Samba-enredo e interação com o público são pontos altos do Império da Tijuca

 

 

O chão quase tremeu e a interação entre escola e arquibancada foi o grande destaque do desfile do Império da Tijuca. Abrindo o Grupo Especial, a verde e branco do Morro da Formiga levantou as arquibancadas com seu bom samba. Esteticamente, as fantasias deixaram a desejar, assim como a evolução da escola, que em alguns momentos chegou a correr na frente de uma das cabines de jurados. O enredo "Batuk" proporcionou uma fácil leitura e desenvolvimento pelo carnavalesco Junior Pernambucano. A escola encerrou sua apresentação com 75 minutos.

Comissão e casal de Mestre-sala e Porta-bandeira

A comissão de frente do Império da Tijuca fez uma boa apresentação no desfile. Coregorafada por Junior Scapin, o segmento representava a arte de se comunicar através da emissão dos sons, seguindo os rituais das religiões africanas. Exú era invocado pelos componentes da comissão, que representavam os homens, e assim se comunicavam com os deuses. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Peixinho e Jaçanã, retratando as etnias guerreiras tinha guerreiros tocadores de tambor como seus guardiões. Com uma coreografia ousada, onde o tradicional bailado se mesclava com movimentos de dança diferentes, em especial, no momento do refrão, quando o casal balançava de um lado para o outro antes de apresentar o pavilhão aos jurados e ao público presente.

Harmonia e Samba-Enredo

A Sapucaí não chegou a tremer, como a letra do samba sugeria, mas a obra apresentada pela escola do Morro da Formiga desempenhou um bom papel na avenida. Auxiliado pelas bossas comandadas por mestre Capoeira e pela vibração de seu intéprete Pixulé, o samba foi bem recebido pelo público, com destaque para os refrãos, que nos setores 10 e 11 levantaram as arquibancadas. A ala da capoeira e as crianças que compunham a quarta alegoria, mereceram destaque pela empolgação e apelo com o público presente. A harmonia da escola realizou um bom trabalho e o canto da escola foi bem executado em todos os setores, com destaque para o sétimo setor do desfile, que cantou com muita força o samba-enredo da agremiação.

Fantasias

Apesar da fácil leitura, as fantasias do Império da Tijuca deixaram a desejar. As alas vieram com fantasias extremamente simples, e apesar de bem acabadas, empobreceram o desfile da agremiação. Nas composições do terceiro carro, sobre o Batuque Místico, o corpo da fantasia era um simples colete de cor preta. No terceiro setor porém, a solução encontrada por Junior Pernambucano foi boa, utilizando saias armadas e vazadas para representar o Candomblé, o Babaçuê, o Catimbó e a Encantaria.

Evolução e Conjunto

Alguns problemas pontuais comprometeram a evolução da escola. Apesar de compacta, a escola acabou embolando algumas alas no segundo setor. No quinto setor, membros da Ala Frevo com câmeras em suas fantasias se desconcentravam e atrapalhavam a evolução da verde e branca da Zona Norte. Se encaminhando para o fim do desfile, o sexto setor da escola deu uma considerável acelerada no passo de seus componentes, em frente ao módulo de jurados, o que pode contribuir para um julgamento mais severo por parte dos jurados.

Alegorias

Com um bom acabamento, as alegorias do Império cumpriram bem o seu papel. O abre-alas da escola, que no último trecho teve problemas de direção, predominava o verde e tinha como destaque a sonorização de instrumentos de percussão. O terceiro carro, sobre o batuque místico, era predominantemente branco e tinha uma bela escultura em seu centro. Essa alegoria causou apreensão por parte da harmonia da escola, por conta da altura do carro, que passou pela torre a poucos centímetros de se chocar.

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