Samba e bateria da Mocidade Alegre emocionam com Alcione mas desfile apresenta problemas com quesitos plásticos

vaivai_desfile2018_-94A Mocidade Alegre levantou o Anhembi nesta madrugada com a homenagem mais que merecida à cantora Alcione. O samba foi o grande destaque da apresentação, junto com a bateria Ritmo Puro, que causou frisson ao público na avenida. Com bandeirinhas distribuídas pelas arquibancadas a Morada do Samba empolgou com sua passagem como de costume. Mas o desfile não deve brigar pelo campeonato. A parte plástica da escola deixou a desejar. O conjunto de alegorias e fantasias ficou aquém do esperado e a agremiação pode perder pontos nesses quesitos. Alcione começou emocionando ao cantar um alusivo com ‘Não Deixe o samba morrer’. Ela veio na última alegoria acenando para um público enlouquecido, demonstrando o quanto é querida.

vaivai_desfile2018_-93Enredo

O enredo prestou uma homenagem a uma figura pública, contemplando a forma como os sambistas conhecem, prestigiam e têm gratidão à cantora Alcione. A escola se propôs a desenvolver um enredo não linear, que não seguisse uma sequência cronológica, desenvolvendo-se descontinuamente, com saltos, antecipações, retrospectivas, cortes e rupturas do tempo e do espaço em que se desenvolveram as ações. No primeiro setor a escola contou o surgimento da voz marrom, seguido de um setor em que mostra uma Alcione como intérprete do samba e suas vertentes. Em um terceiro momento foi mostrada a brasilidade e as influências da cantora. A fase romântica da cantora passou no quarto setor do desfile e o encerramento trouxe o amor da cantora pela Estação Primeira de Mangueira.

vaivai_desfile2018_-9Comissão de Frente

O grupo atuou representando a fantasia ‘Não Deixe o Samba Morrer! – O Clamor de Ciata, a Mãe Negra do Samba’. No infinito, Tia Ciata, a “Mãe Negra do Samba”, bailava na eternidade seu sonho bom, e fazia um clamor para que seu filho, o nobre ritmo brasileiro, se eternizasse: “Não Deixe o Samba Morrer!” A súplica, ecoando no ar, era conduzida por Iansã – deusa dos ventos, que se fez presente na forma de uma revoada de borboletas.

vaivai_desfile2018_-95Alegorias e Adereços

A primeira alegoria do desfile da Morada do Samba trouxe uma representação do morro, em alusão à canção ‘Juízo Final’ de Nelson Cavaquinho. No carnaval o povo desce o morro cantando as canções da flor Alcione. O segundo carro, ‘Alerta Geral: Na TV, a Voz Marrom entra em cena’, mostrava as canções de resistência da Marrom e sua passagem no programa ‘Alerta Geral’ da TV Globo. A terceira alegoria representou o estado do Maranhão, através de seu folclore, terra de Alcione. Na quarta alegoria a cantora fez o público mergulhar na alma feminina, através de suas canções românticas. No último carro a celebração da Estação Primeira de Mangueira, a escola de coração de Alcione, que completa 90 anos neste carnaval. O carro abre-alas teve problemas ao passar apagado no início do desfile.

vaivai_desfile2018_-74Bateria

A Ritmo Puro sob o comando de mestre Sombra representou o Partido Alto. Das diversas manifestações de samba que se encontraram no Rio de Janeiro, a cantora enfatizou a formação do partido alto, com o qual o samba ganhou o jeito malandro com que é conhecido mundialmente: vestindo terno e chapéu estilo panamá, seduzindo a todos com um “batuque feiticeiro” e formando as primeiras baterias de escolas de samba. A bateria Ritmo Puro usou e abusou das bossas. Foram pelo menos três em vários momentos do desfile. A passagem da bateria levou ao delírio as arquibancadas.

vaivai_desfile2018_-86Fantasias

As baianas representaram as damas da encantaria, o misticismo, professado pela reza forte das delas que conhecem os segredos para proteger os fiéis, com suas fitas coloridas e suas bonequinhas de pano. Mais que um brinquedo, as bonequinhas representaram verdadeiros talismãs. Conjunto irregular com alguns figurinos mais bem trabalhados e outros sem o mesmo apuro. O setor que vinha atrás do abre-alas tinha fantasias com recursos estéticos muito simples.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Emerson Ramires e Karina Zamparolli representaram em sua apresentação ‘O samba e a flor’. O clamor de Ciata foi percebido em um jardim de rosas onde uma flor, a mais bela entre tantas, foi encontrada pelo “Samba”, filho de Ciata, personificado como um homem elegante e cortês. Em um bailado de encanto e sedução com o “Samba”, exala-se o perfume e o canto da flor mais bela. A for era Alcione. A fantasia da porta-bandeira chamou a atenção por ser totalmente vermelha com luzes de led.

Samba, Evolução e Harmonia

A Morada do Samba mostrou a força de seu chão no Anhembi. O canto foi impulsionado pela endiabrada dupla de cantores Ito Melodia e Tiganá. Quando o samba chegava ao trecho em que falava da Mangueira toda a escola se curvava em reverência à escola carioca. A evolução apresentou problemas durante o desfile pois se deu de maneira muito lenta. Tanto que a escola encerrou seu desfile com 64 minutos, apenas um a menos que o máximo permitido.