. Bateria executou bossas e coregrafias levantando o público. Viviane Araújo e Mestre Marcão se apresentaram para os jurados.

A ala 18 apresentou componentes sem chapéu e esplendores sem acabamento. Nessa mesma ala, os chapéus estavam despencando.Quinto e sétimo carros apresentavam cheiro de queimados. Com uma hora e oito minutos de desfile a escola acelerou o ritmo. A escola foi aplaudida, mas sem gritos de campeão.

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