Salgueiro protesta contra declaração de Marcelo Freixo

 

 

 

O Acadêmicos do Salgueiro reservou uma parte de seu ensaio deste sábado para um protesto contra a declaração do candidato do PSOL a prefeitura do Rio de Janeiro. Marcelo Freixo declarou em entrevista à TV Globo que, caso vença a eleição de outubro, escolas que apresentarem enredo patrocinado não receberão subvenção da prefeitura. Um manifesto foi assinado por milhares de pessoas e a presidente salgueirense, Regina Celi, fez discurso inflamado no palco da Academia.
 
– Gente, não estou aqui para fazer campanha, mas não posso permitir que nenhum candidato ataque a minha escola desta forma. Antes de falar que o meu enredo não tem relevância cultural, ele deveria sentar com os meus carnavalescos (Renato Lage e Marcia Lage) e procurar se informar melhor. Eu defendo a minha instituição e não vou deixar ninguém nos atacar dessa maneira. Acho que o candidato que é amigo do samba todos sabem quem é. Administrar uma escola de samba e o carnaval, da forma que a Liga faz, não é fácil – disse Regina, que declarou voto para o candidato Eduardo Paes.
 
Ao exemplificar como seria a contrapartida cultural de seu programa de governo para o carnaval, Marcelo Freixo declarou:
 
– Uma escola que vai falar sobre a Ilha de Caras não pode receber dinheiro público.
 
Em 2013, o Salgueiro falará sobre a busca do homem pela fama, enredo patrocinado pela revista Caras.
 
Quem esteve no Salgueiro para prestar apoio à Regina Celi foi o presidente da Mocidade, Paulo Vianna, que lamentou a declaração de Marcelo Freixo.
 
– É um programa de governo e eu respeito. Todos podem propor ideias, mas ele não pode dizer se um enredo é cultural ou não. Ele também falou da Mocidade e eu já publiquei a resposta pública. Falar de Rock in Rio é extremamente cultural, assim como o Salgueiro, que falará da fama. Tenho certeza que o candidato não é a melhor pessoa para avaliar isso. Respeito ele, mas quero que respeite as escolas também. A Liga vem fazendo um trabalho com muita dignidade e respeito às agremiações. Dizer que vai tirar o carnaval da Liga também é uma proposta, mas organizar da forma que a Liga organiza é bem mais difícil – disse o dirigente, que levou diversos segmentos da Verde e Branco para o manifesto.
 
Proibida pelo Ministério Público de dar dinheiro às escolas de samba da forma que ocorria anteriormente, a Prefeitura criou o Viradão de Momo, que engloba uma série de shows gratuitos nas quadras das agremiações do Grupo Especial, bem como shows de virada de ano nas diversas festas públicas pela cidade. Com esta contrapartida, cada escola recebe R$ 1 milhão dos cofres municipais.
 

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