São Clemente mostra potencial e força de Grupo Especial em seu ensaio técnico

 

 

 

Uma escola de samba precisa de vários fatores para estar no nível do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Dentre eles, ter um intérprete de qualidade, um casal de mestre-sala e porta-bandeira que conquiste a atenção do público, uma comissão de frente criativa e uma comunidade alegre e que cante o samba. Apesar de problemas na evolução, no que depender do ensaio técnico deste sábado, na Marquês de Sapucaí, a São Clemente está no caminho certo para confirmar seu espaço cada vez mais na elite do carnaval carioca.

 

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* VÍDEOS: ESQUENTA DA BATERIA E OS SAMBAS

 

Com Igor Sorriso inspirado, a escola começou seu ensaio 28 minutos depois do tempo previsto. Após mais de dez minutos entoando sambas de esquenta e exaltação à escola, a preta e amarela da Zona Sul começou seu ensaio apresentando uma criativa comissão de frente.

 

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* VEJA AQUI: RODRIGO COUTINHO ANALISA A BATERIA

 

Após o ensaio, mestre Caliquinho analisou o desempenho da bateria. – Acho que pode melhorar um pouco, e vou até conversar com o pessoal da harmonia, a questão do tempo de apresentação para os jurados. Mas de resto, a bateria deu um show na avenida. Todas as paradinhas que estavam combinadas nós fizemos e deu tudo certo. Agora eu vou ter a análise dos meus diretores de bateria, pra ver se tem algo que pode ser acertado, ou se nós vamos vir do jeito que nos apresentamos hoje, no dia do desfile – explicou.

 

Diretor de Harmonia, Ricardo Almeida Gomes, comentou o ensaio. – Foi bom, apesar do som muito ruim. Conseguimos ensaiar bem apesar disso.

 

Comissão de Frente

 

O segmento apresentava dois grupos, com 14 jovens cada, que se dividiam na coreografia a cada passagem do samba. O primeiro grupo com um visual que caracterizava o morador do asfalto, com óculos ray-ban e penteados modernos, e que quer conhecer o universo da favela. Já o segundo grupo, representava o morador de comunidade, com meninos de cabelos pintados de loiros e as meninas com penteado black power e dançando passos de funk. A comissão recebeu aplausos do público presente nos setores 3 e 5, além da torcida clementiana que estava posicionada no setor 7.

 

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– Fizemos hoje neste único treino com plateia na Sapucaí uma brincadeira organizada e não oficial do que apresentaremos no dia do nosso desfile. O queríamos era levantar a arquibancada. Nossa comissão representará no dia do desfile oficial, a antiga favela e a formação da atual com uma alegoria cenográfica e bastante surpresa. Faltando aproximadamente 20 dias, estamos ensaiando todos os dias da semana aqui e na Cidade do Samba com uma carga horária aproximada de 4 horas diárias. Esperem da São Clemente um retrato da favela com tudo que acontece em fatos e personagens – disse a coreógrafa Regina Sauer, que comanda a comissão de frente com Carlos Bolacha.

 

Mestre-sala e porta-bandeira

 

O casal de mestre-sala e porta-bandeira da São Clemente fez uma boa apresentação no ensaio da escola. Com sincronia e criatividade, Fabrício e Denadir não tiveram problemas durante o desempenho em frente à cabine de jurados. No fim da apresentação, o casal interagia com um menino que os acompanhava. Caracterizado como um catador de latas, a criança oferecia um pandeiro ao mestre-sala que cortejava a porta-bandeira com o instrumento. Após esse momento, o menino se juntava ao casal e saudava a cabine de julgadores e o público presente, que aprovou a ideia proposta pela escola. Com um padeiro na mão e um belo gingado, Fabrício foi mais um destaque da noite de ensaios técnicos no Sambódromo.

 

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O mestre-sala da São Clemente levou para casa um kit da D'Samba. – Gostaria de falar da importância desse prêmio, que já é um grande incentivo. O ensaio serve para marcar o tempo e o espaço, a coreografia não será essa, mas o tempo e o espaço serão os mesmos então precisamos acertar direitinho para dar tudo certo no dia do desfile – afirmou.

 

Baianas e passistas

 

Além do intérprete e dos segmentos iniciais da escola, outras duas alas merecem destaque. As baianas da escola, que coloriram a Sapucaí de preto e amarelo, com uma roupa muito bem acabada e cantando alegremente. E a ala de passistas da escola, que com uma alternância entre as cores da escola (preto e amarelo), que vestiam as meninas, e o laranja e branco, que vestiam os meninos, mostraram muito samba no pé.

 

Harmonia e Evolução

 

Apesar de em muitos segmentos, a São Clemente ter se comportado como uma escola com potencial forte de Grupo Especial, a escola teve altos e baixos nos quesitos harmonia e evolução. Em harmonia, os problemas foram pequenos e localizados. O primeiro setor da escola pouco cantou e no terceiro setor, só se ouviam os refrãos do samba. Porém, no restante da escola, o canto se fez presente e contínuo, com destaque especial para o segundo setor clementiano, que tinha um contingente bem extenso e mais bem distribuído, que cantou forte o samba. A parte final da agremiação (setores 5, 6 e 7) também cantou forte e elevou a harmonia da escola. Pela bela apresentação, o intérprete Igor Sorriso ganhou o calendário do ano de 2014 feito pela Brazil Carnival Ooah!

 

– Nosso time foi muito bem. Ensaiar na Sapucaí é importante, nosso samba passou muito bem. Vamos acertar ainda os detalhes nesses próximos dias até o dia do desfile. Ser premiado pelo site CARNAVALESCO e fazer aquilo que eu amo é gratificante – disse o cantor.

 

Já em evolução, apesar de organizada e bem distribuída na pista, a São Clemente apresentou problemas em frente ao setor 6 da Sapucaí. Após a apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, o primeiro setor da escola não acompanhou o segmento, e abriu-se um grande espaço em frente ao módulo de julgadores. A harmonia da escola teve de acelerar os componentes que chegaram a correr para ocupar o espaço. O erro voltou a se repetir após a apresentação do segundo casal da escola, Anderson e Munike, mas foi contornado mais rapidamente.

 

Mesmo com esses deslizes, a São Clemente finalizou sua apresentação com uma hora de ensaio. A escola será a terceira a desfilar, no domingo de carnaval, com o enredo "Favela", desenvolvido por um núcleo criativo, que tem a participação do carnavalesco Max Lopes.

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