Segunda noite do Grupo Especial tem mais seis escolas nesta segunda de carnaval

beija07Depois da primeira noite de apresentações de sete escolas do Grupo Especial os sambistas pouco tempo terão para descansar. A partir das 21h15 desta segunda mais seis agremiações duelam pelo sonhado campeonato da elite do carnaval e para evitar o rebaixamento à Série A.

A noite tem início com a maior campeã da década, a Unidos da Tijuca, que homenageia o ator Miguel Falabella. Em seguida a campeã de 2017, Portela, cruza a avenida na estreia de Rosa Magalhães na escola. A terceira a desfilar é a União da Ilha do Governador, com um enredo sobre a culinária. Em sequência passam pelo Sambódromo o Salgueiro, que também estreia Alex de Souza na função de carnavalesco, a Imperatriz, com sua homenagem ao Museu Nacional e a Beija-Flor, que promete crítica social com um desfile denso.

Ordem dos desfiles:

1 – Unidos da Tijuca
2 – Portela
3 – União da Ilha
4 – Salgueiro
5 – Imperatriz
6 – Beija-Flor

Carnavalescos revelam trunfos de cada desfile desta noite

tijuca02Unidos da Tijuca: “A Tijuca vai quebrar esse paradigma de que escola que abre não pode ganhar o carnaval. Eu não tenho nenhum dúvida de que o nosso desfile nos colocará na disputa do título. A escola está mordida com tudo o que aconteceu, nem preciso falar do nosso chão que é um dos mais fortes do Grupo Especial.” (Annikk Salmon – carnavalesca)

Portela: “A Portela vem como diz seu samba. Começamos no Recife com a chegada dos judes. A prosperidade financeira da Companhia das Índias devido à cana. Com a reconquista do espaço pelos portugueses, foi dado um tempo para todos saírem do Recife. Uma parte voltou para Holanda, outra para o caribe e outra para Nova Amsterdã, na América do Norte. Presos pelos piratas, não tinham recursos para pagar o resgate. Livres, foram para os EUA em uma colônia, onde se exploravam venda de peles. Ficaram lá e fundaram o que hoje é Nova Iorque. A primeira sinagoga foi feita por este grupo. E na estátua da Liberdade tem um poema escrito por um desses descendentes.” (Rosa Magalhães – carnavalesca)

portela03União da Ilha: “Nós vamos despertar desejos em vários aspectos. Uma escola que não tem dinheiro para adereços caros. Trazemos estampas exclusivas, criamos só para o desfile. Nossas alegorias vão dar água na boca. Vamos trabalhar com sensações e esse é nosso grande objetivo. As estampas são o carro chefe em termos de materiais. Reciclamos muita coisa também. Retiramos todas as plumas do carnaval passado e utilizamos novamente. Gastamos R$ 220 mil em plumas ano passado. Esse ano foi gasto R$ 50 mil.” (Severo Luzardo – carnavalesco)

Salgueiro: “A gente inicia tanto com o lado espiritual quanto científico, relacionado ao surgimento do homem. Existe um estudo científico que diz que a espécie humana vem da África. Depois vamos contando a história das mulheres negras como regentes, divindades, civilização egípcia, grandes guerreiras e generais na África e no Brasil. No nosso país toda a parte colonial, na formação do povo brasileiro como a culinária. Depois atingimos a parte espiritual. A grande família africana através dos cultos. No fim teremos as cantoras, escritoras. Homenageamos as mulheres que fizeram a história do Salgueiro.” (Alex de Souza – carnavalesco)

Imperatriz: “Foi uma descoberta diária pesquisar esse enredo. O que me chamou a atenção primeiro foi a relação da imperatriz Leopoldina com o museu. Só a Imperatriz poderia falar sobre esse enredo. É um grito de alerta para resgatar o museu, que encontra condições muito precárias. Eu vi um número enorme de objetos guardados por falta de espaço. Ao visitar o quarto que foi de D. Pedro II vi os vitrais originais da época. Existe um cofre com elementos da família Real que poucas pessoas tem acesso. É um lugar arrepiante.” (Cahê Rodrigues – carnavalesco)

ilha_barracao_2018_1Beija-Flor: “A Beija-Flor apresenta um carnaval que parte da obra ‘Frankstein’, de Mary Shelley. O livro completa 200 anos este ano e conta a história de um jovem médico que cria uma criatura a partir de pedaços de outras pessoas. Esse ser ganha vida e é monstruoso. O doutor abandona sua criação à própria sorte. A partir daí fazemos um espelhamento com a realidade deste país. Na história do livro quem é o monstro? A criatura feia e sem nome ou o seu criador que o abandona? Esse questionamento será feito ao longo de nosso desfile. Quem são os monstros do Brasil? Quem são os filhos abandonados? Vamos falar de corrupção, da ganância de empresários, de preconceitos. Mas isso aqui é carnaval e encerramos com uma mensagem positiva. Depois de tocarmos nas feridas vamos dar voz ao sambista. Fomos marginalizados ao longo da história. Apesar de tudo o espaço do samba é amplamente democrático, a qualquer tipo de grupo social. Deve ser o mais democrático do país. Respeite o que lhe parece feio, é a mensagem que pretendemos com nosso enredo.” (Cid Carvalho – carnavalesco)

Regulamento sem alterações

Depois de sofrer mudanças de 2016 para 2017 o regulamento dos desfiles do Grupo Especial pouco mudou para este ano. As principais mudanças foram o horário do início do espetáculo, que passou para 21h15 e da apuração na quarta-feira de cinzas, que será 15h30. Além disso a criticada cabine dupla de julgamento foi desfeita e as escolas passarão a ser julgadas através dos tradicionais quatro módulos, nos setores 3, 6, 8 e 10 da avenida.

Serão 36 jurados atribuindo notas entre 9 e 10. Seis jurados foram modificados em relação ao ano passado. Assim como ocorreu em 2017 um sorteio na tarde deste domingo definirá, dentre os 54 julgadores, quais irão para o julgamento e quem ficará com as cabines reservas, que só valerão em caso de problemas com algum julgador titular.

– Horário e tempo de desfile: a festa terá às 21h15, e as escolas tem 75 minutos no máximo para se apresentar. O tempo mínimo para desfilar é de 65 minutos.

– Comissão de frente: cada comissão poderá contar com o mínimo de 10 (dez) e o máximo de 15 (quinze) integrantes aparentes no quesito.

– Alegorias: todas as agremiações deverão apresentar de 05 (cinco) a 06 (seis) alegorias em seus desfiles. Será permitido um carro acoplado e três tripés (motorizados ou não) com até dois componentes.

– Ritmistas: deve ser respeitada a obrigatoriedade mínima de 200 integrantes.

– Notas e quesitos: As notas serão atribuídas de 9,0 a 10,0, fracionadas de forma decimal (9,0 – 9,1 – 9,2 – … – 9,8 – 9,9 – 10,0). São 09 (nove) quesitos: Comissão de frente, Mestre-sala e Porta-bandeira, Evolução, Harmonia, Bateria, Enredo, Samba-enredo, Fantasias e Alegorias e Adereços. São quatro cabines com um de cada quesito em cada uma e mais duas reservas.

Lembrando que as duas últimas colocadas no Grupo Especial serão rebaixada para a Série A em 2019 e substituída pela campeã da Série A de 2018.