Samba in Rio chega ao final com homenagem à Beth Carvalho e promessa de continuidade

Organizado às pressas e sem o tempo hábil para divulgação o primeiro festival de música voltado exclusivamente para o samba teve sua segunda e última tarde/noite de apresentações na Praça da Apoteose, o solo sagrado de todo sambista. O evento reuniu mais de 30 artistas ao longo de quase 24 horas de música. Além disso o visitante pode acompanhar stands e realizar oficinas, sempre com algo ligado ao samba.

O grande encerramento do Samba in Rio fez jus à característica maior do carnaval carioca: a rua. O Bola Preta fechou o festival entoando marchinhas históricas. Entretanto o ápice da noite foi a homenagem de Arlindo Cruz e dos amigos do Cacique de Ramos à grande madrinha do samba, Beth Carvalho, responsável por lançar diversos compositores hoje consagrados. A cantora completa em 2015 50 anos de carreira.

Ao lado de Arlindo, Sombrinha, Almir Guineto e Marcelo D2, Beth declarou sua emoção com o carinho do público e do mundo do samba. – Esse festival era um sonho pra gente. Impossível não recordar tudo que o samba sofreu até chegarmos até aqui. É emocionante cantar para vocês aqui na Apoteose – derreteu-se a cantora.

Organizadores apontam onde evento pode melhorar

Reunidos na Praça da Apoteose, organizadores e poder público falaram à equipe do CARNAVALESCO sobre a primeira edição do evento, que veio para ficar, segundo a empresária Babi Cruz, a principal organizadora do Samba in Rio. – O tempo que tivemos parta estruturar tudo foi recorde, pouco espaço hábil para divulgação, montagem do palco com uma semana a menos. Por tudo isso acredito que o balanço tenha sido extremamente positivo – esclareceu.

Babi rechaçou a crítica de que faltaram as escolas de samba em um evento justamente sobre o gênero mais brasileiro de todos. – Eu não concordo, pois se você olhar com atenção, nós tivemos oficinas com mestres de bateria e casais de mestre-sala e porta-bandeira. Shows com velhas-guardas, participações das escolas não faltaram. O que optamos foi por fazer algo fora dos tradicionais shows das escolas – explicou Babi.

O diretor de operações da Riotur, Luiz Gustavo Mostof mostrou contentamento com a primeira edição do festival. – O palco do samba é aqui na Apoteose, nessa região sagrada que é a Praça XI. O Rio é capaz de receber todo e qualquer tipo de manifestação artística, mas o samba está no DNA do carioca. A Riotur presta apoio e parabeniza os organizadores do Samba in Rio – avaliou Mostof.

Ainda na entrevista concedida ao CARNAVALESCO, Mostof elogiou a programação com os artistas escolhidos. – Tivemos aqui não somente cantores de samba, mas uma constelação de grandes nomes da música brasileira. Alcione, Beth Carvalho, Ana Carolina e muitos outros. Isso demonstra que o festival veio para ficar – apontou.

Diretor cultural, Milton Cunha sugere mudanças

O responsável pela ornamentação do festival e também um dos mestres de cerimônia nos dois dias de evento, Milton Cunha falou ao CARNAVALESCO o que pode melhorar visando as próximas edições. – Acredito que o principal seja a programação, no sentido de sua extensão. Começar às 15h é extenuante pois o sol no Rio de Janeiro é inclemente. Fica cansativo você colocar tantos artistas em um só dia – opinou.

Milton fez questão de deixar claro que são críticas pontuais a um festival que teve apenas sua primeira edição. – O povo compareceu, mesmo com o pouco tempo hábil de divulgação. Tudo ainda pode ser ajustado a partir do que tivemos nesta primeira edição – esclareceu Milton Cunha.

Segundo dia de shows mescla tradição com novas tendências

O segundo dia do Samba in Rio contou com a mistura de estilos de samba no palco da Praça da Apoteose. O primeiro a se apresentar foi o Grupo Molejo, que recebeu Andrezinho, ex-integrante da banda, para uma participação especial. O público que já marcava presença, mesmo com um sol forte, pode relembrar os sucessos de um dos grupos de pagode mais carismático dos anos 90.

Na esteira do boom do pagode dos anos 90, o dia contou com empolgantes shows de grupos da nova geração, principalmente o Bom Gosto e o Sorriso Maroto, dois dos mais populares grupos da atualidade. O romantismo também não ficou de fora com a participação de Raça Negra e Alexandre Pires, que entoaram seus maiores sucessos no palco.

Nomes de fora do círculo do samba também emprestaram sua voz ao Samba in Rio neste segundo dia. Marcelo D2, Fafá de Belém Jorge Ben Jor e Ana Carolina também passaram no palco da Apoteose e cantaram grandes sambas consagrados por outros cantores. Fafá emocionou o público presente ao cantar o samba-enredo da Unidos de São Carlos do carnaval de 1975, "Festa do Círio de Nazaré".

O ponto alto da noite ficou para o final. Marido da idealizadora do Samba in Rio, Baibi Cruz, Arlindo Cruz subiu ao palco e recebeu uma verdadeira constelação de sambistas. Almir Guineto, Sombinha, Marcelo D2 e a Velha Guarda do Império Serrano cantaram junto do cantor e compositor imperiano.

Mas foi com a entrada de Beth Carvalho que o grande momento da noite se descortinou. A cantora, além de cantar sucessos de sua consagrada carreira, como "Vou Festejar", "Água de Chuva no Mar" e "O show tem que continuar", ainda foi homenageada pelo próprio público que cantou à capela seu primeiro grande sucesso, "Andanças", que está completando 50 anos.

Paralelo aos shows o público pode participar de oficinas de dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira, com os casais da Mangueira e Mocidade, percussão, com Odilon e Casagrande, a dança jazz africano e adereços, com a equipe da AMEBRAS. Além dos stands da própria AMEBRAS, da loja D'Samba, do Museu do Samba, da Beleza Étnica, dentre outros. A estimativa de público presente à Apoteose pelos organizadores beirou os 15 mil por dia.