Sem questionar notas, Leandro Vieira diz que gosta de temas plurais no carnaval

Por Geissa Evaristo

mangueira_desfile_2018_76-23A Estação Primeira de Mangueira cumpriu a promessa de provocar uma reflexão sobre os rumos do carnaval. A proposta totalmente transgressora foi inédita na história da escola. Leandro Vieira fez pesadas críticas ao prefeito do Rio Marcelo Crivella e atendeu a expectativa de criticar o mercantilismo residente no carnaval. A agremiação acabou em 5º lugar e retornou no sábado das campeãs.

Já consagrado na agremiação, o carnavalesco conversou com a equipe do site CARNAVALESCO sobre o resultado do Carnaval 2018 e os rumos para 2019.

– A Mangueira fez o que podia fazer. Veio pra cá com o que podia ser feito. O júri decidiu que deveríamos ficar em 5º lugar. A gente reconhece que tiveram algumas falhas para ser corrigidas e vamos corrigir para o ano que vem. Carnaval tem todo ano. Ano que vem viremos com as correções que temos que fazer em casa – pontuou.

mangueira_desfile_2018_04A agremiação perdeu 0,1 décimo no quesito Enredo e 0,2 décimos no quesito Alegorias e Adereços, porém gabaritou o quesito Fantasias. Para Leandro Vieira, criador do enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”, o júri está ali para avaliar e não cabe ao artista contestar as notas recebidas.

– Nunca questiono nota. Independente de eu concordar ou não com o jurado, acho que ele está aqui para achar bom ou ruim. Quando o júri acha bom eu fico feliz, quando o júri acha ruim, eu tenho que ter humildade para dar razão ao que ele diz e corrigir para melhorar – declara.

O enredo da Verde e Rosa foi escolhido depois da polêmica no corte da subvenção municipal às agremiações. O tema assinado por Leandro Vieira trouxe um apanhado geral da história da folia e deu exemplos de Carnavais que não necessitam de dinheiro. Perguntado sobre o futuro, Leandro revela que quer ser livre para criar futuros temas.

– Cada carnaval é um carnaval. Não sei se farei um enredo politizado novamente. Tem que avaliar o momento, a situação. Cada carnaval é um carnaval. Não quero de forma alguma ser estigmatizado como o carnavalesco disso ou daquilo. Quero todo ano fazer um carnaval que seja importante. Gostei da Tuiuti, o papel da escola de samba é também isso. Durante muito tempo as agremiações deixaram de ser lugar de discussão política e agora volta a ser, também. Gosto de carnaval plural. Acho que quanto mais variedades de discursos, de abordagem e linguagem tiver, mais o desfile de escola de samba será interessante. Quanto mais variedade melhor – avalia o artista.