Sambódromo 30 Anos: A democracia dos ensaios técnicos

 

 

 

Dez entre dez sambistas e admiradores do carnaval concordam com a tese de que os ensaios técnicos são a grande coqueluche do período pré-carnavalesco na cidade do Rio de Janeiro. As arquibancadas ficam superlotadas e o evento, que já se transformou em uma tradição da folia carioca, é importante para que as escolas de samba se preparem para o desfile oficial.

O tema de hoje da série especial de 30 anos do Sambódromo que o CARNAVALESCO vem produzindo vai tratar dos ensaios técnicos. O criador, Elmo José dos Santos, atualmente diretor de carnaval da Liesa conta como surgiu a ideia, quando ele ainda presidia a Estação Primeira de Mangueira. – Eu sugeri ao meu diretor de carnaval na época, Percival Pires, ensaiar na Marquês de Sapucaí. Ele se assustou com a proposta, mas fomos. Levei alguns ônibus com a comunidade e foi um sucesso. Depois comecei a convidar as coirmãs e os ensaios foram crescendo até entrarem para o calendário oficial do carnaval – lembra Elmo.

Já como diretor de carnaval da Liesa, Elmo recorda que sugeriu ao presidente Ailton Guimarãoes Jorge, o Capitão Guimarães, que todas as escolas pudessem ensaiar na pista de desfiles e ele prontamente concordou. – Logo que o Guimarães voltou ao comando da Liga eu pedi a ele que fizéssemos e ele tomou todas as providências para garantir a realização dos ensaios – afirmou Elmo.

Elmo: “É quase um trabalho social”

Elmo José dos Santos acredita que o diferencial dos ensaios técnicos é justamente não cobrar ingressos e permitir que uma parcela da população que não pode mais frequentar o Sambódromo participe da festa. – Uma vez foi sugerido cobrar um quilo de alimento em troca da entrada. Eu vetei, porque muita gente que vai ali mal tem para colocar na mesa, ainda mais para doar. É um trabalho social nosso trazer para as arquibancadas da Marquês de Sapucaí essas pessoas que estão alijadas da festa durante os desfiles oficiais – acredita.

Mas é um trabalho social que custa caro para as agremiações que vão ensaiar. – A escola tem de trazer carro de som, empurrador de tripé, tem quem traga 50, 60 ônibus, alguns com ar condicionado. Tem de pagar alimentação para a bateria, para as crianças. Uma escola de samba não gasta menos de R$ 50 mil para um ensaio técnico na Marquês de Sapucaí.

Liesa disponibiliza câmeras para as agremiações

Se há dez anos atrás a estrutura em torno da realização de um ensaio era precária, hoje o poder público participa das reuniões para traçar o planejamento de cada ensaio e a Liga Independente das Escolas de Samba disponibiliza para cada escola câmeras em vários módulos da Marquês de Sapucaí para que cada diretor de carnaval possa corrigir eventuais falhas para o desfile oficial. – A agremiação recebe no máximo dois dias depois o vídeo completo – afirma Elmo ao CARNAVALESCO.

Elmo José dos Santos é uma das figuras mais experientes do carnaval atual e possui know-how para analisar a importância dos ensaios técnicos, com o conhecimento de quem comandou a Mangueira durante seis carnavais e a direção de carnaval da Liesa há mais de dez. – O ensaio técnico é o reconhecimento do campo de jogo, como no futebol. Os ensaios de rua são importantes, mas não te dão uma dimensão exata de como montar a escola. É no ensaio da Marquês de Sapucaí que a direção de carnaval pode tirar suas dúvidas, enxergar e corrigir os principais erros. É indispensável – disse Elmo.

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