Santa Cruz decepciona e não impressiona em homenagem a Antônio Carlos

 

O desfile da Acadêmicos de Santa Cruz foi a maior decepção do Sábado de Carnaval na Marquês de Sapucaí. A escola da Zona Oeste não se encontrou e fez uma apresentação abaixo das expectativas, pecando em diversos quesitos. A evolução não foi das melhores, os integrantes desfilaram frios, sem cantar nem interagir com o público, o samba não emplacou e a bateria do mestre Rafael também deixou a desejar. O casal de mestre-sala e porta-bandeira formado por Eduardo Belo e Thaisa Barros foi um dos poucos pontos positivos da escola, que apresentou o enredo "Nas ondas do rádio. Acorda Brasil para escutar! O show do Antônio Carlos está no ar".

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A homenagem ao radialista Antônio Carlos, famoso apresentador da Rádio Globo, abordou primeiro a história do rádio, desde sua criação (primeiro setor da escola) e passando pela Era de Ouro dos anos 50 antes de introduzir o seu homenageado – o que aconteceu no terceiro carro alegórico. A partir daí, Antônio Carlos foi o foco do desfile, com alas se referindo a sua vida pessoal e profissional, como a 20, Notícias do Esporte, que trazia na fantasia o escudo do América, clube de seu coração. Entre as alegorias, muita aposta na presença dos destaques e pouco investimento na aparência e no acabamento dos carros. O destaque ficou para a coreografia dos integrantes do segundo carro, Era de Ouro.

As fantasias eram leves, mas isso não auxiliou no canto dos componentes. A escola desfilou sem empolgação e, com isso, também não empolgou. O samba-enredo iniciou a apresentação bem acelerado e a bateria cometeu deslizes na execução do tamborim e da caixa. A comissão de frente, que simbolizava a criação das ondas do rádio, tinha alguns elementos criativos, mas ficou abaixo do que apresentaram as outras escolas. No geral, o desfile da Santa Cruz não foi dos melhores e a escola deve brigar apenas para tentar fugir da parte debaixo da classificação.

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Confira como foi o desfile cabine por cabine:

Cabine 1 – A escola mostrou, desde o início de seu desfile, que não iria empolgar. A criativa e curiosa comissão de frente apresentou fantasias bem leves e com detalhes em neon que se acendiam em determinado momento da coreografia. Seu principal destaque, no entanto, era um "cientista maluco" que tinha como objetivo realizar diversos experimentos até descobrir a onda responsável por enviar o conteúdo de áudio do rádio às pessoas. Ele tentava brincar com a plateia e os jurados, mas a coreografia não tinha muitos aspectos a serem destacados e a apresentação acabou sendo bem abaixo da expectativa.

O casal formado por Eduardo Belo e Thaisa Barros foi quem mais se destacou neste pedaço da avenida. A dupla desfilou com naturalidade, graça e leveza. Especialmente Belo, que mostrou bastante desenvoltura nos movimentos. Já as alegorias não agradaram.

A escola passou com um conceito muito batido, tradicional, e o que mais chamou a atenção foi a quantidade de pessoas em cima dos carros do que as alegorias propriamente ditas. Pequenas e mal acabadas, não causaram impacto visual – assim como as fantasias. Algumas até eram bonitas, porém, não surpreendiam.

A evolução da escola não foi boa. Houve buracos no meio das alas, poucos integrantes cantavam o samba, que também não ajudava, e a Santa Cruz parecia não estar em sua noite.

A bateria se apresentou com bossas simples, adequadas ao samba, e passou direto da cabine dos jurados – sem realizar nenhum tipo de apresentação.

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Cabine 2 – A colorida comissão de frente também nao teve o efeito desejado neste módulo, pois nem todas as luzes das ropuas acendiam. Era até possível compreender sobre o que tratava a comissão, mas a coreografia apresentada não foi muito bem elaborada.

Assim como diante da cabine 1, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira foi o principal ponto positivo da escola. Eles fizeram um bela dança, apesar da simples coreografia, e defenderam bem o pavilhão.

A bateria passou pelo segundo módulo realizando uma apresentação simples. Os ritmistas não mostraram coreografia, mas executaram uma bossa.

As alegorias passaram visivelmente mal acabadas e o ponto positivo das fantasias foi na ala que vinha vestida de américa, uma das mais alegres e soltas de toda a escola, que acabou se destacando das demais que, em sua maioria, só conseguia cantar o refrão do samba-enredo com vontade. No entanto, apesar da fraca harmonia, a evolução do desfile no que dis respeito ao ritmo da passagem dos componentes não se comprometeu.

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Cabine 3 – A comissão de frente, que usava um tripé iluminado durante a sua apresentação, se destacou pelo belo figurino. No entanto, a coreografia continuou sem impressionar aos que assistiam a passagem da escola.

Mestre-sala e porta-bandeira da Santa Cruz fez uma bonita coreografia, com movimentos rápidos e harmoniosos. Thaisa Barros dançava com muita liberdade e facilidade, executando passos leves.

O jurado de fantasia, que junto com o de enredo, fez anotações durante a passagem da ala das baianas, também deve ter observado os esplendores da quarta ala da escola caindo para trás. Entre as alegorias, a segunda, que possuía componentes executando uma coreografia, tinha uma escultura com defeito de encaixe totalmente perceptível e a quarta apresentou problemas de acabamento no primeiro relógio do lado direito da alegoria e na parte de trás, onde a escultura central de uma estrela, tinha pedaços descolando.. O destaque positivo entre as alegorias foi o terceiro carro, que, apesar de simples, tinha um acabamento muito melhor que os demais carros da escola. No geral, só era possível compreender claramente o desfile acompanhando o roteiro da apresentação.

A bateria passou marchando diante dos jurados. O mestre Rafael, em momento algum, apresentou a bateria ou se virou para os jurados. Os ritmistas, apesar de passarem direto, executaram bossas e uma coreografia diante dos julgadores. Também em frente à terceira cabine, a ala à frente da bateria estava andando muito rapido e, para tentar disfarçar, o buraco, rainha e princiesa de bateria da Santa Cruz preencheram o espaço.

O homenageado, vindo no último carro da escola, que representava o seu bloco carnavalesco, foi muito aplaudido pelo público presente.

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Cabine 4 – Pouca coisa mudou em relação ao início do desfile. A escola, que já estava desanimada, parecia também cansada neste módulo. Novamente, o grande destaque ficou por conta do mestre-sala e da porta-bandeira, que fizeram mais uma apresentação muito boa.

A evolução da escola, no entanto, piorou. Um buraco se abriu antes de bateria entrar no segundo recuo e, no final, ficou a impressão de que o enredo não foi tão bem desenvolvido quanto poderia e que a comunidade da Santa Cruz também não mostrou tudo o que teria para dar. Uma pena.

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