Sem ala comercial, Imperatriz comemora sua safra de sambas e quer esquecer resultado de 2017

Por André Coelho

Um dos mais experientes diretores de carnaval do Grupo Especial, Wagner Araújo conversou com o site CARNAVALESCO e explicou como a Imperatriz passará pela Sapucaí em 2018, quando homenageará os 200 anos do Museu Nacional.

– A escola vai desfilar com 2.600 pessoas no chão, mais umas 100, 120 em carros, tudo comunidade. Não tem ala comercial, nenhuma – afirmou.

A Imperatriz fez em 2017 um dos seus melhores desfiles nos últimos anos. Injustamente, a escola ficou fora das campeãs. Wagner Araújo comentou o resultado.

imperatriz_final2018_-113– É um problema cultural do Brasil, quando participamos de uma competição, queremos ganhar. E para participar de uma competição equilibrada, você tem que aprender a ganhar e aprender a perder. Nós da Imperatriz Leopoldinense aprendemos as duas coisas. Infelizmente, tem algumas derrotas que não nos deixam muito satisfeitos. Quando você perde e fica a impressão de que você não merecia perder e chegar onde chegou, é muito complicado, é um sentimento de revolta, de injustiça, porque você trabalha vários meses, convive com comunidade, vende esperança, ilusão, exige que eles acreditem nessa esperança, nessa ilusão e todos acreditam, tanto é que vão para a avenida com essa ideia. E a injustiça dói um pouco porque você faz um comparativo de notas e vê que algo aconteceu que não condiz com a realidade. Mas, no ano seguinte tem tudo de novo, como vai acontecer em 2018, a esperança ressurge e a gente está recomeçando esse trabalho, tentando esquecer as decepções do ano anterior e tocando em frente, afinal de contas a gente tem, acima de qualquer competição, a obrigação de divertir a comunidade mais humilde, mais pobre, mais sofrida. Fala-se muito em indústria do lazer, que é a indústria que mais cresce no mundo e as pessoas esquecem que lazer também é para as pessoas humildes e o alcance dessas pessoas, felizmente, é a escola de samba. A gente esquece as mágoas, as injustiças e estamos aqui trabalhando – disse.

O diretor de carnaval da Imperatriz Leopoldinense analisou o cancelamento dos ensaios técnicos no Sambódromo.

– O ensaio técnico é bom para todo mundo. Mídia, público, escola, é bom para quem brinca, se diverte, é agradável, é disciplinado, seguro. É uma atração, a verdade é essa. A gente espera é que a Prefeitura, principalmente, entenda a necessidade desses momentos da escola de samba com suas comunidades na Marquês de Sapucaí antes do desfile oficial – afirmou.

imperatriz_final2018_-244Wagner abordou também a safra de sambas-enredo da Imperatriz. A escola é sempre apontada como uma das melhores alas de compositores do carnaval. Segundo ele, boas sinopses ajudam.

– O papo com as parcerias, tanto meu quanto do carnavalesco também ajudam. Uma abertura em mostrar um carnaval já definido, fazer as parcerias entenderem o que a gente quer. Honestidade, porque quando você faz um samba, me mostra, e eu para não melindrar você eu tento enganar, na verdade, eu estou me prejudicando. Eu tenho que respeitar o compositor, tenho que respeitá-lo como alguém capaz de fazer o que eu preciso. Samba-enredo é uma coisa muito difícil porque é uma obra “encomendada”. É igual a trilha cinematográfica. Às vezes usa-se num filme uma música muito conhecida, mas normalmente encomenda-se uma música nova. O samba-enredo é uma música nova, a maioria das pessoas que ouve a primeira não gosta. Porque não entendem o que ele quer dizer. Seria burrice dizer que o samba está legal quando não está. Estou sendo burro comigo, não com o compositor. E acho que está aí um dos segredos. Honestidade do carnavalesco e da direção de carnaval de colocar para as parcerias o que é bom, o que está no caminho certo, o que está tudo errado. Às vezes você tem que usar palavras até grosseiras e pedir desculpas, mas falar a verdade para a parceria – explicou.