Sambistas prestam homenagem ao Dia Nacional do Samba e pedem que gênero seja considerado MPB

‘Samba, a gente não perde o prazer de cantar’, assim o grupo Fundo de Quintal e os sambistas cantam até hoje. Mas, muita gente não sabe porque o Dia Nacional do Samba é comemorado todo dia 2 de dezembro. Engana-se quem pensa que a data coincide com a gravação de “Pelo Telefone”, considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil. Muito menos é o aniversário de algum sambista consagrado. Na verdade, o responsável é o baiano Luís Monteiro da Costa, que para homenagear o grande Ary Barroso, tomou esta iniciativa. Ary já tinha composto “Na baixa do sapateiro”, mas nunca havia posto os pés na Bahia, até 2 de dezembro de 1940. Esta foi a o dia que ele visitou Salvador pela primeira vez e hoje data é comemorada em todo Brasil.

O site CARNAVALESCO conversou com alguns sambistas e admiradores desse gênero musical, considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras. Xande de Pilares, cantor e compositor, diz que o samba é o que ele chama de senhor e não de você. Ainda segundo Xande, acima do samba somente Deus. – O que representa nosso país no exterior é o samba, ele deveria ser considerado música popular brasileira (MPB). Apenas Patrimônio Cultural é um título que não aceito, e a gente precisa trabalhar mais e mais para superar isso, como foi superado quando a polícia prendia o sambista, e hoje não prende mais.

Nascido no meio do samba e do carnaval, Dudu Nobre é incisivo ao relatar que foi no, e com o samba, que ele aprendeu a ter caráter, evoluiu como pessoa e se transformou em homem. Dudu falou sobre a nova geração de sambistas e a dificuldade de espaço na mídia. – Hoje é muito mais difícil um sambista aparecer nacionalmente. Seguir carreira atualmente é mais complicado, até pelo fato da pirataria ter prejudicado muito o mercado fonográfico. Mas vejo muitos valores surgindo e com certeza irão ajudar a perpetuar a história e o valor que o samba merece – disse. O cantor ainda ressaltou o desejo de que o samba continue crescendo cada vez mais, e de que seus filhos abracem o samba da mesma forma que ele abraçou.

Locutor oficial das notas dos jurados nas apurações dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, Jorge Perlingeiro está no samba há 45 anos, e enfatizou a importância de se ter uma data para comemorar algo tão relevante para música e cultura brasileira. – O samba é minha vida! Ter uma data para comemorar o samba é muito especial. Uma pena que hoje existam poucos veículos que abrem suas portas para o samba ou para música popular brasileira. Novos talentos estão sempre surgindo, as quadras sempre cheias, e isso jamais acabará. O que falta é espaço para divulgação do trabalho, do gênero e da música.

Com mais de 100 músicas gravadas, Fred Camacho, um dos compositores do samba do Salgueiro para 2016, falou da discriminação quanto ao gênero musical samba e do que foi plantado pelos antigos sambistas. – Discriminação sempre vai haver, em qualquer gênero musical. Mas acredito que os antigos sambistas como Manuel do Cavaco, Wanderson Martins, Mauro Diniz, entre outros, fizeram muita coisa para nós hoje estarmos desfrutando de uma maneira muito melhor do samba.

Neguinho da Beija-Flor, quando questionado sobre a influência do samba na sua vida, preferiu responder cantando. – Eu costumo dizer que o samba é minha comida. Tenho um samba que diz assim: O samba é a imagem da vida, o gosto da minha comida, sem ele não posso viver. 

Sambista nato, afinal aos dez de idade Neguinho ganhou um concurso puxando um samba de Jamelão, o intérprete da Beija-Flor de Nilópolis encerrou cantando: – O samba hoje é realidade, até certo tempo passado cantar samba era pecado capital. Mas hoje, até a sociedade, despida de sua vaidade canta samba quando chega o carnaval.