Segmentos da Viradouro pedem paz em ensaio dedicado ao fim da intolerância

A Unidos do Viradouro realizou na noite desta terça, em sua quadra, em Niterói, um ensaio especial para pedir paz e o fim da intolerância no Brasil e no mundo. Os componentes da escola e os segmentos vestiram branco em uma atitude de simbolismo no clamor por um mundo menos violento. A motivação se deve ao atentado terrorista ocorrido em Paris, na sexta-feira, 13 de novembro.

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FOTOS DO ENSAIO DA PAZ

Os passistas, o intérprete Zé Paulo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marquinhos e Giovanna, e diversos componentes aderiram ao pedido da escola e estavam de branco. O padre João Cláudio fez uma oração e lembrou também das vítimas do acidente ambiental de Mariana, em Minas Gerais. João, que é torcedor da Viradouro, recordou que o Papa Francisco fez um apelo para o mundo orar pelos vitimados de Paris. – O pontífice fez esse clamor a todos os fieis. Não importa qual o seu Deus, mas sim a sua fé. Mentalize e ore por todas as famílias que estão sofrendo com a perda de seus parentes, seja no Rio, em Mariana, em Paris, ou qualquer lugar do mundo – pediu o padre João Cláudio, que realizou a oração a São Francisco de Assis.

* VÍDEO: PADRE JOÃO CLÁUDIO ORA PELAS VÍTIMAS NA QUADRA

'Não sei que mundo esperar para minha filha', preocupa-se Zé Paulo

Pai de uma recém-nascida, de apenas seis meses de vida, foi do intérprete Zé Paulo a ideia de sugerir ao presidente Gusttavo Clarão e ao diretor de carnaval Wilsinho o ensaio da paz. – Eu vejo com muita preocupação a sociedade atual. Não sei que mundo minha filha vai vivenciar, mas esse que estamos vivendo está bem triste. Só para ficar nos exemplos recentes tivemos esse horror na França, a tragédia de Mariana por negligência de uma empresa privada e no Rio um homem foi espancado até a morte. É tudo muito assustador – revelou Zé Paulo ao CARNAVALESCO.

O presidente Gusttavo Clarão foi outro que opinou sobre o momento que motivou a realização do ensaio pedindo o fim da intolerância. – Quando o Zé me sugeriu eu prontamente aceitei. A Viradouro vai pedir o fim da intolerância no próximo carnaval. Queremos ser a voz da paz na avenida em 2016. O mundo carece de mais compreensão. Até mesmo nas pequenas coisas, nas relações familiares e de amizade – opinou Clarão.

Experiente, o mestre de bateria Paulinho Botelho revelou a falta de humanidade de alguns setores da sociedade. – Vejo que o mundo todo está sem amor. Falta solidariedade para com o colega. Na bateria da Viradouro exijo companheirismo, comprometimento. O carnaval é alegria e a iniciativa da escola é louvável de pedir paz – afirmou.

'Falta Deus na vida das pessoas', dispara coreógrafo Sylvio Lemgruber

Recém chegado à Unidos do Viradouro, o coreógrafo Sylvio Lemgruber opinou sobre as motivações de tantas guerras. – Eu acho que está faltando Deus no coração e na vida das pessoas. Qualquer discussão vira uma guerra, um enfrentamento desnecessário. Não importa qual seja, mas Deus é fundamental para que o ser humano consiga viver em harmonia com seu semelhante – discorreu.

O diretor de carnaval Wilsinho não descarta algum tipo de homenagem às vítimas do atentado de Paris no desfile da Viradouro. – Acredito que dê para pensar em algo, com cuidado, pois o jurado pode não compreender. Nosso enredo por si só já contém um pedido de mais tolerância e está inserido neste contexto. Parece que estávamos prevendo as coisas ruins – esclarece Wilsinho.

O mestre-sala Marquinhos revela sua descrença com a humanidade nos dias atuais. – A grande realidade é que a sociedade está doente, no mundo todo. Falta compaixão, falta amor. Eu não tenho grandes esperanças que isso vá mudar em um curto prazo. A gente pede, clama, mas vejo com pessimismo o cenário atual – lamenta o dançarino.

Giovanna Justo se emocionou ao pedir o fim da violência. – A gente que trabalha com carnaval não sabe lidar com esse tipo de situação. Trabalhamos com a paixão e alegria. É embaraçoso você ter de pedir para que as pessoas se respeitem, que sejam mais tolerantes. Não sei muito o que pensar sobre essas coisas ruins – aponta a porta-bandeira.

Além do pedido por paz o ensaio da Viradouro foi o primeiro desde a partida do cantor e compositor Gilberto Gomes, que foi o parceiro do presidente Gusttavo Clarão em vários grandes sambas na história da escola. O locutor Wanderlei pediu uma salva de palmas e uma saudação da bateria. Um dia de louvar e pedir paz para todos.

A Viradouro apresenta em 2016 o enredo "O Alabê de Jerusalém: A Saga de Ogundana", de autoria de Altair Veloso e carnavalização de Max Lopes. A Vermelha e Branca será a quinta a desfilar na sexta-feira de carnaval pela Série A.