Sérgio Faria, chefe de adereços da Imperatriz, lembra da convivência com Joãosinho Trinta

Sérgio Faria, chefe de adereços da Imperatriz Leopoldinense, conversou com o site CARNAVALESCO sobre a morte de Joãosinho Trinta. – O João foi o começo de tudo na minha vida no carnaval. Eu era desfilante na época áurea dele no Salgueiro e quando ele foi para a Beija-Flor acabou me levando junto.  Ele me deu coragem e fez aflorar em mim a paixão pelo carnaval, me mostrou que era aquilo que eu queria. Trabalhei com o João durante quatro anos e tenho ótimas lembranças. A Rosa me deu régua e compasso e o João me deu a fantasia. Ele não via limites. Achávamos sempre que não daria tempo ou que não teríamos dinheiro para colocar em prática as suas ideias, mas ele sempre falava  que tudo daria certo. O trabalho era feito por todos e ele ia gerenciando a criação de maneira um pouco intempestiva, mas era o jeito dele e, no final, ficava tudo maravilhoso. O João mudou muito o carnaval. Alegoria com gente em cima é coisa dele, alegoria viva também, destaques enormes e alas com resplendores, o isopor no carnaval, placas de acetato moldadas, enredos pouco históricos, enredos criados… Tudo isso é coisa dele.

O artista comentou quando teve o último contato com Joãosinho Trinta: –  A última vez que tive contato frequente foi em 1998. Ele me chamou para ir à Copa do Mundo de 98 e montar um grupo de quarenta pessoas aproximadamente para fazer um desfile de carnaval em Paris. Mesmo com todos os problemas de saúde que ele já tinha sofrido, demonstrava uma vontade impressionante de trabalhar. Montamos um barracão em Paris com ferreiros, carpinteiros, aderecistas e também uma escola de samba, que era formada por integrantes de Viradouro e Imperatriz em sua maioria. Foi histórico aquilo, os franceses não entenderam como transformamos um chassi de caminhão em alegoria.

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